Todos os homens são livres e iguais em direitos; e todavia, alguns são livres para morrer à fome e iguais para morrer de frio. (António Soveral-1905)
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição XI
" O peso de sentir! O peso de ter que sentir !"
Bernardo Soares / Fernando Pessoa
Livro do Desassossego - Confissões
Textos datados - 1930 (data presumível)
terça-feira, 16 de março de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição X
"A arte é um esquivar-se a agir ou a viver. A arte é a expressão intelectual da emoção, distinta da vida, que é a expressão volitiva da emoção. O que não temos, ou não ousamos, ou não conseguimos, podemos possuí-lo em sonho, e é com esse sonho que fazemos arte. Outras vezes a emoção é a tal ponto forte que, embora reduzida a acção, a acção, a que se reduziu, não a satisfaz; com a emoção que sobra, que ficou inexpressa na vida, se forma a obra de arte. Assim há dois tipos de artista : o que exprime o que não tem, e o que exprime o que sobrou do que teve."
Fernando Pessoa/Bernardo Soares- Livro do Desassossego
Confissões - Textos não datados (data presumível 1932)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição IX
"Cheguei àquele ponto em que o tédio é uma pessoa, a ficção encarnada do meu convívio comigo."
Bernardo Soares/Fernando Pessoa -Livro do Desassossego / Confissões-
Textos datados e cronologicamente ordenados - 1932( data presumível)
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição VIII
...o que tenho sobretudo é cansaço, e aquele desassossego que é gémeo do cansaço quando este não tem outra razão de ser senão o estar sendo. Tenho um receio íntimo dos gestos a esboçar, uma timidez intelectual das palavras a dizer. Tudo me parece antecipadamente fruste.
O insuportável tédio de todas estas caras, alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são alheias...
Fernando Pessoa/Bernardo Soares - Livro do Desassossego
Confissões-Textos datados ou cronologicamente ordenados
O insuportável tédio de todas estas caras, alvares de inteligência ou de falta dela, grotescas até à náusea de felizes ou infelizes, horrorosas porque existem, maré separada de coisas vivas que me são alheias...
Fernando Pessoa/Bernardo Soares - Livro do Desassossego
Confissões-Textos datados ou cronologicamente ordenados
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição VII

(Pintura de Júlio Pomar)
...E eu, que odeio a vida com timidez, temo a morte com fascinação. Tenho medo desse nada que pode ser outra coisa, e tenho medo dele simultaneamente como nada e outra coisa qualquer, como se nele se pudessem reunir o nulo e o horrível, como se no caixão me fechassem a respiração eterna de uma alma corpórea, como se ali triturassem de clausura o imortal. A ideia de inferno, que só uma alma satânica poderia ter inventado, parece-me derivar-se de uma confusão desta maneira - ser a mistura de dois medos diferentes, que se contradizem e malignam.
(Livro do Desassossego - Fase primitiva - Páginas de Diário -
Páginas sem data - Fernando Pessoa/Bernardo Soares)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Clube dos "Desassossegados" - contribuição VI
"Afinal deste dia fica o que de ontem ficou e ficará de amanhã:
a ânsia insaciável e inúmera de ser sempre o mesmo e outro. "
(Livro do Desassossego - Confissões- Textos não datados)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Clube dos "Desassossegados" - contribuição V
1 - Carta para não mandar
Dispenso-a de comparecer na minha ideia de si.
A sua vida (...)
Isso não é o meu amor; é apenas a sua vida.
Amo-a como ao poente ou ao luar, com o desejo de que o momento fique, mas sem que seja meu nele mais que a sensação de tê-lo.
(Textos de ficção poética e reflexão - Textos não datados)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Clube dos "Desassossegados" - contribuição IV
Na data dos 74 anos da morte do poeta :
“Pertenço a uma geração que herdou a descrença na fé cristã e criou em si uma descrença em todas as outras fés. Os nossos pais tinham ainda o impulso credor, que transferiram do cristianismo para outras formas de ilusão. Uns eram entusiastas da igualdade social, outros eram namorados só da beleza, outros tinham a fé na ciência e nos seus proveitos, e havia outros que, mais cristãos ainda, iam buscar a Orientes e Ocidentes outras formas religiosas, com que entretivessem a consciência, sem elas oca, de meramente viver.
