segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Se um minarete incomoda muita gente...



57% dos suiços incomodam muito mais...

Clube dos "Desassossegados" - contribuição IV


Na data dos 74 anos da morte do poeta :

“Pertenço a uma geração que herdou a descrença na fé cristã e criou em si uma descrença em todas as outras fés. Os nossos pais tinham ainda o impulso credor, que transferiram do cristianismo para outras formas de ilusão. Uns eram entusiastas da igualdade social, outros eram namorados só da beleza, outros tinham a fé na ciência e nos seus proveitos, e havia outros que, mais cristãos ainda, iam buscar a Orientes e Ocidentes outras formas religiosas, com que entretivessem a consciência, sem elas oca, de meramente viver.
Tudo isso nós perdemos, de todas essas consolações nascemos órfãos. Cada civilização segue a linha íntima de uma religião que a representa; passar para outras religiões é perder essa, e por fim perdê-las a todas.
Nós perdemos essa, e às outras também.
Ficámos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrá-mo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas : navegar é preciso, viver não é preciso.
Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuído-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora. Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos própriamente vida. Não temos uma ideia de futuro, também não temos uma ideia de hoje, porque o hoje, para o homem de acção, não é senão um prólogo do futuro. A energia para lutar nasceu morta connosco, porque nós nascemos sem o entusiasmo da luta.
Uns de nós estagnaram na conquista alvar do quotidiano, reles e baixos buscando o pão de cada dia, e querendo obtê-lo sem o trabalho sentido, sem a consciência do esforço, sem a nobreza do conhecimento.
Outros, de melhor estirpe, abstivemo-nos da cousa pública, nada querendo e nada desejando, e tentando levar ao calvário do esquecimento a cruz de simplesmente existirmos. Impossível esforço, em que(m) não tem, como o portador da Cruz, uma origem divina na consciência.
Outros entregaram-se, atarefados por fora da alma, ao culto da confusão e do ruído, julgando viver quando se ouviam, crendo amar, quando chocavam contra as exterioridades do amor. Viver doía-nos, porque sabíamos que estávamos vivos; morrer não nos aterrava porque tínhamos perdido a noção normal da morte.
Mas outros, Raça do Fim, limite espiritual da Hora Morta, nem tiveram a coragem da negação e de asilo em si próprios. O que viveram foi em negação, em descontentamento e em desconsolo. Mas temo-lo de dentro, sem gestos, fechados sempre, pelo menos no género de vida, entre as quatro paredes do quarto e os quatro muros de não agir.

(Um dos textos considerados introdutórios do Diário de Fernando Pessoa-ele próprio para o Livro do Desassossego)

sábado, 28 de novembro de 2009

A máscara vai caindo


Com a recusa do actual PR em presidir à homenagem ao Coronel Melo Antunes, o Dr. Cavaco Silva fez cair de vez a sua máscara.
Na realidade,  o actual Presidente da República nada tem a a ver com todos os portugueses - ele é apenas presidente de alguns - assim como nada tem a ver com o 25 de Abril, nem tão pouco com o 25 de Novembro.
O actual PR, políticamente, apenas tem a ver com ele e com as suas teorias económicas .
A recusa em prestar homenagem ao militar mais influente no caminho para a Democracia da Revolução Portuguesa é um exemplo do afastamento do dr. Cavaco Silva do que cala mais fundo no desejo dos portugueses.
A recusa do actual PR em presidir a tal homenagem, se não for pelas razões apresentadas, apenas pode ser justificado por uma profunda ignorância da história recente do País.
Mas isso talvez não seja novidade...a cultura não é o seu forte.
Da mesma maneira como deu pensões estatais a ex-Pides e promoveu a general um operacional do 25 de Novembro em detrimento de outros com maiores méritos para ascender ao posto, com esta ofensa ao espírito da própria Revolução, o Senhor Presidente da Républica só vem dar razão a Pacheco Pereira quando este afirmou, às Selecções do Readers Digest, que o  ciclo do 25 de Abril tinha chegado ao fim com a eleição de Cavaco Silva.
Manifestamente, o actual PR não é o meu Presidente, aliás nunca o foi, e só desejo que o mais rápidamente possível abandone as funções.
Como português que viu em Abril a redenção da Pátria, este senhor causa-me repulsa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Co-gestão

