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A propósito

Fugaz.

Como a memória das pedras
a palavra
retine no seu amargor
a angústia das mãos sem dedos
das caras sem olhos
nas mentes sem mente.

Como a memória das pedras
a palavra
no seu esplendor
lança nos degelos sucessivos
o eco dos silvos notáveis
a recordação das melhores mãos
que construiram o glaciar.

Comentários

Ana Paula Fitas disse…
Vou fazer link, Miguel.
Obrigado :)
Um abraço.
Obrigado, Ana Paula.
Fico satisfeito por gostar.
Um abraço, também.
Benjamina disse…
Miguel
Muito bonito, mesmo.
Obrigada por partilhar.
Um abraço
Benjamina,
agradeço o comentário.
Um blogue é partilha, não é ?
Pois, de quando em vez, lá vou partilhando algumas coisas que escrevo.
Também um abraço.
Ana Paula Sena disse…
Olá, Miguel :)

Também eu agradeço a partilha. Também eu gosto muito da sua poesia.

Votos de uma boa semana...!
Ana Paula,
agradeço a referência.
A sua opinião, pelo que tenho lido no "Catharsis", é importante para mim.
Com amizade e também votos de uma semana positiva.
Amigo Miguel,
Desculpe não ter comentado durante o fim-de-semana e cuja ausência vi que notou através de um comentário seu de hoje.
Mas vou deixar a pergunta que fiz num comentário a um seu comentário: quando vamos ver um livro com todos os poemas reunidos?
É que os que tem apresentado aqui são tão bons!
Um grande abraço.
Maria Josefa,
não é caso para pedir desculpa; nós é que estamos mal habituados.
Quanto à sua pergunta:
Por enquanto talvez seja difícil; tenho pouco material porque escrevo relativamente pouco e tive um interregno muito grande no final da minha vida activa (leia-se, laboral).
Publiquei em 1978, em edição de autor, um livro de poesias, a que faço menção nas minhas etiquetas, que teve vida conturbada na distribuição o que levou ao seu quase total desaparecimento. Épocas...´
São dele alguns dos poemas aqui publicados.
Mas agradeço-lhe muito o apoio.
Talvez venha a pensar melhor no assunto.
Um grande abraço.

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Sonhar a terra livre e insubmissa

E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

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que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
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o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…