domingo, 31 de janeiro de 2010

Viva o Matrimónio

Com os meus agradecimentos ao "Crónicas do Rochedo " http://www.cronicasdorochedo.blogspot.com/

"Respeitem-se os contratos!

Depois de meio século de matrimónio ele morreu. Pouco tempo depois também ela se foi para o céu ...No céu encontra o marido e corre rápidamente para o ele e diz :
Queriiiiiidoooooo!!! Que bom encontrar-te !!!!
Ao que ele responde :
Não me lixes Cristina! .............O contrato foi muito claro :
ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE !!! "

Bruxo!!!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Do sonho e da realidade

"Repudiei o sonho como um vício de colegial ou de louco. Mas repudiei também a realidade ou, antes, me repudiou ela, não sei porquê - por incompetência, ou por desalento, ou por incompreensão. Não servi para nenhum dos dois modos de gozar - nem para o prazer do real, nem para o prazer do suposto."

A Educação do Estóico - Barão de Teive/Fernando Pessoa
Ed. Assírio & Alvim

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A propósito




O formigueiro nas minhas mãos
aumenta sempre que as trompas choram.

Agudo chorar de trompa
som de mil gritos de dor
clamando por água.


De Coração na Mão -1978

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A candidatura presidencial de Manuel Alegre (2)


Alegre recusa ser candidato do Bloco

[Cristina Figueiredo /Expresso, 23.01.2010]
Manuel Alegre garante que o apoio do BE à sua eventual recandidatura a Belém não significa que ele esteja ‘encostado’ à esquerda: “As pontes que possa ter estabelecido com outros sectores de esquerda não legitimam ninguém a dizer que sou um candidato do Bloco”. “A candidatura será nacional, com grande marca de independência e historicamente enraizada no PS”, afirmou Manuel Alegre ao Expresso.

Primeira tomada de posição do pré-candidato sobre um tema que estava já a deixar que se apregoassem, por culpa exclusiva do BE e do seu coordenador, e por tardio esclarecimento de Alegre,  muitas opções, mormente dentro do PS mas também da esquerda independente, que começavam a minar a confiança que a candidatura devia merecer.
Foi, assim, um primeiro passo, mas tem de haver outros que clarifiquem posições, fundamentalmente, nas áreas de intervenção política de um PR e que lhe estão consignadas pela Constituição.
É que é necessário que se dissipem as dúvidas, com especial incidência, do eleitorado mais moderado.
Aguardemos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Em seguimento...



SUSPIRO

Minha alma demanda, ó irmã tão serena,
Tua fronte onde sonha um outono sardento,
E o errante céu do teu olhar angélico,
Tal como a suspirar, num jardim melancólico,
Fiel, um jacto branco sobe para o Azul !
- Para o Azul de Outubro pálido, terno e puro,
Nos lagos a mirar o langor infinito :
E deixa à flor da água  onde a fulva agonia
Das folhas voga ao vento abrindo um frio sulco
O sol quente a arrastar seu longo raio ruivo.

Stéphane Mallarmé - Poesias
Ed. Assírio & Alvim

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mais uma deriva de D.José Policarpo


"A igreja nunca aceitará o casamento homossexual " !
Estas palavras do responsável  máximo da ICAR em Portugal  obrigam-nos a duas reflexões:
1ª. Em que qualidade fala o cidadão português José Policarpo ?
Como português ou como representante de um Estado estrangeiro ?
2ª. Como cidadão português qual a lei que tem por obrigação conhecer e respeitar ?
A frase acima do Cardeal de Lisboa mais não representa que um desrespeito às leis do seu país, embora, como a qualquer outro lhe seja dado o benefício de objecção de consciência,  não lhe pode ser  concedido , contudo, o direito de não acatar as leis nacionais, disciplinadamente como qualquer outro cidadão.
Que diria o Cardeal Policarpo se os fieis lhe desrespeitassem, na esfera dac religião, os mandamentos da organização que representa ? 
Certamente que os excomungava!
Pois, será isso que o Estado Português deverá fazer ao Cardeal Policarpo ? Retirar-lhe a nacionalidade ?
Se não quer respeitar as leis do seu País....!?
Não tenho a menor dúvida acerca da qualidade de português do Cardeal Policarpo, nem da sua   estatura  enquanto cidadão, mas não pode, por via de uma crença sua pôr em causa as leis do país  
democrático, contráriamente ao que ele representa enquanto dignatário da ICAR.
Os representantes das religiões não podem pôr em causa, em caso algum, as leis do país em que vivem.
Sejam quais forem as religiões , é igual para todas. Neste país respeitam-se as convicções de cada um mesmo daqueles que não têm religião, por isso o Estado é laico.
Toda e qualquer tentativa de subverter esta situação é querer subverter o Estado de Direito e com isso  gratuitamente, comprar uma guerra sem sentido.
E como já disse uma vez a ICAR tem bons motivos para se não esquecer, fundamentalmente neste ano de 2010...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