Quem ler ou ouvir os comunicados das associações sindicais da Justiça - Juizes e Magistrados do Ministério Público - pensará certamente que o País entrou em co-gestão.
Amanhã os Sindicatos dos Bancários farão perguntas, pedirão justificações de como a Caixa Geral dos Depósitos é gerida e os conceitos na concessão de crédito; os Sinicatos da Tap perguntarão e interferirão na gestão económica e financeira, para já não falar na logística e nas rotas da transportadora; os Sindicatos da CP inquirirão sobre a gestão e os contratos de compra de novas locomotivas e carruagens, etc.
Será que não estamos a cair no ridículo ?
O problema da gestão, co-gestão e auto-gestão ficou resolvido há 30 anos. Teve a ver com a definição do carácter económico e político do regime.
No entanto, parece que exitem uns senhores doutores que não se sabe bem porquê (?) estão a querer levantar de novo o problema.

Arcebispos da Irlanda esconderam durante décadas abusos sexuais

"O cardeal Desmond Connell e mais três arcebispos irlandeses são acusados num relatório de 700 páginas de encobrir durante décadas o abuso sexual de crianças por sacerdotes de Dublin."
(Notícia do Público online, de hoje)

Ora não estará aqui um bom tema para o senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, se preocupar em vez de andar a discursar sobre um assunto civil que, enquanto sacerdote, lhe não diz respeito como é o caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Como é que uma organização como a igreja, envolvida permanentemente em escândalos, mormente os sexuais, não tem vergonha de andar a querer condicionar os outros quando não tem capacidade de olhar para dentro da sua própria casa.
Caem as máscaras vêem-se os homens.

"à cause de..."



Sempre que ressuscito
acompanham-me homens verdes
tocando trompas de açucar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cavaco escondido com Lima de fora

Passados que foram os meses em que a Presidência da República esteve envolvida na célebre história das escutas no Palácio de Belém, na sequência das quais, por ter sido descoberta a marosca em que estava envolvido o assessor Fernando Lima e o Jornal  "Público", conforme foi noticiado pelos meios da Comunicação Social, e nunca efectivamente desmentido, eis que o PR resolve promover o mesmo Fernando Lima no organigrama da sua Casa Civil.
Nunca foi completamente esclarecido o assunto das escutas (?); na altura o PR retirou o seu assessor para a Comunicação Social da circulção mas não o demitiu, esperando que o assunto caísse no esquecimento. Mas as pessoas não esquecem, para mais quando, com outra situação de escutas, e essas efectivas, se põe em causa um político, chefe do Governo,  a quem se exigem, por parte do partido que apoiou a eleição do mesmo PR, mas não só, explicações políticas dos seus actos.
Dois pesos e duas medidas, para já não falar nas explicações que publicamenbte deviam ser exigidas ao PR sobre os seus investimentos no BPN, até hoje mal explicadas, e que por muita gente têm sido pedidas. Mas ao outro político exige-se tudo e não se espera. Mesmo com processos arquivados.
Cavaco esperou que a poeira assentasse mas esqueceu-se que existem ventos que sopram quando menos se espera...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Em jeito de resposta a uma Amiga


Nasce a saudade no abrir dos braços
e a ave da angústia que esvoaça no vazio
faz o ninho no meio do peito.

A tua ausência é uma planta de cacto.
Perene,
trespassa-me em tropismos que dilaceram.

Visita à "Casa das Histórias" de Paula Rego


(A mulher cão)

Uma belíssima visita, muito bem dirigida por pessoal do "museu", em que cada um começou a compreender (?) o mundo e a simbologia dos quadros da pintora.
Uma manhã ou tarde que vale, extraordinariamente, a pena. Hora e meia/duas horas de conflito conosco próprios.

Luta pela sucessão de Manuela Ferreira Leite ficou à porta

Tudo o que diga respeito a polítca, na vida de Ferreira Leite, fica à porta.
A senhora nunca descobriu como se entra em tal "edifício".
Na realidade, a senhora está sempre de saída...mesmo de um edifício de que não conhece a entrada...
Pelos vistos, a sucessão sofre do mesmo anátema.
Num partido à deriva só um rato doido aceita ficar navio...

Bispo do Porto diz que casamento entre homossexuais exige "reflexão"

Estou perfeitamente de acordo.
Os homossexuais, como os heterossexuais, devem reflectir antes do casamento.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Em memória do meu amigo Guillaume

Elegia

A ténue recordação de tantos rumos
ao olhar este mar
o último dos muitos navegados
deambulando entre o desespero e a esperança.

Por que vagas se ficaram as ilusões
de novas enseadas e novos cais ?
Por que terras nunca aportadas
vaguearam os sonhos deste marinheiro ?

