quarta-feira, 29 de junho de 2011

Stepan Shchipachyov


Saber apreciar o amor


Saber apreciar o amor,
                          Especialmente apreciá-lo com os anos.
                      O amor não são suspiros num banco
Nem passeios ao luar.
                        Será tudo : lama e as primeiras neves.
                        E uma vida que é preciso viver juntos.
                            O amor é parecido com um bom poema :
                                Um bom poema não se faz sem sofrimento.


Stepan Shchipachyov - Antologia da Poesia Soviética
Ed. Futura

Atenas - o rastilho


Será que Atenas virá a representar, no futuro,o fim do sonho europeu por que tantas gerações lutaram ?
Se não o é, para já, para lá caminha.
A completa divergência entre os directórios políticos da União e os povos de que se dizem representantes irá, paulatinamente, cavar um cada vez maior fosso entre interesses.
E é nesse facto, na completa insensibilidade às aspirações populares e na defesa dos interesses que representam, que residem as razões da cada vez maior recusa às políticas ditadas por  quem dirige a União.
Mas também poderá  representar o inverso.
Atenas poderá vir a ser o rastilho da poderosa bomba  latente que  conduzirá à radical mudança dos objectivos actuais da União. Nesse caso, o sonho da Europa Social poderá manter-se mas os actores serão outros, assim como os conceitos sociais e económicos actuais também mudarão.
Contudo, não será fácil.
Quem detém, actualmente, as rédeas do poder na Europa, não quererá, facilmente, abdicar dele. Nem eles nem os de quem são testas de ferro à escala internacional. Afinal, os verdadeiros responsáveis pela crise.
Tudo terá de começar pela verdadeira consciencialização dos povos europeus de que não se podem abster, como tem sucedido, de intervir na discussão das politicas europeias e na decisão de quem os representa. É necessário actuar e participar quando a isso somos chamados. As vergonhosas taxas de abstenção nas eleições europeias são disso um bom exemplo.
Se assim acontecer, ainda poderemos, um dia, vir a celebrar Atenas como um  reinício do sonho europeu caso contrário, será o marco histórico da falência de um projecto que grandes estadistas, coisa que agora não existe, um dia conceberam não para o bem de alguns mas para o benefício de todos. 

domingo, 26 de junho de 2011

Novo estatuto editorial do Expresso


Para ler e meditar profundamente.
Das razões, boas ou más, do passado ou do presente, muito fica por desvendar.
Peso na consciência ou desejo de caminhos novos tudo pode servir de razão para esta tomada de posição.
De qualquer modo, pelos caminhos trilhados pelo jornal nun passado recente, tudo nos leva a duvidar de tanta transparência ou se se trata de calar conjuras futuras, que por afecto ao novo poder urge, para já, domesticar para que não venham pôr em causa tudo aquilo que o próprio jornal ajudou a construir num passado recente.
Aceda a:
http://vaievem.wordpress.com/2011/06/26/jornalismo-e-interesse-nacional

sábado, 25 de junho de 2011

Arthur Rimbaud


O Dormidor do Vale

            É um poço de verdura onde canta um ribeiro
Arrastando à doida pela erva rasgões
                  De prata; onde o sol, do alto monte sobranceiro,
                  Brilha: é um vale ameno na espuma dos clarões.

     Um jovem soldado, testa ao vento, caída
   A boca, a nuca no agrião azul banhada,
       Dorme; está deitado na terra, sem guarida
     Pálido na verde enxerga de luz molhada.

       Os pés entre os gladíolos. dorme. Sorrindo
       Qual menino doente a sorrir, vai dormindo:
           Dá-lhe aconchego, ó Natureza, que arrefece.

      Nem aos perfumes a narina lhe estremece;
            Dorme ao sol, a mão sobre o peito sossegado.
      Tem dois buracos encarnados, lado a lado.

