Todos os homens são livres e iguais em direitos; e todavia, alguns são livres para morrer à fome e iguais para morrer de frio. (António Soveral-1905)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Porque hoje é um dia especial
CARTA A MEUS FILHOS
Sobre os fuzilamentos de Goya
de Jorge de Sena
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos os erros
que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
Jorge de Sena - Antologia Poética . Ed. ASA - 1999
Sobre os fuzilamentos de Goya
de Jorge de Sena
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos os erros
que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
Jorge de Sena - Antologia Poética . Ed. ASA - 1999
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Código Contributivo: Presidente da República promulgou diploma do Parlamento que adia entrada em vigor
O PR passa a ser co-responsável, com a AR, pela incomportabilidade do deficit das contas públicas.
Mais uma para o arquivo !
Se isto se passasse quando era 1º. Ministro vinha gritar "Deixem-nos trabalhar !".
Como faz parte da Oposição ao Executivo esquece-se do que escreveu nas suas "Memórias"...
Viver é partilhar
Viver é partilhar odeio a solidão
A grilheta da morte quer-me reter ainda
Já não beijo ninguém como beijava dantes
O pão era sinal de ser feliz
O bom pão que nos torna mais quente o nosso beijo
Como abrigo possível só há o mundo inteiro
Pr'a mim viver é hoje responder aos enigmas
É renegar a dor que é cega de nascença
E sempre em pura perda estrela sem qualquer brilho
Viver perder-se para reencontrar os homens
Que a palidez do rio encubra a do arroio
Que olhos de maravilha vejam tudo em seu lugar
A miséria acabada e os olhos lavados
Uma ordem crescendo do grão à flor à árvore
Andaimes vivos a sustenter o mundo
A criança a renascer em cada homem e rindo.
Paul Éluard - Poemas Políticos
Badaró tinha piada, José Mourinho não tem nenhuma
Num "sketch" muito antigo do saudoso Badaró, havia um diálogo aluno/professor:
-Então, o que me diz da frase : A América para os americanos ?
Respondia o aluno:
-Bem, a América para os Americanos, a Ásia para os asianos, a Europa para os europlanos e a Espanha para os espanadores...
Badaró, um brasileiro completamente português, sabia a ironia que estava a fazer. A sua mensagem era anti-xenófoba.
O mesmo não se passa com o cidadão português José Mourinho, emigrante a trabalhar ma Europa, useiro e vezeiro na contratação de "craques" das mais diferentes nacionalidades, que numa entrevista deu o sinal mais descarado da sua xenofobia interesseira, ao afirmar que, se fosse seleccionador de Portugal, não convocaria naturalizados.
Talvez o sr. Mourinho gostasse que as organizações profissionais de treinadores dos países onde tem trabalhado ( Espanha, Inglaterra e Itália), também defendessem que nos seus campeonatos nacionais só tivessem cabimento treinadores nascidos nos respectivos estados. Mais ! Gostava de saber se o sr. Mourinho tinha a mesma reacção no que se refere a jogadores europeus que se naturalizassem portugueses ?
O sr. Mourinho esquece-se que existe legislação nacional, e também europeia, que protege os cidadãos naturalizados, por isso portugueses de pleno direito, dos ataques xenófobos de pessoas como ele.
O sr. Mourinho nunca será seleccionador nacional !
Neste país de emigrantes e de imigrantes existe respeito pelos direitos dos mesmos, naturalizados ou não.
O futebol pode ser um grande espectáculo e uma grande indústria, mas comparado com os Direitos Humanos, se se tiver de prescindir de um deles, prescinde-se do futebol.
Ouviu, sr. Mourinho ?
-Então, o que me diz da frase : A América para os americanos ?
Respondia o aluno:
-Bem, a América para os Americanos, a Ásia para os asianos, a Europa para os europlanos e a Espanha para os espanadores...