Esburgo o que resta de tanta viagem :
meia dúzia de mãos abertas
algum porto de aconchego e pouco mais.

(Olho do alto da gávea...)

Não acredito que exista algum abrigo
para além desta água.
O derradeiro dos mares sorve-me
e acompanha-me num préstito
de que desconheço a duração.

Aqui ou pouco além tudo acaba,
as imagens desvanecem-se, nada mais é urgente.
Estas águas, como o tempo, apenas vogam
ao sabor de um intento inexorável que as dissipam.

domingo, 22 de novembro de 2009

A propósito

Fugaz.

Como a memória das pedras
a palavra
retine no seu amargor
a angústia das mãos sem dedos
das caras sem olhos
nas mentes sem mente.

Como a memória das pedras
a palavra
no seu esplendor
lança nos degelos sucessivos
o eco dos silvos notáveis
a recordação das melhores mãos
que construiram o glaciar.

Ferreira Fernandes e os estucadores

Felizmente ainda existem Jornalistas que têm vergonha de certo jornalismo que se faz Portugal. O se praticar, também, noutros paises não me resolve o problema, pelo contrário, mais me assusta.
Mas, Ferreira Fernandes, pega os ditos pelos ditos e denuncia-os.
É isso que nos é transmitido no artigo no DN de hoje.
Ainda existem Jornalistas com coragem de olhar nos olhos os que a não têm.

Para ler o artigo na totalidade aceda a :
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1427303&seccao=Ferreira Fernandes&tag=Opini%E3o - Em Foco

Blogueiros unidos em prol de um Mundo melhor


A boa vontade de Manuela Araújo do "Sustentabilidade é acção" atribuiu a este blogue o selo acima.
Continuar a luta por um Mundo melhor é o lema, pois continuemos sem olhar para trás.
Agradecemos a distinção e esperamos merecê-la no futuro.
E porque a grande maioria daqueles que eu poderia nomear já o foram pelo blog que me indicou, apenas atribuo este selo a :

-Terra dos Espantos
-Crónicas do Rochedo
-Cogir
-Armazém de pedacinhos
-A Nossa Candeia
-AyyapaEpress

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Acompanhando Carlos de Oliveira




SOBRE O LADO ESQUERDO

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma : partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa : "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração".

(Carlos de Oliveira - Trabalho Poético -II volume - Sá da Costa)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Qual Face Oculta qual quê...


Afinal, somos uns anjinhos !
Ora, leiam :

(Transcrito do The London Times)


No exterior do England 's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um muito simpático cobrador.
As taxas eram o correspondente a 1.40 € para carros e 7.00 € para os autocarros.
Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o cobrador simplesmente não apareceu.
A administração do Zoo, então, ligou para a Câmara Municipal e solicitou que enviassem um outro cobrador. A Câmara fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zoo era da responsabilidade do próprio Zoo, não dela. A administração do Zoo respondeu que o cobrador era um empregado da Câmara. A Câmara, por sua vez, respondeu que o cobrador do estacionamento jamais fizera parte dos seus quadros e que nunca lhe tinha pago ordenado.
Enquanto isso, descansando na sua bela residência nalgum lugar da costa da Espanha (ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todos os dias, cobrando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em 560 € por dia... durante 25 anos!!! Assumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de 7 milhões de Euros.
E ninguém sabe, nem sequer, seu nome ...!!!

Aprendam...!

Proposta de reforço dos poderes presidenciais

O PSD vem propor, agora, nunca o tendo feito anteriormente, nem quando era governo ou tinha maioria na AR, que o PR nomeie os responsáveis das Reguladoras. Amanhã, certamente, pedirá que o faça para ouras situações. É uma tentativa, já denunciada, de aumento dos poderes presidenciais, inclusivamente de revisão da Constituição, já tentado aquando da eleição de Cavaco Silva para a Presidência da República - que ao PR sejam dados poderes de intervenção governativa.
Já não pensando no que isso tinha de inconstitucional, face ao legislado até ao momento, é uma tentativa, mais uma no sentido do pendor presidencialista, que a Direita portuguesa tenta fazer passar.
Mas uma coisa é o que tentam e outra coisa é o que é.
Se o PR, na Constituição Portuguesa, é o árbitro do regime, não é suposto que seja o responsável pela governação. Não se pode ser árbitro pertencendo a um dos contendores.
O que a Direita pretende é a menorização dos poderes do Governo, fundamentalmente  quando o governo lhe é adverso. Nunca o suscitou quando governou. Podemos até  descobrir, em declarações antigas, posições do actual PR que menorizava os poderes de intervenção do então Presidente face aos poderes do Governo então em funções e por ele dirigido.
O cerne do poder Legislativo está na AR e no Governo, cada um com a sua legitimidade democrática, tal qual a do PR.
 Este desejo da Direita portuguesa mais não é de que um pretexto para uma revisão constitucional que se avizinha, em que é necessário ir marcando terreno, e toda e qualquer pequena transformação, mesmo que encapotada, possa, amanhã, vir a ser um válido contributo.
Gato escondido com o rabo de fora... é verdade.
Nada disto é construtivo; tudo isto é previsto e conducente a um fim que desejam.
Mais uma vez um logro disfarçado de bom procedimento.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ainda sobre a Fome