Outubro de 1870

Arthur Rimbaud - 35 Poemas de
Relógio de Água 1991

Viagens na Europa



Novo modelo utilizado pelo governo para que as viagens que não paga ainda sejam mais baratas...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

23 de Junho, mais uma vez

                                                        Eu, que descrevo
                                                        esta morte
                                                        com lágrimas,
                                                        desço ao país do frio
                                                        o da música extremada
                                                        sem suster o dilúvio.

                                                        Erguem-se os animais
                                                        num imenso gemido
                                                        sua dor é verde
                                                        e o escultor do medo
                                                        já só esculpe o silêncio.

Ana Marques Gastão - Terra sem Mãe
Ed. Gótica - 2001

23 de Junho



... por me terem trazido até aqui.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Magistratura activa /Cooperação activa

Embora muita gente possa pensar que significam coisas parecidas, estas duas palavras somadas ao adjectivo activa, têm significados que podem bem demonstrar a diferença de atitude do actual PR face ao anterior governo (socialista) e ao actual, que tem por base o seu partido de origem.
E não custa muito verificar a diferença, basta ir ao dicionário.
Cavaco nunca se engana e raramente tem dúvidas. Mais uma vez o provou...

terça-feira, 21 de junho de 2011

A posse do novo Governo


Propor um pacto de confiança pressupõe que se é depositário da confiança dos cidadãos.
Os discursos, os dois, foram o natural bla-bla-bla destas situações.
A confiança ganha-se não se oferece e para já está tudo desconfiado.
O dia de ontem também não ajudou...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Perdeu a incoerência


Passos Coelho, fiel à sua palavra, foi coerente.
Paulo Portas fiel ao seu discurso foi coerente.
O PS foi coerente na posição tomada.
O PCP foi coerente face a anteriores declarações.
O Bloco foi, por uma vez, coerente.
Até os Ecologistas foram coerentes seguindo o PCP.
Todos votaram como se esperava. Ganhou a coerência!
Perdeu o incoerente, Fernando Nobre, que fez uma campanha contra os políticos e os Partidos e agora queria guindar-se a seu representante.
Outro epifenómeno da política nacional com o destino já traçado, o esquecimento.




Os bobos


Os bobos ao olhar para os outros vêem-nos sempre iguais a si próprios...
E não é verdade !
Os outros não são bobos...!
Aceda a:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1882957&seccao=Jo%E3o+C%E9sar+das+Neves&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco&page=-1

domingo, 19 de junho de 2011

Anna Akhmatova


    E O MEU CORAÇÃO JÁ NÃO BATE

E o meu coração já não bate
          Na minha voz, de alegria e tristeza.
     Acabou... E o meu canto galopa
                 Para a noite vazia, onde tu já não estás.

Anna Akhmatova-Antologia de Poesia Soviética
Ed.Futura-1973

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quo vadis, António Costa ?


Com tanto calculismo acabas por errar as contas...

Neste início de novo ciclo


recordo alguns poemas de Armindo Rodrigues no livro "O Poeta Perguntador":

Quem cuida que sabe ignora.
Quem sabe que ignora sabe.
Onde a discussão não cabe
fica a verdade de fora.

oooo000oooo

Mais só é quem só se sente,
ou quem os outros enjeita ?
Só há presença perfeita
em estar em tudo presente.
A si próprio se desmente
quem só a si aproveita.

oooo000oooo

Nomear-te.
liberdade,
é logo ser mais livre.

oooo000oooo

Da poeira do tempo
faz-se o esquecimeto.
Da poeira dos homens
se faz a lembrança.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Passa por mim no Rossio