Badaró, um brasileiro completamente português, sabia a ironia que estava a fazer. A sua mensagem era anti-xenófoba.
O mesmo não se passa com o cidadão português José Mourinho, emigrante a trabalhar ma Europa, useiro e vezeiro na contratação de "craques" das mais diferentes nacionalidades, que numa entrevista deu o sinal mais descarado da sua xenofobia interesseira, ao afirmar que, se fosse seleccionador de Portugal, não convocaria naturalizados.
Talvez o sr. Mourinho gostasse que as organizações profissionais de treinadores dos países onde tem trabalhado ( Espanha, Inglaterra e Itália), também defendessem que nos seus campeonatos nacionais só tivessem cabimento treinadores nascidos nos respectivos estados. Mais ! Gostava de saber se o sr. Mourinho tinha a mesma reacção no que se refere a jogadores europeus que se naturalizassem portugueses ?
O sr. Mourinho esquece-se que existe legislação nacional, e também europeia, que protege os cidadãos naturalizados, por isso portugueses de pleno direito, dos ataques xenófobos de pessoas como ele.
O sr. Mourinho nunca será seleccionador nacional !
Neste país de emigrantes e de imigrantes existe respeito pelos direitos dos mesmos, naturalizados ou não.
O futebol pode ser um grande espectáculo e uma grande indústria, mas comparado com os Direitos Humanos, se se tiver de prescindir de um deles, prescinde-se do futebol.
Ouviu, sr. Mourinho ?
domingo, 27 de dezembro de 2009
Papa apela à defesa da família formada por um casamento entre um homem e uma mulher
"...o Sumo Pontífice lembrou que Deus veio ao mundo «no seio de uma família, sendo esta instituição o caminho mais seguro para encontrar e conhecer» Deus."
(Notícia do Sol on-line)
Interessante ! E logo numa família hetero em que o marido não era o pai do puto e que quiz rejeitar a mulher quando soube que ela estava grávida de "outro"...
Família perfeita e com um começo harmonioso...
(Notícia do Sol on-line)
Interessante ! E logo numa família hetero em que o marido não era o pai do puto e que quiz rejeitar a mulher quando soube que ela estava grávida de "outro"...
Família perfeita e com um começo harmonioso...
sábado, 26 de dezembro de 2009
Jornais televisivos das 20 horas
Extraordinário !
Notícia mais importante neste País para abertura dos jornais das 20 horas na RTP, SIC e TVI:
Miguel, jogador de futebol do Valência, esteve envolvido, esta madrugada, numa rixa à porta de uma discoteca no Seixal onde houve disparos de pistola.
É pá ! Eu já não sei se janto e duvido que vá dormir perante este problema nacional...
Por amor de deus ! Estão a brincar com a gente , não estão ?
Jornalismo ? Não !!! MISÉRIA !!!!
Notícia mais importante neste País para abertura dos jornais das 20 horas na RTP, SIC e TVI:
Miguel, jogador de futebol do Valência, esteve envolvido, esta madrugada, numa rixa à porta de uma discoteca no Seixal onde houve disparos de pistola.
É pá ! Eu já não sei se janto e duvido que vá dormir perante este problema nacional...
Por amor de deus ! Estão a brincar com a gente , não estão ?
Jornalismo ? Não !!! MISÉRIA !!!!
Agora que se procuram os restos mortais
A FREDERICO GARCIA LORCA
Sobre teu corpo, que há dez anos
se vem transfundindo em cravos
de rubra cor espanhola,
aqui estou para depositar
vergonha e lágrimas.
Vergonha de há tanto tempo
viveres - se a morte é vida -
sob chão onde esporas tinem
e calcam a mais fina grama
e o pensamento mais fino
de amor, de justiça e paz.
Lágrimas de nocturno orvalho,
não de mágoa desiludida,
légrimas que tão-só destilam
desejo e ânsia e certeza
de que o dia amanhecerá.
(Amanhecerá.)