No espaço de três segundos
morrem de fome duas crianças.

Desfalecem silenciosamente;
já nem forças para sofrer
e morrem lentamente.

E eu sei
e sinto uma profunda vergonha
e não consigo dormir
mesmo de olhos fechados.

A nova igreja do Restelo



Não vou entrar na polémica já estabelecida quanto à beleza arquitectónica do edifício.
Há quem lhe chame "mamarracho", há quem ache interessante, futurista, avançado ou até sem dignidade para um templo.
Não discuto isso, embora possa afirmar que não me choca e o que deve interessar aos crentes é o que se passará no seu interior.
O que pergunto é qual a necessidade de um novo templo católico em Lisboa, numa época de recessão de actividade religiosa e de cada vez maior afastamento das populações .
O que  pergunto é o porquê de uma comparticipação de cerca de 25% do milhão de euros já reunido por parte de uma Câmara Municipal de Lisboa a braços com enormes dificuldades financeiras, tendo cedido igualmente o terreno, após permutas; decisões, aliás, tomadas no tempo da presidência de Santana Lopes.

O que me faz confusão é esta  vontade de construir novos templos em Lisboa, já que também está considerada a edificação de uma nova catedral na zona da Expo, para já não falar na prevista basílica de Santo António no Alto do Parque Eduardo VII.
Se a igreja católica deseja novos edifícios para o culto nada tenho contra, mas que os pague sozinha, já que são para sua utilização exclusiva.
E como cidadão de Lisboa, e não crente, porquê o estar a contribuir com os meus impostos para a realização de uma obra na qual não encontro o mínimo de utilidade pública, aquela, a necessária, que é a de providenciar a melhoria da vida (efectiva) dos  munícipes mais desfavorecidos.
Tem piada que aqui, e fundamentalmente os bispos e demais apaniguados, não pedem que seja feito um referendo na autarquia para que o povo de Lisboa se pronuncie sobre a necessidade do(s) projecto(s). Nisso não querem falar e consideram, certamente, que a decisão administrativa da Câmara chega para que o assunto avance.
É pena que não tenham a mesma posição quando se fala da Assembleia da República.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"O casamento nada tem a ver com os afectos"

Perante esta frase, ontem lançada no Prós e Contras, lembrei-me dos três versos finais de um soneto de Pablo Neruda

"Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
   nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
   são eternos como é a natureza."

(Pablo Neruda- Antologia Breve-Cem sonetos de Amor-XLVIII)

Prós e Contras - Referendo ao casamento gay

Mais bem preparados, melhor concentrados na discussão e, sobretudo, acreditando fortemente no que defendem, os "Contra-o-referendo" fizeram passar a sua mensagem de forma clara e venceram o debate.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Relembrando - António Botto


                    Soneto

Homem que vens de humanas desventuras,
Que te prendes à vida e te enamoras,
Que tudo sabes e tudo ignoras,
Vencido herói de todas as loucuras;

Que te debruças pálido nas horas
Das tuas infinitas amarguras -
E na ambição das coisas mais impuras
És grande simplesmente quando choras;

Que prometes cumprir e te esqueces,
Que te dás à virtude e ao pecado,
Que te exaltas e cantas e aborreces,

Arquitecto do sonho e da ilusão,
Ridículo fantoche articulado
- Eu sou teu camarada e teu irmão.

António Botto - Sonetos XIV

Idem



Do que eu começo a estar farto...