HAITI




Estou seco !
Não te consigo falar.
As imagens não se precipitam sobre a tua superfície branca.
Apenas me perseguem os quatro cavalos que romperam das entranhas da terra..
Nada mais senão os quatro cavalos. Apocalipse !
Peço aos olhos que se virem para dentro e procurem ainda
algum pequeno regato .
Mas não, já estou seco.
Saltam o vermelho, o negro e o baio,
o branco segue-os de perto...
E os dedos não se mexem
e a mão não tem coragem
e do cérebro apenas o lamento.

Prenúncio




Vou atirar uma bomba ao destino.

Poesia - Álvaro de Campos/Fernando Pessoa -O engenheiro sensacionista (1914-1922)
Ed. Assírio e Alvim

A candidatura presidencial de Manuel Alegre



Muito se tem falado nestes últimos dias da "disponibilidade" de Manuel Alegre para se candidatar à Presidência da República em 2011.
A esse respeito chamo aqui à colação o post de Elísio Estanque no "BoaSociedade", http://boasociedade.blogspot.com/2010/01/presidenciais-e-dilemas-da-esquerda.html, onde se faz apelo a uma clarificação  do próprio Manuel Alegre.
O candidato lançou a "boca" mas depois calou-se...
Viu o BE colar-se, que nem lapa em rocha, e não se moveu nem falou.
Manuel Alegre, agora, não pode ficar calado se espera um apoio global da esquerda e a esquerda não é, só e apenas, porque é muito pouco, o BE.
Continuo à espera, em nome da maioria da esquerda que não é o BE, da fotografia transparente que Manuel Alegre teima em não tirar.

Terreiro do Paço estará pronto para missa papal


Será que o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, dr. António Costa, está a tentar reescrever a História neste ano de Centenário da Implantação da República ?
A Praça do Comércio e a Praça do Município são locais de referência da República.
Esqueceu~se o edil de Lisboa que a Igreja católica foi uma das maiores adversárias da República ?
E vai inauguarar a nova Praça do Comércio logo com o principal dirigente da ICAR ? O representante de  um dos principais inimigos da República ?
Já não lhe bastou a figura tristíssima que fez a respeito dos casamentos de Santo António ? Aquele que o dr. António Costa acha que é da ICAR e não de Lisboa?
Não lamento o voto que lhe dei, lastimo as atitudes que agora toma e pelas quais eu, porque votei, também sou responsável.

Hipocrisia e falta de vergonha




Hipocrisía por tudo o que disseram um do outro.
Falta de vergonha por um ter concedido e o outro ter aceite.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A estupidez


Tele-evangelista culpa haitianos pelo terramoto

...Líder evangélico Pat Robertson (ter) afirma(do) que o sismo do Haiti ocorreu porque o seu povo firmou «um pacto com o diabo»
(Notícia do Sol on-line
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=159910 )

  E conduzem estas avantesmas os destinos religiosos de milhões de crentes com repercussões imensas nos suas práticas diárias de relacionamento em sociedade.
Chocante para não dizer criminoso.

Tudo bem, Manel, então vamos começar a conversar


Para mim, e eu já não estava à espera de outra coisa, a tua declaração de disponibilidade para te candidatares à Presidência da República em 2011 foi um acto de afirmação de princípios e apenas isso.
E já não é pouco. Tiveste a oportunidade de marcar terreno e apresentar, já, algumas posições que te diferenciam do actual inquilino do Palácio  de Belém com que, também, estou de acordo.
Portanto, tens o caminho aberto para me convenceres, e eu quero votar em ti, de que cumprirei o meu dever de votar conscientemente, baseado nas permissas de um programa due irás apresentar, que seja equilibrado e não paternalista, de modo a poderes agregar à sua volta o maior número de votantes de esquerda e centro- esquerda ...e porque não do centro?
Mas para isso, igualmente, e isto é um conselho, deixa-te de frases épicas e bombásticas , muitas delas só palavras adornadas de conceitos vagos para a maioria da população. Queres vencer, fala para toda a gente, para que toda a gente te entenda. Explica-te bem porque, também sabes, vais ser atacado por posições recentes que tomaste e que muitíssima gente, eu incluído, não entendeu.
Portanto, para já, estou por ti mas tens de me convencer que a minha posição vai ser a correcta no momento de colocar o voto na urna. E não te esqueças que eu sou difícil de convencer; eu e os outros todos que pensam como eu e, claro, não te fará mal um exercício de humildade de te olhares como um cidadão comum e não um guardador de virtudes proibidas a muitos outros.
Fico à espera que me mandes uma fotografia em que te apresentes transparente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ironia


