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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Lamento

És incapaz de me escutar
e de olhar por mim
mesmo que o teu corpo ainda amanheça
ou que no meu,
ainda esvoassem gaivotas
aturdidas pela espuma branca das ondas.

Tens a certeza de todo o meu amor!

E é nesse limbo que ficarei
apesar dos gritos das entranhas
apesar de toda a tua indiferença.

sábado, 12 de julho de 2008

O beijo

O meu amor deu-me um beijo
e nasceu um rio de madrugadas
que desaguaram sobre o peito.

Um renascer
em que se adormece ao sol do sonho
deitados de costas no chão
respirando o hálito fesco da terra ainda húmida.

Bendito campo
pobre de terra mas cheio de vida
que acena aos pássaros com as suas mãos de espiga
e agradece às raizes o dom da seiva.

Hoje,
os rios libertam as sereias
e o seu canto de harpa mágica
e as colinas rasgam o céu
com a força desmedida da terra-mãe.

O meu amor está em festa
cumpre-se a vida na colmeia
renasce o sol
e quere-se a lua.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Poema contigo

É bom saber que estás por perto
embora das tuas mãos não brotem gestos solares
nem da tua boca surjam rumores de mel.

Mas é bom olhar e sentir que estás
porque a tua ausência seria a amargura nos dias
e as noites um túnel de insónia.

Por mais que te sinta transparente
não posso esquecer o tempo
em que dávamos de comer à ave dos sonhos.

E que da nossa árvore brotou seiva,
que nasceram risos e cairam lágrimas
e se levantaram manhãs que nos justificaram.

Por mais que pressinta o desentrelaçar dos nossos ramos
eu sei que seguiremos sempre resguardando os frutos
até que a árvore se consuma.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Ausência

Nasce a saudade no abrir dos braços
e a ave da angústia que esvoaça no vazio
faz o ninho no meio do peito.

A tua ausência é uma planta de cacto.
Perene,
trespassa-me em tropismos que dilaceram.

Re(a)cordar

Ao anoitecer,
quando os homens, como os pássaros,
se despenham nas suas árvores
o cheiro primaveril das flores roxas,
aponta para uma outra vereda.

Um de novo encher o peito,
um recobrar primário dos sentidos
poluídos nos caminhos entre os espelhos,
entre as mãos e os olhos
e pelo esquadrinhar dos desejos.

Só depois,
o submergir no mar do sono,
numa calma sem fantasmas.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Certeza

Até amanhã!
Tenho a certeza de que estarás comigo.
Mesmo que desaparecesses, hoje, ao fim do dia,
amanhã estarias comigo, dentro de mim.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Frente a um cavalete transparente

Pega na tua paleta e mistura todas as tuas cores.
Do resultado, apenas tu, tens a total compreensão.
Se tiveres coragem, pinta-te e assina.
Poderás não ser um artista...mas és tu assumidamente!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Anátema

Súbito, reapareceu perante os nossos olhos.
Não queríamos acreditar!
Era o reavivar de feridas antigas, o readmitir que se voltava de novo ao princípio.
Era um Anátema que nenhum de nós queria aceitar.
Sabemos que os factos balançam entre as nossa emoções.
Mas seria que estávamos preparados para semelhante provação?
De novo demos as mãos.
Se o Anátema se extinguiu não creio que em tal acreditemos.
Mas que acreditamos na nossa força, isso, é certo!

A Hora da Poesia- Rádio Vizela

www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7w...