PS acusa MP de falta de eficácia na investigação da violação do segredo de Justiça

(Notícia da TSF on-kine, de hoje)

Será a "face oculta" do Ministério Público ?

domingo, 15 de novembro de 2009

E perante isto

4º. Após cuidada análise das certidões, o Procurador-Geral da República, em 23 de Julho de 2009, não obstante considerar que não existiam indícios probatórios que levassem à instauração de procedimento criminal, remeteu ao Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça as certidões em causa, suscitando a questão da validade dos actos processuais relativos à intercepção, gravação e transcrição das referidas seis conversações/comunicações em causa;

o que é que se continua a discutir ?

(Transcrição do 4º. parágrafo do comunicado da PGR)

Constatação

Depois das últimas notícias sobre as escutas no processo do sucateiro, constata-se:
Na realidade, a justiça portuguesa está na sucata...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Goodbye, Freeport !


A justiça inglesa mandou arquivar o processo relativo ao caso Freeport que corria em Londres.
Não existem suficientes provas para levar a julgamento os diversos arguidos no processo.
Pergunta-se, agora, o que dirão os tantos jornalistas portugueses que nestes últimos anos demandaram a capital inglesa à procura de provas incriminatórias do primeiro ministro português ?
Para já, José Sócrates, que era mencionado como principal visado aos olhos da justiça inglesa, fica ilibado .
Mas mais comprometedor, ainda,  é o facto de o processo inglês ter sido iniciado em 2007 e já estar encerrado.
Claro, que o arquivamento deste processo não tem qualquer influência no processo português que, iniciado, creio que em 2004, ainda vai durar muito como é habitual .

Re-leitura pertinente

                     

                      "Não me falem de fé !

                        Eu não preciso de fé !

                        Basta-me morrer de frente
                         - nesta camaradagem
                        com todos os mortos de mãos dadas
                        que desde o princípio do mundo
                        não quiseram morrer inutilmente.

                         Fé ? Fé ?
                         Eu não preciso de fé !

                         Basta-me morrer de pé
                         num desdém de sol nascente."

                         José Gomes Ferreira
                          Poesia I - Heróicas - XXI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A segunda frase do dia

"Lavoisier e as escutas

Na Justiça portuguesa nada se prova, mas também nada se perde, pois o PSD tudo transforma em miserável chicana política."

Com os agradecimentos ao "Aspirina B"
http://aspirinab.com/valupi/lavoisier-e-as-escutas/

A frase do dia

"Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

Segundo o DN on-line de hoje:
Para o coordenador nacional do Rumos Novos, José Leote, "o casamento não é um dogma da Igreja. O matrimónio sim". Sustenta: " O que os homossexuais católicos defendem é a possibilidade de casar, deixando ao magistério a possibilidade de abençoar ou não esse união". José Leote recorda, até, as palavras que um sacerdote lhe transmitiu recentemente: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

É de subscrever, não é ?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ferreira Leite tem dúvidas políticas


acerca da questão das escutas de Vara/Sócrates.
Deve ser recordação dos contactos telefónicos que a senhora tinha com António Preto ou com a Helena Lopes da Costa que, apesar de acusados pela Justiça e um deles já a ser julgado, a presidente do PSD manteve nas listas de deputados à AR, tendo o primeiro sido eleito.
É interessante não ter tido dúvidas políticas com esses elementos.

Mensagem

Chega
   as mãos
      ao corpo.


          Comprime-as
      com força
            contra o peito
 e sente
         que respiras.


Sente
            que RESPIRAS


                  que ainda não estás
                 morto como julgas
               nem abandonado
         como pensas.

Clube dos "Desassossegados" - contribuição (III)







Absurdo

"Tornarmo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios. O absurdo é (o) divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam -, talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros/ para/ não os ler; ir a concertos nem ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."

Fernando Pessoa/Bernardo Soares
Livro do Desassossego /Textos de ficção poética e reflexão
-Expressamente incluídos em planos conhecidos do Autor - 1912/1913

Face Oculta

Assaltou-me uma pergunta :
Será que também o "Face Oculta" tem uma face oculta ?

Homossexuais católicos estão contra referendo

É a confusão nas hostes da crença.
Uns querem outros não e deve haver quem nem ligue ao assunto.
Na própria organização eclesiástica existem divergências.
Quando é que resolvem, de vez, deixar de misturar a discussão das leis do Estado com conceitos de ordem religiosa.
É que por uma questão até de respeito para consigo próprios não deviam proporcionar publicamente tal espectáculo.

Para conhecer esta última posição, aceda a
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1417171

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Proclamação - Ruy de Cinatti

Nestes dias em que tanta e tão douta gente tem falado e opinado sobre a relação e a convivência humana reli um pequeno poema de "O Livro do Nómada Meu Amigo" de Ruy de Cinatti que não quero deixar de vos transcrever.

