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DN de hoje aparece um novo artigo do Padre Anselmo Borges, desta vez sobre o Fórum Católico-Muçulmano, realizado em Novembro último, no Vaticano.
Congratulo-me, como cidadão, com iniciativas destas, aliás no seguimento dos trabalhos realizados pelo anterior Presidente português, Dr. Jorge Sampaio, como enviado especial das ONU para o diálogo
intercultural, ou as iniciativas de encontros
inter-religiosos patrocinados por Mário Soares.
Todos caminham no mesmo sentido, o que é de destacar.
Das 15 conclusões do Fórum, é de enaltecer "que a pessoa requer o respeito pela sua dignidade original e a sua vocação humana. Defende-se, por isso, uma legislação civil que assegure a igualdade de direitos e a plena cidadania de todos, e há o compromisso de assegurar que a dignidade humana e o respeito se estendam a uma igualdade de base entre homens e mulheres".
Noutra conclusão afirma-se que "católicos e muçulmanos estão chamados a ser instrumentos de amor e harmonia entre crentes e para a humanidade em geral, renunciando a qualquer tipo de opressão, violência agressiva e terrorismo, sobretudo quando se cometem em nome da religião".
Ora o que aqui se descreve em linhas gerais, qualquer crente ou não crente pode assinar por baixo, contudo, tanta clareza de objectivos, suscita-me algumas perplexidades.
Então não são estes mesmos dirigentes religioso que apadrinham o tratamento desumano das mulheres nos seus
países (quer por lapidação, por falta de direitos civis, etc., e mesmo nos católicos, pela
impossibilidade das mulheres ascenderem a cargos na hierarquia ?
Então não foi o Vaticano, que
imbuído por estas ideias sábias, defendeu aqui há tempo ser contra a descriminalização da homossexualidade ?
Pois é ! A letra não diz com a careta !
Mesmo o padre Anselmo Borges, que eu
muito admiro como cidadão, não consegue fugir, porque sacerdote católico, às contradições das
regras que lhe são (?) impostas.