Esse claro dia espanhol,
composto na treva de hoje
sobre teu túmulo há-de abrir-se,
mostrando gloriosamente
- ao canto multiplicado
de guitarra, gitano e galo -
que para sempre viverão
os poetas martirizados.
Carlos Drummond de Andrade - Antologia Poética - Cantar de Amigos - 1978
Sobre teu corpo, que há dez anos
se vem transfundindo em cravos
de rubra cor espanhola,
aqui estou para depositar
vergonha e lágrimas.
Vergonha de há tanto tempo
viveres - se a morte é vida -
sob chão onde esporas tinem
e calcam a mais fina grama
e o pensamento mais fino
de amor, de justiça e paz.
Lágrimas de nocturno orvalho,
não de mágoa desiludida,
légrimas que tão-só destilam
desejo e ânsia e certeza
de que o dia amanhecerá.
(Amanhecerá.)
Esse claro dia espanhol,
composto na treva de hoje
sobre teu túmulo há-de abrir-se,
mostrando gloriosamente
- ao canto multiplicado
de guitarra, gitano e galo -
que para sempre viverão
os poetas martirizados.
Carlos Drummond de Andrade - Antologia Poética - Cantar de Amigos - 1978
Afinal existem dois Pais Natal
E quando eu esperava a bononímia do Pai Natal da minha infância e que, malgrado a idade e a experiência, até hoje transportei
saiu-me este ao caminho, pelas palavras de responsáveis políticos e religiosos que, numa quadra em que se quer celebrada a Paz e a Concórdia, aparecerem com discursos de exclusão.
Fica, pois, esta imagem como o Pai Natal que representa o radicalismo, a intolerância e o fanatismo religioso apresentado nas alocuções de responsáveis da igreja católica portuguesa que não sabem viver nem conviver com a diferença nem com opiniões contrárias, assim como para mensagens como a da drª. Ferreira Leite, que vinda dos alçapões de séculos passados e cristalisado na primeira metade do sec.XX, ainda não conseguiu apreender que o Mundo mudou e com ele os conceitos de família. Claro que já nem falo no sacristão Cavaco Silva que, esquecendo-se que é presidente de um país laico, uma vez mais, continuou a distribuir a sua lenga-lenga religiosa pessoal, ao arrepio das suas funões.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Feliz Festa de Família
Um Bom Natal !
A todos, mesmo aqueles que de mim discordam.
O Natal quando vem é para todos. Não faço distinções.
Que sejam felizes em 2010
e me aturem o meu mau feitio.
São votos sinceros;
a razão de ser deste blogue está em todos Vós.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Das coisas que eu muito gosto
NÃO AO SOERGUER APENAS O MEU PEITO
Não ao soerguer apenas o meu peito,
Nem com suspiros, à noite, numa raiva de insatisfação comigo mesmo,
Nem com aqueles longos e mal reprimidos suspiros,
Nem com muitas juras e promessas quebradas,
Nem com a minha vontade de alma selvagem e obstinada,
Nem com o subtil alimento do ar,
Nem com este pulsar e bater nas minhas têmporas e pulsos,
Nem com estas curiosas sístoles e diástoles que um dia hão-de terminar,
Nem com tantos ávidos desejos confessados apenas aos céus,
Nem com gritos, risos, desafios lançados por mim quando estou só e longe do deserto,
Ñem com roucas palpitações por entre os dentes cerrados,
Nem com palavras pronunciadas e proclamadas, palavras estridentes, ecos, palavras mortas,
Nem com os murmúrios dos meus sonhos enquanto durmo,
Nem com os outros murmúrios destes incríveis sonhos de cada dia,
Nem com os membros e sentidos do meu corpo que vos trazem e afastam continuamente - nem aí,
Nem com um ou todos eles, ó atracção ! Ó pulso da minha vida !
Necessito que existas e te mostres mais do que nestas canções.