  PROCLAMAÇÃO


  A natureza não desce
      A contratos. Nem a vida
Se mede pela razão.


    A vida é toda mistério.


      Quem largamente se deu
  Não ofendeu a justiça
   Mas viveu do coração.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um dia feliz

Sob este título escreve Daniel de Oliveira um post que não pode deixar de ser lido.
Um comunista pode defender a Liberdade como a idealizamos ? Pode e deve !

Para o ler aceda a :
 http://arrastao.org/sem-categoria/um-dia-feliz/

Conselho virtuoso




 Sê paciente; espera
          que a palavra amadureça
                  e se desprenda como um fruto
                     ao passar o vento que a mereça.


  Eugénio de Andrade
                   em os “Amantes sem dinheiro”

O "Muro" caiu há 20 anos


Foi demasiado importante para que pudessemos esquecer a efeméride. Mas não nos iludamos. Ainda existem muitos muros físicos para derrubar em todo o Mundo, creio que são 12,  assim como existem muitos outros "muros",sem pedra, ferro e argamassa, feitos de conceitos e procedimentos que nos aviltam a existência; e derrubá-los vai ser muito mais difícil .

Flecte, flecte, insiste, insiste...

"Bispos portugueses podem pedir referendo sobre casamento homossexual"
(Notícia de hoje da TSF online)

Esta gentinha não pára.
Não existe qualquer razão objectiva para tal referendo, como aliás já foi afirmado por alguns indefectíveis católicos.
Esta legislação civil cabe por inteiro na responsabilidade da AR.
Mas, já agora, considerando que poderia considerar a hipótese de referendo, que não aceito, porque não, então, referendar também a inimaginável Concordata, porque contrária à laicidade do Estado Português e promotora da primazia dada à igreja católica  face às demais crenças, assim como as disposições do Direito Canónico, mormente o casamento dos sacerdotes, a impossibilidade de ordenação das mulheres, a indissolubilidade do casamento religioso, etc. ?
Se se querem meter na vida e na  legislação civil têm de aceitar, também,  que a sociedade civil se possa imiscuir na vida e na  legislação que gere a própria igreja.
Mas por aqui podemos estar descansados. Eles não vão aceitar.
É uma questão de poder, e de obscurantismo necessário à sua sobrevivência, que a igreja não vai querer submeter à opinião pública .

domingo, 8 de novembro de 2009

Homossexualidade e casamento

Escreveu, no DN de ontem, o padre e filósofo Anselmo Borges um novo artigo cujo título corresponde ao título deste post.
Começa por fazer uma resenha das posições que ao longo dos tempos foram sendo transmitidas aos crentes; desde o Levítico, aos relatos sobre Sodoma e Gomorra e o incidente em casa de Lot, seguindo-se as posições de S. Tomás de Aquino, S. Paulo e do Catecismo da Igreja Católica, assim como uma posição tomada pelo Dalai Lama em 2001 e uma menção aos debates que têm vindo a suceder no seio da igreja Anglicana e que levou recentemente à cisão pelo movimento mais tradicionalista.
Mas o padre Anselmo Borges não se fica por aqui, o que seria extremamente fácil. Sai da esfera do religioso a acerca-se da parte civil e refere a posição de 1993 da Organização Mundial de saúde que excluí a homossexualidade da lista de doenças mentais. Menciona, igualmente, o apelo lançado por 66 países para que fosse universalmente despenalizada a homossexualidade. De notar que o Vaticano apoiou este apelo.
Afirma depois o articulista, e é esta independência que me faz não perder um artigo deste teólogo e professor universitário, que não existem razões para vedar o sacramento da comunhão a quem tem esta orientação sexual, após o que discorre sobre o casamento em si mesmo.
Anselmo Borges considera, e bem, que o Estado devia providenciar uma forma de união com consequências jurídicas semelhantes à dos casados heterossexuais. E então é que levanta aquilo que parece ser o fulcro da situação:
“...a questão reside em saber se há-de chamar-se casamento. O problema é mais do que religioso e as palavras não são indiferentes, pois não pode dar-se o mesmo nome ao que é diferente.”
Socorre-se para tanto das palavras do ateu Bertrand Russell sobre o casamento:
“...o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra : é uma instituição que, através do facto dela provirem filhos, forma parte da textura íntima da sociedade, e tem uma importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher...”
E conclui :
“Assim, o que a sociedade tem de resolver é se considera o casamento essa instituição ou uma mera contratualização de afectos.”
Pois bem. Mais uma vez saúdo o saber e a inteligência do padre Anselmo Borges para além do facto, não mencionado por Russell, dos casais hetero que não querem ou não podem ter filhos; não deixam de ser casamentos e não se baseiam só no prazer. No entanto, parece-me que o fundamental para que o assunto seja resolvido, é um problema de sinonímia ou de semântica, considerando neste último caso a evolução do significado da palavra.
O problema já não é entre casamento religioso ou civil.
O problema já não é o sexo dos nubentes.
O problema reside no que se lhe deve chamar.
Casamento, e para ir buscar o dicionário mais antigo que possuo, é a “União legal entre homem e mulher”, sendo casamento civil: o que se contrai perante as autoridades administrativas, com as formalidades legais.
Só à guisa de piada, no mesmo dicionário casamento também é sinónimo de “Boa harmonia”.
Pois é, mas isto são sinónimos baseados no tempo e na lei vigente à data da edição do dicionário, não sendo, contudo, muito diferentes dos actuais..
Mas o nosso tempo é outro, e as leis estão em permanente mutação.
Se vier a existir uma lei que diga que uma união administrativa contraída perante as autoridades, com as formalidades legais, pode ser estendida a pessoas do mesmo sexo, os dicionários de amanhã, certamente, farão cair a especificação de obrigatoriedade de serem de sexo diferente.
Daí o poder legalmente chamar-se casamento, sem peias nem artifícios, que parece ser o que se quer neste momento.
E voltando à “boa harmonia” essa consegue-se sempre que as pessoas dela possam desfrutar, seja o casamento “civil”, “canónico”, “de consciência” ou “de mão esquerda”.

