sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Clube dos "Desassossegados" - contribuição VII



(Pintura de Júlio Pomar)

 

...E eu, que odeio a vida com timidez, temo a morte com fascinação. Tenho medo desse nada que pode ser outra coisa, e tenho medo dele simultaneamente como nada e outra coisa qualquer, como se nele se pudessem reunir o nulo e o horrível, como se no caixão me fechassem a respiração eterna de uma alma corpórea, como se ali triturassem de clausura o imortal. A ideia de inferno, que só uma alma satânica poderia ter inventado, parece-me derivar-se de uma confusão desta maneira - ser a mistura de dois medos diferentes, que se contradizem e malignam.

(Livro do Desassossego - Fase primitiva - Páginas de Diário -
Páginas sem data - Fernando Pessoa/Bernardo Soares)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A tontice não devia pagar imposto ?


E é a isto que está reduzida a drª. Maria Filomena Mónica.
O seu arigo no "I"- O Saneamento de Marcelo - é de uma tontice atroz.
Não acredita ?
Então aceda a:
http://www.ionline.pt/conteudo/41632-o-saneamento-marcelo
É que ao menos podia dar-se ao trabalho de comparar os números relativos ao comentadores contratados pelos diversos canais de televisão, generalistas e cabo, para verificar que nem o Governo nem a ERC, têm grande influência.
A grande maioria dos comentadores televisivos, aos quais se podem juntar também alguns jornalistas, tipo Mário Crespo, são adversos ao partido de governo e/ou ao primeiro ministro. A maior parte dos comentadores são do Centro ou do Centro Direita. Está provado !
Outra coisa diferente é a drª. Filomena Mónica ser "fan" incontrolada do dr. Marcelo. Eu também o ouço, mas diferentemente, também ouço os outros, sejam eles quais forem, não tenho palas a condicionar-me o horizonte.
Mas tem uma boa solução !
Se gosta tanto de o ouvir, convide-o para, ao domingo, comer um croissant acompanhado a vodka, e assim tem o comentador só para si.

«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»- Padre Manuel Morujão ( 2)












Aqui tem duas situações diferentes, sr. padre Morujão.
Acha que também desvalorizamos ?

«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»- Padre Manuel Morujão


«Fosse com referendo ou sem referendo, dá-me a impressão que há uma precipitação e que toda a ponderação de um assunto tão transcendente era necessária», afirmou Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, citado pela TSF.

Morujão defendeu que «não deve haver iniciativas legislativas para legalizar» o casamento homossexual, sublinhando no entanto que «não é contra as pessoas homossexuais», mas antes contra a equiparação do casamento a outro tipo de união.
«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos», reforçou.
(Notícia SOL-online)

Mais uma vez a CEP à semelhança do sumo pontífice da ICAR vem meter-se onde não é chamada.
O problema da legalização do casamento das pessoas do mesmo sexo é de natureza civil, pertence ao Estado.
Mas a frase acima diz tudo acerca do que pensa a CEP.
«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»
Quer dizer :
Se os homens são todos iguais , desvalorizamos todos ? A não ser que uns sejam mais iguais do que outros.
Nós sabemos que na ICAR é assim, mas a ICAR é uma monarquia teocrática e não uma democracia como a República Laica Portuguesa.
Se os homens e as mulheres são iguais em direitos, desvalorizamos o quê ?
Nós sabemos que na ICAR é assim, mas a ICAR é uma organização religiosa em que as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens.
E por aqui podíamos continuar uma mão cheia de argumentos que desacreditariam as já desacreditadas teorias expressas pela CEP e pelo seu guru máximo no Vaticano.
Estes  senhores continuam a pensar que podem, a seu belo prazer e utilizando todos os meios que lhes são postos à disposição, afrontar os poderes instituídos da República - Governo e AR - para o que ninguém lhes declarou legitimidade.
No ano da Comemoração do 1º. Centenãrio da Implantação da República Portuguesa talvez não seja mau lembrar à CEP e à ICAR que coisas existem que um Estado não pode aceitar - a interferência das organizações religiosas nos assuntos que apenas ao Estado dizem respeito. E têm bons motivos para acreditar nisso...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Linhas sem sentido




Eu tornei-me bom e fui desprezado.
Tornei-me mau; ódio recebi.
E se bom ou mau, nunca elogiado,
No bem ou no mal igual perda vi.

Então bom uma vez e mau noutra hora,
E assim consegui dois males juntar.
Daí que o tédio que em mim arde agora,
Nem o bem ou  mal  o  vem sossegar.