Quando um simples "donut" pode causar uma catástrofe. Basta um pombo guloso de carácter duvidoso e um homem com acesso ao que não devia...
Aceda a:

Clube dos "Desassossegados" - contribuição VII



(Pintura de Júlio Pomar)

 

...E eu, que odeio a vida com timidez, temo a morte com fascinação. Tenho medo desse nada que pode ser outra coisa, e tenho medo dele simultaneamente como nada e outra coisa qualquer, como se nele se pudessem reunir o nulo e o horrível, como se no caixão me fechassem a respiração eterna de uma alma corpórea, como se ali triturassem de clausura o imortal. A ideia de inferno, que só uma alma satânica poderia ter inventado, parece-me derivar-se de uma confusão desta maneira - ser a mistura de dois medos diferentes, que se contradizem e malignam.

(Livro do Desassossego - Fase primitiva - Páginas de Diário -
Páginas sem data - Fernando Pessoa/Bernardo Soares)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A tontice não devia pagar imposto ?


E é a isto que está reduzida a drª. Maria Filomena Mónica.
O seu arigo no "I"- O Saneamento de Marcelo - é de uma tontice atroz.
Não acredita ?
Então aceda a:
http://www.ionline.pt/conteudo/41632-o-saneamento-marcelo
É que ao menos podia dar-se ao trabalho de comparar os números relativos ao comentadores contratados pelos diversos canais de televisão, generalistas e cabo, para verificar que nem o Governo nem a ERC, têm grande influência.
A grande maioria dos comentadores televisivos, aos quais se podem juntar também alguns jornalistas, tipo Mário Crespo, são adversos ao partido de governo e/ou ao primeiro ministro. A maior parte dos comentadores são do Centro ou do Centro Direita. Está provado !
Outra coisa diferente é a drª. Filomena Mónica ser "fan" incontrolada do dr. Marcelo. Eu também o ouço, mas diferentemente, também ouço os outros, sejam eles quais forem, não tenho palas a condicionar-me o horizonte.
Mas tem uma boa solução !
Se gosta tanto de o ouvir, convide-o para, ao domingo, comer um croissant acompanhado a vodka, e assim tem o comentador só para si.

«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»- Padre Manuel Morujão ( 2)












Aqui tem duas situações diferentes, sr. padre Morujão.
Acha que também desvalorizamos ?

«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»- Padre Manuel Morujão


«Fosse com referendo ou sem referendo, dá-me a impressão que há uma precipitação e que toda a ponderação de um assunto tão transcendente era necessária», afirmou Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, citado pela TSF.

Morujão defendeu que «não deve haver iniciativas legislativas para legalizar» o casamento homossexual, sublinhando no entanto que «não é contra as pessoas homossexuais», mas antes contra a equiparação do casamento a outro tipo de união.
«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos», reforçou.
(Notícia SOL-online)

Mais uma vez a CEP à semelhança do sumo pontífice da ICAR vem meter-se onde não é chamada.
O problema da legalização do casamento das pessoas do mesmo sexo é de natureza civil, pertence ao Estado.
Mas a frase acima diz tudo acerca do que pensa a CEP.
«Se tudo é igual a tudo, tudo desvalorizamos»
Quer dizer :
Se os homens são todos iguais , desvalorizamos todos ? A não ser que uns sejam mais iguais do que outros.
Nós sabemos que na ICAR é assim, mas a ICAR é uma monarquia teocrática e não uma democracia como a República Laica Portuguesa.
Se os homens e as mulheres são iguais em direitos, desvalorizamos o quê ?
Nós sabemos que na ICAR é assim, mas a ICAR é uma organização religiosa em que as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens.
E por aqui podíamos continuar uma mão cheia de argumentos que desacreditariam as já desacreditadas teorias expressas pela CEP e pelo seu guru máximo no Vaticano.
Estes  senhores continuam a pensar que podem, a seu belo prazer e utilizando todos os meios que lhes são postos à disposição, afrontar os poderes instituídos da República - Governo e AR - para o que ninguém lhes declarou legitimidade.
No ano da Comemoração do 1º. Centenãrio da Implantação da República Portuguesa talvez não seja mau lembrar à CEP e à ICAR que coisas existem que um Estado não pode aceitar - a interferência das organizações religiosas nos assuntos que apenas ao Estado dizem respeito. E têm bons motivos para acreditar nisso...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Linhas sem sentido




Eu tornei-me bom e fui desprezado.
Tornei-me mau; ódio recebi.
E se bom ou mau, nunca elogiado,
No bem ou no mal igual perda vi.