Para consulta integral do artigo aceda a :
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1413190&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Clube dos "Desassossegados" - contribuição - II


Do “Livro do Desassossego

Fase primitiva constituída por textos de Fernando Pessoa, ele próprio, ainda não atribuídos a Bernardo Soares.

18.07.1916

“Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou no cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, fazêmo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de encontrar conclusões, ou pela necessidade absurda (?) de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos duma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.”

A propósito das últimas posições da igreja católica

Desde quando uma organização teocrática dirigida e governada por alguém que tem o estatuto de infalível faz apelos à utilização de meios de consulta democrática ?
E  que bons exemplos semelhantes temos também , actualmente e desde há muito, noutra crença, no Irão ?
Como diz o povo:
"Faz o que eu digo não faças o que eu faço..."

Deambulações Oblíquas



Creio que todos temos poetas de referência.
Um dos que me acompanha desde há muito e por quem nutro grande estima é António Ramos Rosa.
Num dos seus últimos livros que li,  que me tem acompanhado, e não cesso de voltar a reviver as palavras
é o "Deambulações oblíquas", editado pela Quetzal em  2001.
Tem linhas como estas, e isto só para dar um cheirinho:

 "Morremos por estarmos a mais
e estar a mais é ir morrendo cada dia..."

ou

"Assim o poema é um peixe que nada em diversos níveis numa corrente
e às vezes desce ao fundo para repousar entre as pedras."

e tenho a certeza que sou acompanhado por muita gente nesta preferência.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um pouco de mim em 5 revelações



Desafiou-me o Henrique Antunes Ferreira, do " A minha Travessa do Ferreira ",a dar seguimento a esta "cadeia" em que cada um fala um pouco de si ou das suas experiências. O Humor ou a ausência dele são opção de cada autor.. Diz ele,  no seguimento do pedido que deixou , que aqui vai o texto com as regras.


1- Seguir as regras.
2- Levar o selo que identifica quem está, esteve ou estará na brincadeira. Colocar o selo no início da mensagem.
3- Completar as seguintes frases:

