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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

E de novo, Yevgeny Vinokurov

Adão
(Adam)

Com uma expressão vaga olhando em volta,
Nesse primeiro dia pisou a relva
E deitou-se à sombra da figueira e, pondo
as mãos atrás da nuca, adormeceu.

E dormiu suavemente. E dormiu tranquilamente
Sob o silêncio do azul do Éden.
...Num sonho viu os fornos de Auschwitz
E cadáveres empilhados em fossas.

Foram os seus filhos que ele viu. E naquele bem-aventurança
Houve um sorriso brilhante no seu rosto.
Adormeceu sem compreender nada,
Ainda sem saber distinguir o bem do mal.

Yevgeny Vinokurov - Antologia da Poesia Soviética
Ed. Futura - 1973

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Yevgeny Vinokurov


Mundo

(Svet)

Eu não fiz um diário. Não acumulei factos.
Desprezei pormenores.
                                   Odiei detalhes.
O vasto mundo cegou-me.
Não vi nada à minha volta.
Mas os anos passaram. E quando, com os amigos,
Quero falar desses tempos distantes,
De nada sou capaz de me lembrar,
Nem de coisas banais, nem de detalhes.
Mas deve haver coisas sem importância ! Não há nada !
À minha frente só uma coisa, nada mais,
Só aquela luz branca que cega
os olhos, como uma lâmina que corta a dor.

Yevgeny Vinokurov - Antologia da Poesia Soviética
Ed. Futura - 1973

A Hora da Poesia- Rádio Vizela

www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7w...