Então bom uma vez e mau noutra hora,
E assim consegui dois males juntar.
Daí que o tédio que em mim arde agora,
Nem o bem ou  mal  o  vem sossegar.

Alexander Search - Poesia -1908
Ed.Assírio & Alvim

Papa critica casamento homossexual



Para o homem, o caminho escolhido não pode ser determinado por caprichos ou vontades mas deve corresponder à estrutura determinada pelo Criador”, disse o Papa.

Bento XVI dirigiu nesta segunda-feira críticas ao casamento gay. O Papa chamou atenção para as leis que ignoram a diferença entre sexos, poucos dias depois de Portugal ter aprovado no Parlamento a união civil entre homossexuais.

Na sua tradicional mensagem de Janeiro, centrada maioritariamente em questões do ambiente, Bento XVI referiu ainda que “a liberdade não pode ser absoluta”. Apontando a “certos países da Europa e da América do Sul”, o Papa afirmou que “a legislação aprovada em nome da luta contra a discriminação ataca o fundamento biológico da diferença de sexos”.

(http://noticias.sapo.pt/especial/casamento_gay/)

Oh, Sr. Papa, não seria melhor olhar primeiro para os pedófilos que tem dentro da sua organização, que são criminosos de delito comum, e deixar em paz os homossexuais que querem viver em  Paz e num Estado de Direito, às claras, e sem necessidade de se esconderem nem beneficiarem de compadrios espúrios como é o caso de muitos altos dignitários da ICAR ?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Reabastecimento




Vamos ver o povo.
Que lindo é.
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está.


Mário Cesariny de Vasconcelos - Poesia (1944-1945)
A Poesia Civil -Nicolau Cansado Escritor - Ed. Delphos

José Sócrates impediu hoje o grupo parlamentar do PS de votar livremente os projectos do BE e do PEV sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo (DN on-line)

(Transcrição de um meu comentário a um poste sobre o mesmo assunto publicado no blogue "A Nossa Candeia")

Pois é, a política é a Arte do Possível, não é?
E com isso traz as suas contradições tanto de princípios como de táctica.
Se na óptica dos princípios nada mais aconselhava a total liberdade quanto ao problema da adopção, possibilidade que eu não descarto para não dizer que apoio, quanto à táctica, e se defendemos que o casamento já foi referendado pela concentração maioritária dos votos nas legislativas em partidos que o expressaram nos seus programas, também não podemos, sobre o risco de incoerência, deixar de querer dar o mesmo tratamento ao problema da adopção, assunto que foi propositadamente referido como não admissível, para já, pelo partido maioritário.
Daí o problema que, neste momento, nos confronta.
A solução total do problema está a li à mão de semear, com maiorias possíveis para o resolver, mas será que é compaginável com o assumido no programa maioritariamente sufragado?
O único problema que eu gostava de ver completamente resolvido, para não dar quaisquer veleidades ao inquilino de Belém, é o das possíveis inconstitucionalidades. Acerca disso , o ponto de vista de António Arnault, hoje, no DN, deverá ser tido como um aviso.
Não sou daqueles que prefere mudar os nomes para não incomodar ou considerar que o problema é fracturante. Por isso recuso liminarmente o projecto do PSD; é de uma hipocrisia atorz.
O que eu quero é que tenham cuidado para não sermos, depois, apodados de ingénuos ou incapazes de legislar de forma correcta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Do Orpheu 2


IV

Que pandeiretas o silêncio d'este quarto!...
As paredes estão na Andaluzia...
Há danças seensuaes no brilho fixo da luz...

De repente todo o espaço pára...,
Pára, escorrega, desembrulha-se...,
E num canto do tecto, muito mais longe do que elle está,
Abrem mãos brancas janellas secretas
E ha ramos de violetas cahindo
De haver uma noite de primavera lá fóra
Sobre o eu estar de olhos fechados...