Alexander Search - Poesia -1908
Ed.Assírio & Alvim

Papa critica casamento homossexual



Para o homem, o caminho escolhido não pode ser determinado por caprichos ou vontades mas deve corresponder à estrutura determinada pelo Criador”, disse o Papa.

Bento XVI dirigiu nesta segunda-feira críticas ao casamento gay. O Papa chamou atenção para as leis que ignoram a diferença entre sexos, poucos dias depois de Portugal ter aprovado no Parlamento a união civil entre homossexuais.

Na sua tradicional mensagem de Janeiro, centrada maioritariamente em questões do ambiente, Bento XVI referiu ainda que “a liberdade não pode ser absoluta”. Apontando a “certos países da Europa e da América do Sul”, o Papa afirmou que “a legislação aprovada em nome da luta contra a discriminação ataca o fundamento biológico da diferença de sexos”.

(http://noticias.sapo.pt/especial/casamento_gay/)

Oh, Sr. Papa, não seria melhor olhar primeiro para os pedófilos que tem dentro da sua organização, que são criminosos de delito comum, e deixar em paz os homossexuais que querem viver em  Paz e num Estado de Direito, às claras, e sem necessidade de se esconderem nem beneficiarem de compadrios espúrios como é o caso de muitos altos dignitários da ICAR ?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Reabastecimento




Vamos ver o povo.
Que lindo é.
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está.


Mário Cesariny de Vasconcelos - Poesia (1944-1945)
A Poesia Civil -Nicolau Cansado Escritor - Ed. Delphos

José Sócrates impediu hoje o grupo parlamentar do PS de votar livremente os projectos do BE e do PEV sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo (DN on-line)

(Transcrição de um meu comentário a um poste sobre o mesmo assunto publicado no blogue "A Nossa Candeia")

Pois é, a política é a Arte do Possível, não é?
E com isso traz as suas contradições tanto de princípios como de táctica.
Se na óptica dos princípios nada mais aconselhava a total liberdade quanto ao problema da adopção, possibilidade que eu não descarto para não dizer que apoio, quanto à táctica, e se defendemos que o casamento já foi referendado pela concentração maioritária dos votos nas legislativas em partidos que o expressaram nos seus programas, também não podemos, sobre o risco de incoerência, deixar de querer dar o mesmo tratamento ao problema da adopção, assunto que foi propositadamente referido como não admissível, para já, pelo partido maioritário.
Daí o problema que, neste momento, nos confronta.
A solução total do problema está a li à mão de semear, com maiorias possíveis para o resolver, mas será que é compaginável com o assumido no programa maioritariamente sufragado?
O único problema que eu gostava de ver completamente resolvido, para não dar quaisquer veleidades ao inquilino de Belém, é o das possíveis inconstitucionalidades. Acerca disso , o ponto de vista de António Arnault, hoje, no DN, deverá ser tido como um aviso.
Não sou daqueles que prefere mudar os nomes para não incomodar ou considerar que o problema é fracturante. Por isso recuso liminarmente o projecto do PSD; é de uma hipocrisia atorz.
O que eu quero é que tenham cuidado para não sermos, depois, apodados de ingénuos ou incapazes de legislar de forma correcta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Do Orpheu 2


IV

Que pandeiretas o silêncio d'este quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças seensuaes no brilho fixo da luz...

De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do tecto, muito mais longe do que elle está,
Abrem mãos brancas janellas secretas
E ha ramos de violetas cahindo
De haver uma noite de primavera lá fóra
Sobre o eu estar de olhos fechados...