E passei e vi umas dezenas de pessoas deitadas.
O meu já "velho" conceito de Democracia passa pelo respeito fundamental pelas minorias pelo que os "deitados" me merecem o maior respeito e considero que são livres de apresentar a sua luta e defendê-la, claro, cumprindo sempre tudo o que aos outros é exigido, isto é, o respeito pelas leis vigentes do nosso estado democrático.
Podemos até partir do princípio que poderão vir a confirmar-se as estafadas frases mobilizadoras do "hoje somos poucos, amanhã seremos muitos" ou " somos poucos mas bons", mas ao que parece o movimento está a fazer o caminho inverso - eram muitos e agora são poucos -.
Também sabemos que, politicamente, o tempo já não é o mesmo do inicio e até a CS já não lhes concede o espaço que  lhes dedicava - já não existe um governo para verberar nem um primeiro ministro para  derrotar -. Por isso a  tarefa do movimento se torna cada vez mais difícil e apagada, por isso já são só umas dezenas que resistem.
Por outro lado, o exemplo que fez a génese do movimento, as revoltas populares no Norte de África, e compreensivelmente, não foi adoptado pela maioria dos cidadãos até porque, e bem, se entendeu que, enquanto por lá se combatia pelo fim de ditaduras, isso nada tinha, e não tem,  a ver com a situação portuguesa e europeia.
Com tudo isto iremos, certamente, assistir ao esvasiamento do protesto - o Rossio não é a Praça Tahrir - e aos poucos a grande praça lisboeta  voltará ao seu aspecto normal, pejada de gente que corre de um lado para o outro no seu afã de trabalho. À noite haverá gente por lá deitada mas serão os habituais e infelizes sem abrigo que por ali resistem entre caixas de cartão e cobertores esperando pela boa vontade das organizações que os apoiam.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Por onde andam estes camaradas ?

Por onde andam agora estes camaradas ?
Tanto falaram, tanto escreveram, tanto condenaram...
O homem já se foi embora e não os vejo apresentarem-se como alternativa ou a liderarem uma nova via.
Não me digam que se lhes acabou a verbosidade ou era, mesmo, só despeito ?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Pau de cabeleira


Afnal quem vai ser quem...?

Novos tempos, novos desígnios

Cavaco vai condecorar com o mais elevado grau de uma da mais importantes ordens honoríficas portuguesas o expoente máximo do ódio político e a "promotora" da suspensão da democracia por seis meses...
Vê-se bem que algo está a mudar, já, na política portuguesa e quais os desígnios, desde há muito,  partilhados pelo actual, infelizmente, Presidente da República.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Depois da borrasca


Ora, então, vamos lá...
Grande borrasca a de ontem, não foi ? 
Grandes consequências mais ou menos previsíveis...É verdade !
Mas nada disto serviria se não se tirassem conclusões. Tenham calma que já vou aos idiotas úteis de que falei na 6ª. feira...
Como ontem escrevi na minha página do FB e transcrevo:
"Consumado está.
O PSD ganhou as eleições e vai governar, certamente com o apoio do CDS, e terá todas as condições para realizar o seu trabalho.O povo português pronunciou-se e elegeu. 
O resultado tem de ser respeitado sem qualquer rebuço.À Oposição ficará o trabalho de controlo do poder. É assim em Democracia; é assim que se deseja que seja; foi isso que defendemos toda uma vida."

