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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Entramos em Dezembro

Republico o poema de António Feijó.
E agora com maioria de razões.

(A um pequenito vendedor de jornais)

Bairro elegante, - e que miséria !
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu ...

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais que não vendeu.

A noite é fria; e a geada cresta,
em cada casa sinais de festa !
E o pobrezinho não tem lar ...

Todas as portas já cerradas !
Ó almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar !

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
sobre os jornais que não vendeu .

Em plena rua, que miséria !
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu ...

Em torno dele - ó luz sagrada !
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exaltação,

Pensei se o frio descaroável
Do pequenino miserável
Teria mágoa e compaixão ...

Sonha talvez, pobre inocente !
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o presépio de Belém ...

Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orfãozinhos sem ninguém ...

E todo o céu se lhe apresenta
Numa grande árvore que ostenta
Coisas de um vivido esplendor,

Onde Jesus, o Deus menino,
Ao som de um cântico divino
Colhe as estrelas do Senhor ...

E o pequenino extasiado
Naquele sonho iluminado
De tantas coisas mortais,

- No céu azul, pobre criança !
Pensa talvez, cheio de esperança
Vender melhor jornais.

António Feijó

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Noite de Natal, de António Feijó


(A um pequenito vendedor de jornais)

Bairro elegante, - e que miséria !
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu ...

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
Sobre os jornais que não vendeu.

A noite é fria; e a geada cresta,
em cada casa sinais de festa !
E o pobrezinho não tem lar ...

Todas as portas já cerradas !
Ó almas puras, bem formadas,
Vede as estrelas a chorar !

Morto de frio e de cansaço,
As mãos no seio, erguido o braço
sobre os jornais que não vendeu .

Em plena rua, que miséria !
Roto e faminto, à luz sidéria,
O pequenito adormeceu ...

Em torno dele - ó luz sagrada !
Ao ver um círculo sem geada
Na sua morna exaltação,

Pensei se o frio descaroável
Do pequenino miserável
Teria mágoa e compaixão ...

Sonha talvez, pobre inocente !
Ao frio, à neve, ao luar mordente,
Com o presépio de Belém ...

Do céu azul, às horas mortas,
Nossa Senhora abriu-lhe as portas
E aos orfãozinhos sem ninguém ...

E todo o céu se lhe apresenta
Numa grande árvore que ostenta
Coisas de um vivido esplendor,

Onde Jesus, o Deus menino,
Ao som de um cântico divino
Colhe as estrelas do Senhor ...

E o pequenino extasiado
Naquele sonho iluminado
De tantas coisas mortais,

- No céu azul, pobre criança !
Pensa talvez, cheio de esperança
Vender melhor jornais.


Perguntar-me-ão o porquê deste post ?
A razão é extremamente simples.
O Natal é na minha família uma tradição de fortes raízes .
Para mim é, sobretudo, uma festa de família e para a família.
Não tenho com o Natal qualquer relação religiosa.
Mas, e porque nisto sou um tradicionalista, e cumpro a tradição familiar vinda da minha meninice, e, creiam, sempre a cumpri até hoje, faço as decorações em casa e preparo-a para os filhos, e agora para os netos, com o entusiasmo de sempre.
Nas minhas decorações de Natal aparece sempre, desde que dele tomei conhecimento, já há muitos anos, um livro - Cancioneiro do Natal Português - da autoria de Azinhal Nabeiro, edição de 1964, páginas 44/45. Nelas consta o poema que acima transcrevo, da autoria do poeta parnasiano António Feijó - 1859-1917.
No meu Natal penso sempre nos "pequenos vendedores de jornais" deste mundo; e ali está o livro em lugar em destaque para que todos o leiam e pensem.
Estamos a 24 dias, pensemos pois...

A Hora da Poesia- Rádio Vizela

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