Orpheu 2 - Chuva oblíqua - Fernando Pessoa
Ed. Ática

Manel, se vais a jogo deixa-te de folclores

Declaração de interesses:
Nas últimas presidenciais não fui apoiante de Manuel Alegre. Ponto.
Declaração política:
Fui, o mais que pude, contra a eleição do actual Presidente da República. Ponto.
Mas isso é passado e o que interessa agora é o futuro.
Estamos no limiar de uma nova corrida a Belém.
Cavaco demorará o tempo suficiente, ou não fosse ele o homem dos "tabús", a apresentar a sua recandidatura até ter uma perspectiva do que poderá vir a suceder nas candidaturas à esquerda. Ainda estou convencido de que, se aparecer uma candidatura envolvente dos partidos e movimentos de esquerda, Cavaco não se recandidatará. Não vai querer passar por uma segunda humilhação, tal como a que sofreu frente a Sampaio.
Por isso, no que teremos de pensar, é quem é o candidato federador da toda a esquerda, se bem que, já se sabe, o PCP numa primeira volta apresentará, como sempre, um candidato próprio para reafirmar que está vivo e tem um projecto próprio e não desperdiçar o correspondente tempo de antena.
Assim, e porque o tempo já escasseia, é absolutamente fundamental que se apresentem os candidatos e/ou o candidato, o projecto é acima de tudo pessoal, ao novo acto eleitoral.
É escusado estar a fingir que não existe já um a auto-propor-se - Manuel Alegre -.
Se assim não fosse para que serviriam tantos jantares, tantos encontros, tanta intervenção nos média. Nem sequer acredito que o candidato (?)  não tenha já elementos suficientes para avaliar qual a perspectiva do eleitorado face a uma sua candidatura.
Deste modo o que se pede ?
Que se deixe de folclores e diga ao que vem. Manuel Alegre também sabe que gerou muitos anticorpos com as suas tomadas de posição política face ao PS e ao BE. Vai ter, também ele, de ultrapassar essas situações se pretende chegar-se à frente.
Tem de se apresentar com mais alguma coisa do que frases sonoras, que incitam o povo e congregam gentes, mas que são politicamente vazias, porque não apontam destinos concretos.
Deseja-se, contrariamente ao actual burocrata que habita em Belém, um presidente fundamentalmente político e que saiba fazer política. Deseja-se, contrariamente ao actual inquilino do Palácio Cor de Rosa, um presidente que seja um homem de cultura e que conheça a cultura do povo que vai representar. Mas não queremos demagogia, não queremos figura pela figura, não queremos que nos vendam um presidente como quem nos vende sabonetes (a frase não é minha) e  o populismo não nos merece consideração..
Concluindo:
Se Manuel Alegre, homem de esquerda, democrata, político reconhecido, detentor de altos galardões, poeta insigne, quer o meu voto, tem de merecê-lo.
Fico à espera...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Num banco de jardim


Num banco de jardim ao sol
de inverno entre pombas e crianças

Aí se via imóvel e esquecido
de todos que também tinha esquecido

Mas não havia banco nem jardim nem sol
nem pombas nem crianças


Mário Dionísio - Terceira idade - LXXVII -
Pub.Europa-América

domingo, 3 de janeiro de 2010

Irlanda: quem disser blasfémias arrisca multa até 25 mil euros



A "Lei da Difamação" entende a blasfémia como "uma expressão tremendamente abusiva ou insultuosa em relação a um assunto considerado sagrado por qualquer religião, causando indignação perante um número substancial de seguidores dessa religião.

(Notícia do  "i-on line")

Chegamos ao ridículo !
Não admira que o agnosticismo e o ateismo tenham cada vez mais seguidores. E ainda bem !
E vem, logo, esta notícia da Irlanda, um País em que os escândalos com o comportamento cívico dos elementos da igreja católica têm sido de acabrunhar o mais santo dos homens.
Quando as religiões necessitam de legislação civil para se imporem na sociedade algo está mal no reino das religiôes.
Chocante !

Dia cinzento



E o mar está ali, tão perto, cheio, à nossa frente,
e esta pedra invisível que nos amarra à terra
e nos impede de ir mais além
recorda-nos este modo de viver, imutável,
morrendo de insegurança, desfalecendo no atrevimento.

E permanecemos nesta insistência de,
mesmo encalhados,aguardar
que o temporal dos dias
nos destrua os restos da estrutura.

São as horas do nosso Outono.

E a angústia persiste !

E o mar ali tão perto e os olhos a rasgar o horizonte.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Um outro olhar sobre si mesmo



7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
       Pilar da ponte de tédio
       Que vai de mim para o Outro.

Mário de Sá-Carneiro - Poesias - Indícios de Ouro
Ed. Ática

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PR diz que não lhe compete intervir

no que é "domínio exclusivo do Governo"
(Notícia da SIC)

Tem piada, mas não fez outra coisa durante 3/4 da sua comunicação ao País.
E para mensagem de Esperança ...

Clube dos "Desassossegados" - contribuição VI



"Afinal deste dia fica o que  de ontem ficou e ficará de amanhã:
a ânsia insaciável e inúmera de ser sempre o mesmo e outro. "

(Livro do Desassossego - Confissões- Textos não datados)

A Hora da Poesia- Rádio Vizela

www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7w...