Orpheu 2 - Chuva oblíqua - Fernando Pessoa
Ed. Ática

Manel, se vais a jogo deixa-te de folclores

Declaração de interesses:
Nas últimas presidenciais não fui apoiante de Manuel Alegre. Ponto.
Declaração política:
Fui, o mais que pude, contra a eleição do actual Presidente da República. Ponto.
Mas isso é passado e o que interessa agora é o futuro.
Estamos no limiar de uma nova corrida a Belém.
Cavaco demorará o tempo suficiente, ou não fosse ele o homem dos "tabús", a apresentar a sua recandidatura até ter uma perspectiva do que poderá vir a suceder nas candidaturas à esquerda. Ainda estou convencido de que, se aparecer uma candidatura envolvente dos partidos e movimentos de esquerda, Cavaco não se recandidatará. Não vai querer passar por uma segunda humilhação, tal como a que sofreu frente a Sampaio.
Por isso, no que teremos de pensar, é quem é o candidato federador da toda a esquerda, se bem que, já se sabe, o PCP numa primeira volta apresentará, como sempre, um candidato próprio para reafirmar que está vivo e tem um projecto próprio e não desperdiçar o correspondente tempo de antena.
Assim, e porque o tempo já escasseia, é absolutamente fundamental que se apresentem os candidatos e/ou o candidato, o projecto é acima de tudo pessoal, ao novo acto eleitoral.
É escusado estar a fingir que não existe já um a auto-propor-se - Manuel Alegre -.
Se assim não fosse para que serviriam tantos jantares, tantos encontros, tanta intervenção nos média. Nem sequer acredito que o candidato (?)  não tenha já elementos suficientes para avaliar qual a perspectiva do eleitorado face a uma sua candidatura.
Deste modo o que se pede ?
Que se deixe de folclores e diga ao que vem. Manuel Alegre também sabe que gerou muitos anticorpos com as suas tomadas de posição política face ao PS e ao BE. Vai ter, também ele, de ultrapassar essas situações se pretende chegar-se à frente.
Tem de se apresentar com mais alguma coisa do que frases sonoras, que incitam o povo e congregam gentes, mas que são politicamente vazias, porque não apontam destinos concretos.
Deseja-se, contrariamente ao actual burocrata que habita em Belém, um presidente fundamentalmente político e que saiba fazer política. Deseja-se, contrariamente ao actual inquilino do Palácio Cor de Rosa, um presidente que seja um homem de cultura e que conheça a cultura do povo que vai representar. Mas não queremos demagogia, não queremos figura pela figura, não queremos que nos vendam um presidente como quem nos vende sabonetes (a frase não é minha) e  o populismo não nos merece consideração..
Concluindo:
Se Manuel Alegre, homem de esquerda, democrata, político reconhecido, detentor de altos galardões, poeta insigne, quer o meu voto, tem de merecê-lo.
Fico à espera...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Num banco de jardim


Num banco de jardim ao sol
de inverno entre pombas e crianças

Aí se via imóvel e esquecido
de todos que também tinha esquecido

Mas não havia banco nem jardim nem sol
nem pombas nem crianças


Mário Dionísio - Terceira idade - LXXVII -
Pub.Europa-América

domingo, 3 de janeiro de 2010

Irlanda: quem disser blasfémias arrisca multa até 25 mil euros



A "Lei da Difamação" entende a blasfémia como "uma expressão tremendamente abusiva ou insultuosa em relação a um assunto considerado sagrado por qualquer religião, causando indignação perante um número substancial de seguidores dessa religião.

(Notícia do  "i-on line")

Chegamos ao ridículo !
Não admira que o agnosticismo e o ateismo tenham cada vez mais seguidores. E ainda bem !
E vem, logo, esta notícia da Irlanda, um País em que os escândalos com o comportamento cívico dos elementos da igreja católica têm sido de acabrunhar o mais santo dos homens.
Quando as religiões necessitam de legislação civil para se imporem na sociedade algo está mal no reino das religiôes.
Chocante !

Dia cinzento



E o mar está ali, tão perto, cheio, à nossa frente,
e esta pedra invisível que nos amarra à terra
e nos impede de ir mais além
recorda-nos este modo de viver, imutável,
morrendo de insegurança, desfalecendo no atrevimento.

E permanecemos nesta insistência de,
mesmo encalhados,aguardar
que o temporal dos dias
nos destrua os restos da estrutura.

São as horas do nosso Outono.

E a angústia persiste !

E o mar ali tão perto e os olhos a rasgar o horizonte.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Um outro olhar sobre si mesmo



7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
       Pilar da ponte de tédio
       Que vai de mim para o Outro.

Mário de Sá-Carneiro - Poesias - Indícios de Ouro
Ed. Ática

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

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