Todos os homens são livres e iguais em direitos; e todavia, alguns são livres para morrer à fome e iguais para morrer de frio. (António Soveral-1905)
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
HAITI
Estou seco !
Não te consigo falar.
As imagens não se precipitam sobre a tua superfície branca.
Apenas me perseguem os quatro cavalos que romperam das entranhas da terra..
Nada mais senão os quatro cavalos. Apocalipse !
Peço aos olhos que se virem para dentro e procurem ainda
algum pequeno regato .
Mas não, já estou seco.
Saltam o vermelho, o negro e o baio,
o branco segue-os de perto...
E os dedos não se mexem
e a mão não tem coragem
e do cérebro apenas o lamento.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Dia cinzento
E o mar está ali, tão perto, cheio, à nossa frente,
e esta pedra invisível que nos amarra à terra
e nos impede de ir mais além
recorda-nos este modo de viver, imutável,
morrendo de insegurança, desfalecendo no atrevimento.
E permanecemos nesta insistência de,
mesmo encalhados,aguardar
que o temporal dos dias
nos destrua os restos da estrutura.
São as horas do nosso Outono.
E a angústia persiste !
E o mar ali tão perto e os olhos a rasgar o horizonte.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Natal
Um novo fruto nasceu num ramo da árvore.
As raizes rejubilaram de alegria
e o poeta, ao espelho, viu
as lágrimas escorrerem dos seus olhos sorridentes.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Em jeito de resposta a uma Amiga
Nasce a saudade no abrir dos braços
e a ave da angústia que esvoaça no vazio
faz o ninho no meio do peito.
A tua ausência é uma planta de cacto.
Perene,
trespassa-me em tropismos que dilaceram.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Em memória do meu amigo Guillaume
Elegia
A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.
Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?
Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.
(Olho do alto da gávea...)
Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.
Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.
A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.
Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?
Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.
(Olho do alto da gávea...)
Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.
Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Ainda sobre a Fome
morrem de fome duas crianças.
Desfalecem silenciosamente;
já nem forças para sofrer
e morrem lentamente.
E eu sei
e sinto uma profunda vergonha
e não consigo dormir
mesmo de olhos fechados.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ainda sobre a violação dos Direitos Humanos
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra xula.
Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.
30.06.05
domingo, 18 de outubro de 2009
Ainda sobre quem luta
Lembra-te das abelhas,
do seu voo de cera e açucar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.
Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome..
20.06.2005
quarta-feira, 6 de maio de 2009
6 de Maio
Felicíssima recordação .
Levar-te-ei flores .
Lembrar-me-ei do teu sorriso ternurento
quando te acordava neste dia .
2009
2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Retiraste a linha ao horizonte
Mantens-te a querer ser um náufrago no seco leito de um rio.
O teu olhar diz-me que renunciaste.
O teu silêncio diz-me que te resignaste.
O teu corpo diz-me que desististe.
Retiraste, mesmo, a linha ao horizonte.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Orgulho
Plantámos três árvores.
E que belas são, que força existe nos seus ramos,
que seiva rica lhes corre nas entranhas.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Natal no Darfour
É noite e as estrelas estão lá em cima.
Uma criança nasce com a morte já estampada nas faces,
como a outra.
Só que não durará trinta e três anos nem
trinta e três dias nem
trinta e três horas;
talvez trinta e três minutos ou
trinta e três segundos ou talvez já nasça morta.
É assim o Natal no Darfour
E as mesmas estrelas estão lá em cima.
Uma criança nasce com a morte já estampada nas faces,
como a outra.
Só que não durará trinta e três anos nem
trinta e três dias nem
trinta e três horas;
talvez trinta e três minutos ou
trinta e três segundos ou talvez já nasça morta.
É assim o Natal no Darfour
E as mesmas estrelas estão lá em cima.
sábado, 19 de julho de 2008
Revelação
Porque da árvore das horas já vão caindo as folhas
exorto-vos,
revelando as imagens que aos meus olhos surgem,
a só esperar o amanhecer.
O amanhã será dos frutos das minhas sementes
e dos frutos de todas as outras sementes
que sabem que hão-de gerar raízes.
O tempo será ciclicamente renovado
por mãos que se estendem com dedos de gavinhas
pelos homens e mulheres, árvores de fundas raízes,
que abrem os braços como os ramos
num abraço onde cabe o universo
e vivem em liberdade e – sobretudo - em igualdade,
sem angústias do passado nem da morte inevitável,
que se desprendem e rebentam com os casulos do tempo
numa metamorfose encadeada onde sempre
o fim será o início.
Será o sonho revelado nos meus olhos.
O campo lavrado para a sementeira,
terra revolta com as mãos abertas,
de braços cheios, sem jugo.
As mesmas mãos e os mesmos braços
dos mesmos homens-árvore
e das mesmas mulheres-árvore
e sempre a mesma terra-mãe
onde hão-de pousar as minhas cinzas lançadas ao vento;
porque eu quero fazer parte dessa terra de redenção
e ter a certeza, já, de que terá valido a pena e
que os meus olhos não me enganaram.
exorto-vos,
revelando as imagens que aos meus olhos surgem,
a só esperar o amanhecer.
O amanhã será dos frutos das minhas sementes
e dos frutos de todas as outras sementes
que sabem que hão-de gerar raízes.
O tempo será ciclicamente renovado
por mãos que se estendem com dedos de gavinhas
pelos homens e mulheres, árvores de fundas raízes,
que abrem os braços como os ramos
num abraço onde cabe o universo
e vivem em liberdade e – sobretudo - em igualdade,
sem angústias do passado nem da morte inevitável,
que se desprendem e rebentam com os casulos do tempo
numa metamorfose encadeada onde sempre
o fim será o início.
Será o sonho revelado nos meus olhos.
O campo lavrado para a sementeira,
terra revolta com as mãos abertas,
de braços cheios, sem jugo.
As mesmas mãos e os mesmos braços
dos mesmos homens-árvore
e das mesmas mulheres-árvore
e sempre a mesma terra-mãe
onde hão-de pousar as minhas cinzas lançadas ao vento;
porque eu quero fazer parte dessa terra de redenção
e ter a certeza, já, de que terá valido a pena e
que os meus olhos não me enganaram.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
O exemplo das árvores
Seja qual for o destino
do voo das tuas mãos
lembra-te
e pensa maduramente
no exemplo das árvores.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Anónimos
Lembra-te das abelhas,
do seu voo de cera e açúcar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.
Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome..
do seu voo de cera e açúcar,
que terçam dardos
se o perigo se aproxima.
Em nome do sol que protegem
desconhecem a indiferença.
Nunca se relembra o seu nome..
Sem nome
Esta árvore
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra chula.
Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.
bebe a seiva do egoismo
porque enraizada em terra chula.
Terra podre
onde nada mais nascerá
apenas resistirão ramos retorcidos
onde poisam necrófagos.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Sentimento
O muito que sinto não tem imagem
nem forma mas tem peso
agrilhoa-me o peito
incomoda-me mesmo
quase sempre magoa.
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Sonhar a terra livre e insubmissa
E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito... E cada vez mais do que nunca...
-
E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito... E cada vez mais do que nunca...
-
Alegre Manuel alegre até à morte que lindo nome para um homem triste que lindo nome para um homem forte. Alegre Manuel despedaça...
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" Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, e...