Eu já tive ...alturas em que considerei que era impossível viver neste Mundo.
Recordo-me perfeitamente dos tempos, ainda nos da outra senhora, em que olhavamos para as democracias lá fora como o máximo a que podiamos e devíamos aspirar. Era o Eden da nossa vida política. O poder votar livremente, o poder falar para o lado sem olhar primeiro por sobre as cabeças, tentando descobrir aqueles que andavem sempre de cabeça baixa mas olhavam a nossa boca e os nossos olhos.
Também tive alturas em que pensei que o caminho deste país era aquilo que tinha sonhado, uma sociedade linda, sem pressões, sem especulações, sem confusões.
Mas tive de aprender.
Bolas, eu tinha nascido na ditadura, não podia saber tudo. Ainda por cima nunca tinha saído do rectângulo, nem para a tropa, da qual tinha ficado livre por obra de maleitas da minha meninice.
Portanto, experiência só aquela que nos era trazida por alguns livros que nos iam chegando e, nas demais das vezes, vendidos já embrulhados e tirados à socapa de baixo do balcão.
Dos livros e dos contactos mascarados de grupos de poesia, grupos cénicos, clubes de cinema, tertulias de estudantes, encontros aqui e ali.
Foi um tempo dos diabos que ainda recordo mas do qual não sinto nostalgia, porque estava "preso"; eu e os outros todos que habitavam neste país. As nossas grades, que para muitos eram reais e com tortura, para nós, os cá de fora, eram só de tortura, não fisica, mas da outra que também marca gerações. A tortura da impossibilidade de ser.

Eu nunca...disse que era do Benfica !
T'arrenego, Satanás !
Eu, “Lagarto”, embora não empedrenido - quem o ganha não sou eu e convenhamos que ganham demais - se há coisa que me afecta, e resido na freguesia de Benfica, é passar junto à tubagem da unidade de transformação de lixos que existe na segunda circular de Lisboa, ali à esquerda, pouco antes de se chegar à entrada da IC19., ao pé do Fonte Nova .
E não sou fundamentalista, vejam lá se fosse...

Eu sei...que gostava de continuar a sentir-me útil, agora que passei à classe da utilidade mínima, isto é, já estou reformado e tenho netos.
Por isso mantenho um certo número de actividades que pelo menos me distanciem daquele amigo estrangeiro, o “Hall Zeimmer”, que tantas amizades pretende fazer na chamada terceira idade.
Por isso descobri, aqui na minha área.,aquilo a que chamo um "Centro-de-Dia-em-que-se-aprende-qualquer-coisa-e-nos-mantem-ocupados-umas-horas-diárias", aparte o gosto de continuar a gostar de navegar na net, e com um blog, promover a boa relação entre as pessoas e as ideias.

Eu quero... tendo recebido hoje, que amanhã ainda me reste o suficiente para poder viver até ao fim do mês.
É um problema antigo dos portugueses. Sobra sempre mais mês no fim do dinheiro. E agora não há patrão para meter um vale. Agora não vale de nada...

Eu sonho... que amanhã acordo e já nasceu o meu quinto neto. Ou melhor, neta. Já sabemos que é neta.
Longe vão os tempos em que, enquanto a mãe berrava com dores, o progenitor, contava os quadrados, normalmente pretos e brancos, que atapetavam o chão das salas de espera, ou entre portas, das clínicas especialisadas em nascimentos. Nessa altura, amigos, também a gente sofria.
Não havia ecografias digitalizadas, nem análises especiais. Era esperar, e esperar e esperar, e aguardar pelo desfecho que desejávamos, sempre, ser o melhor possível.
Era uma grande aventura o ser mãe, mas não menor, o ser pai.
E, agora, posso dizer, ser avô também encanita.
Afora isso, sonho, também, e a vida volta sempre ao princípio, que a minha neta que vai nascer, tal como os outros quatro, tenha no futuro um país em que vale a pena viver, democrático naquilo em que a palavra tem de mais profundo, solidário, naquilo que a humanidade tem de melhor, fraterno, na forma mais elevada de olhar o outro.
Enfim, só quero que sejam felizes e cidadãos de corpo inteiro.


E agora para continuar a cadeia, desafio, e tenho a certeza de que vai ser interessante,

Ana Paula Fitas do " A nossa candeia "
Ana Paula S. Belo do "Catharsis"
Maria Josefa Paias do "Restolhando"
Leonor Rosado do "Outro Sentido"
Analima do "Dias imperfeitos".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Caim de José Saramago


Já li.
Gostei do livro e até posso dizer que por diversas vezes me diverti .
Procurei nas suas 180 e tal páginas resíduos de escandalo; não encontrei.
Mais. Nada encontrei que não pudesse ser dito no enquadramento do próprio romance.
Não entendo a polémica gerada.
É mais um livro de Saramago, num estilo de fácil leitura, e entendível por qualquer pessoa.
Se põe alguma coisa em causa ? Põe ! Ainda bem.
Se não o fizesse não valia ter sido escrito. Este ou outro livro qualquer.
Para mim, assunto encerrado.
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