“Pertenço a uma geração que herdou a descrença na fé cristã e criou em si uma descrença em todas as outras fés. Os nossos pais tinham ainda o impulso credor, que transferiram do cristianismo para outras formas de ilusão. Uns eram entusiastas da igualdade social, outros eram namorados só da beleza, outros tinham a fé na ciência e nos seus proveitos, e havia outros que, mais cristãos ainda, iam buscar a Orientes e Ocidentes outras formas religiosas, com que entretivessem a consciência, sem elas oca, de meramente viver.
Tudo isso nós perdemos, de todas essas consolações nascemos órfãos. Cada civilização segue a linha íntima de uma religião que a representa; passar para outras religiões é perder essa, e por fim perdê-las a todas.
Nós perdemos essa, e às outras também.
Ficámos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrá-mo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas : navegar é preciso, viver não é preciso.
Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuído-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora. Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos própriamente vida. Não temos uma ideia de futuro, também não temos uma ideia de hoje, porque o hoje, para o homem de acção, não é senão um prólogo do futuro. A energia para lutar nasceu morta connosco, porque nós nascemos sem o entusiasmo da luta.
Uns de nós estagnaram na conquista alvar do quotidiano, reles e baixos buscando o pão de cada dia, e querendo obtê-lo sem o trabalho sentido, sem a consciência do esforço, sem a nobreza do conhecimento.
Outros, de melhor estirpe, abstivemo-nos da cousa pública, nada querendo e nada desejando, e tentando levar ao calvário do esquecimento a cruz de simplesmente existirmos. Impossível esforço, em que(m) não tem, como o portador da Cruz, uma origem divina na consciência.
Outros entregaram-se, atarefados por fora da alma, ao culto da confusão e do ruído, julgando viver quando se ouviam, crendo amar, quando chocavam contra as exterioridades do amor. Viver doía-nos, porque sabíamos que estávamos vivos; morrer não nos aterrava porque tínhamos perdido a noção normal da morte.
Mas outros, Raça do Fim, limite espiritual da Hora Morta, nem tiveram a coragem da negação e de asilo em si próprios. O que viveram foi em negação, em descontentamento e em desconsolo. Mas temo-lo de dentro, sem gestos, fechados sempre, pelo menos no género de vida, entre as quatro paredes do quarto e os quatro muros de não agir.
(Um dos textos considerados introdutórios do Diário de Fernando Pessoa-ele próprio para o Livro do Desassossego)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Clube dos "Desassossegados" - contribuição (III)
Absurdo
"Tornarmo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios. O absurdo é (o) divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam -, talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros/ para/ não os ler; ir a concertos nem ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."
Fernando Pessoa/Bernardo Soares
Livro do Desassossego /Textos de ficção poética e reflexão
-Expressamente incluídos em planos conhecidos do Autor - 1912/1913
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Clube dos "Desassossegados" - contribuição - II
Do “Livro do Desassossego”
Fase primitiva constituída por textos de Fernando Pessoa, ele próprio, ainda não atribuídos a Bernardo Soares.
18.07.1916
“Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou no cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, fazêmo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de encontrar conclusões, ou pela necessidade absurda (?) de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos duma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.”
Fase primitiva constituída por textos de Fernando Pessoa, ele próprio, ainda não atribuídos a Bernardo Soares.
18.07.1916
“Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou no cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, fazêmo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de encontrar conclusões, ou pela necessidade absurda (?) de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos duma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.”
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Clube dos "Desassossegados" - contribuição
(Pintura de Júlio Pomar)
Excerto:
"Nada me satisfaz, nada me consola, tudo - quer haja sido, quer não - me sacia. Não quero ter a alma e não quero abdicar dela. Desejo o que não desejo e abdico do que não tenho. Não posso ser nada nem tudo: sou a ponte de passagem entre o que não tenho e o que não quero ."
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