Walt Whitman - Folhas de Erva - Cálamo - Ed. Relógio d'Água, 2002
Face ao grau zero da política
Se o ódio a Sócrates cegasse a senhora não enxergava nem a figura de Cavaco...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Uma gota de chuva
Uma gota de chuva, que trespassa
Os telhados e os tectos, vai tombar
No meu escuro quarto, onde esvoaça
A sombra do silêncio... E fico a olhar
A chuva, triste e fria, na vidraça,
E a candeia de azeite, a desmaiar,
Ao vento, que abre as portas, quando passa,
E aviva a cinza extinta do meu lar !
E que impressão me faz aquela mágoa,
Aquele som de dor que exala a água,
Depois de andar em núvem fugitiva...
E de repente, sem saber porquê,
Condenada a cair, assim se vê,
Na forma de uma lágrima cativa.
Teixeira de Pascoais - As Sombras
Os telhados e os tectos, vai tombar
No meu escuro quarto, onde esvoaça
A sombra do silêncio... E fico a olhar
A chuva, triste e fria, na vidraça,
E a candeia de azeite, a desmaiar,
Ao vento, que abre as portas, quando passa,
E aviva a cinza extinta do meu lar !
E que impressão me faz aquela mágoa,
Aquele som de dor que exala a água,
Depois de andar em núvem fugitiva...
E de repente, sem saber porquê,
Condenada a cair, assim se vê,
Na forma de uma lágrima cativa.
Teixeira de Pascoais - As Sombras
domingo, 20 de dezembro de 2009
É Domingo, está um frio de rachar e preciso de me rir para aquecer os maxilares
e então dei com esta (falsa) notícia num blogue de estimação:
"Reformado que passa a vida na taberna a resmungar acusa Medina Carreira de plágio"
e posso dizer que fiquei quentinho ...
Aceda a :
http://www.imprensafalsa.com/?p=1193
sábado, 19 de dezembro de 2009
Esta minha mania de ler gente inteligente
Como sabem não sou crente.
Isso não invalida o facto de gostar de ler opiniões de quem, acreditando, apresenta argumentos, sobretudo válidos para quem os segue, mas fundamentalmente, e que, no reino da razão, despaixonados, podem ser factor de meditação.
Mais uma vez é o caso da coluna de opinião do padre-filósofo António Borges, hoje no DN.
Leia que vale a pena. Nem toda a gente na igreja é retrógrada.
Aceda a :
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1451384&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco
Isso não invalida o facto de gostar de ler opiniões de quem, acreditando, apresenta argumentos, sobretudo válidos para quem os segue, mas fundamentalmente, e que, no reino da razão, despaixonados, podem ser factor de meditação.
Mais uma vez é o caso da coluna de opinião do padre-filósofo António Borges, hoje no DN.
Leia que vale a pena. Nem toda a gente na igreja é retrógrada.
Aceda a :
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1451384&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco
Afinal ainda existem trogloditas...
(Notícia TSF on-line)
"Quem admite casamento "gay" pode aceitar uniões entre irmãos, diz deputado do PSD
O deputado do PSD Carlos Peixoto disse, esta sexta-feira, em declarações à Rádio Altitude, que quem admite um casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos."
"Quem admite casamento "gay" pode aceitar uniões entre irmãos, diz deputado do PSD
O deputado do PSD Carlos Peixoto disse, esta sexta-feira, em declarações à Rádio Altitude, que quem admite um casamento homossexual pode também vir a aceitar o casamento entre irmãos, primos directos ou pais e filhos."
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A Hora da Poesia- Rádio Vizela
www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7w...
-
" Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, e...
-
Eu sei que é o primeiro daquilo que se deseja uma nova série. Voltar ao blogue deveria significar recomeçar com um texto de alegria, talvez....
-
Hoje de manhã fiquei completamente descansado ao tomar conhecimento da notícia mais importante dos últimos dias e que me veio tirar de cima ...














