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Áqueles que não sabem o que é memoria...

E deixem-se de lérias !
O difícil foi isto ! Fazer cair o regime.
O resto são partes de um percurso democrático de ajustamentos sucessivos à realidade do dia a dia.
Quem não compreender isto não compreende o 25 de Abril de 1974.
Quem fez a Revolução foram homens e mulheres da direita e da esquerda democráticas, por isso a sua victória. Foi o aglutinar de esforços de TODOS os democratas que levou ao seu sucesso.
E isto é Democracia. O respeito por todos, mesmo por aqueles a que nos opomos. Os que assim não pensarem não são dignos da mais bela revolução que foi a nossa e que tanta influência teve na exclusão de muitos dos regimes totalitários no resto do mundo.
Mas, muitos portugueses até disto se esquecem. Mais uma vez fomos pioneiros e não o reconhecem, contra si próprios na verdade, mas o queixume, a pior virtude do Fado, continua a ser um desígnio nacional.
E, ao fim e ao cabo, são os velhos que têm de chamar a atenção . Porque viveram aquilo que combateram e sabem o preço da Liberdade.

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E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…