Esta é a minha posição de princípio e que me tem acompanhado, sempre, desde há cerca de 45 anos - 45, 
perguntarão porquê? - pois, quando tinha 18, já pensava na Política e na Democracia com ideias bem assentes e ainda faltavam 8 para a Revolução. Nem toda a gente da minha geração era assim, para o bem e para o mal, e isso veio a demonstrar-se mais tarde e os exemplos são muitos.
Mas voltando ao assunto inicial.
Está assim descrita a minha posição política face aos novos actores da política portuguesa. Nada mais há a fazer, neste momento, do que respeitar a vontade popular por maiores que sejam os engulhos  que isso nos possa causar. Mas não basta encher a boca com a palavra "Povo" é necessário respeitá-la.
Segundo ponto. 
O PS e José Sócrates perderam inequivocamente as eleições;  e é um facto que tem de ser aceite sem mais mas nem menos mas; e não há que ir buscar bodes expiatórios dos permanentes "ses" que estas situações normalmente geram.
Felizmente, José Sócrates - infelizmente para quem muito o respeita - tomou a atitude mais digna e fez um extraordinário discurso de vencido/despedida que deve deixar alguns amargos de boca a alguns vencedores que conhecemos recentemente.
Teve o discernimento  de abandonar o poder e/ou a liderança de um grande partido de forma corajosa e desapegada. Havia mais, na noite de ontem, quem devesse ter feito o mesmo, mas essa coragem não existiu. Ressalvo a posição tomada pelo presidente do pequeníssimo MEP que tomou idêntica decisão.
Mas dos idiotas úteis - cá vamos nós - existem alguns que ganham sempre e outros que não sabem despegar-se do seu estatuto de líder.
Há muito que era sabido que a idiotice à esquerda era um mal de que padecem certos partidos em Portugal.
Só faltaria saber se seriam úteis ou inúteis. No caso vertente foram úteis ... à direita; já se estava à espera e os motivos porque assim seria, também, por quem anda nisto há muitos anos.
Primeiro o PCP que ganha (?) sempre, que fica muito satisfeito com o seus 7.9% e porque conquistou um deputado no Algarve mas que no cômputo geral não granjeou mais do que 440.850 votos (eles parecem muitos porque vão sempre todos às manifestações). Mas o PCP atingiu o seu objectivo - a derrota do Partido Socialista, seu arqui-inimigo desde os tempos de Soares -. Ao PCP não lhe interessa um governo de esquerda, interessa-lhe poder continuar a dispor da rua para se manifestar contra qualquer coisa; movimentar as massas que ainda nele vêem um farol e um futuro radioso de amanhãs que cantam. Para continuar a existir o PCP não necessita de um partido que com ele converja em matéria política; necessita de um partido que lhe seja antagónico para que possa protestar.
Já o Bloco de Esquerda é um caso diferente. A nova versão à esquerda do projecto do PRD, tem um professor universitário em vez de um general como mentor. Está-se a esvaziar calmamente, tal e qual o outro. Os seus burgueses esquerdizantes vão olhando mais para o que perdem que para o que ganham e vão-no deixando a pouco e pouco sem encontrarem alternativa para as suas fogosidades revolucionárias. Louçã é um caso deprimente. Depois de uma hecatombe como a de ontem manteve-se impávido e não pôs o seu lugar à disposição. Perder a projecção política que lhe dá o cargo de coordenador do BE é-lhe mais penoso do que ter a humildade democrática, que tanto a outros exigiu, para aceitar que foi derrotado inexoravelmente. Esperemos, ao menos, que também não venha a ser vendido para servir de coito a um qualquer movimento extremista como foi o caso do Renovador Democrático. 
Falta-nos falar ainda da direita que se alapou à vitória. É o caso de Portas e do CDS.
Espertalhão, sabendo que vai para o governo obrigatoriamente. Paulo Portas esqueceu-se de avaliar a derrota que foi o não ter conseguido mais votos que o BE+CDU, sua questão de princípio, nem o facto de nem sequer poder ter podido vislumbrar o tão apetecido cargo de primeiro ministro como chegou a manifestar.
Arranjou um discurso, quase tipo PCP, para se declarar vencedor e continua na sua boa senda de um dos poucos políticos profissionais portugueses de mais longa vida partidária.
Sobre o PSD e Passos Coelho nem é necessário falar. Ganhou suficientemente distanciado para que possamos partir do princípio (?) que o povo eleitor estava suficientemente elucidado sobre as suas propostas. Vamos aguardar calmamente o desenrolar das suas políticas e verificar "a posteriori" se era verdade que os eleitores estavam cientes no que iam votar. A ver vamos.
Deixei para último o Partido Socialista, porque embora não seja militante, foi aquele a que dei apoio.
Sócrates tem razão! Ele perdeu estas legislativas e os anticorpos gerados à sua volta levaram também o Partido ao resultado conhecido.
O que espero do Partido a que dei apoio ?
Espero que seja coerente e que respeite os seus compromissos. Não espero que vá para o governo mas sim que se insira na Oposição ressalvando as situações em que deu já anteriormente o seu apoio. Terá de cumpri-las milimetricamente mas só e unicamente essas. No resto terá campo para ser um defensor das suas causas e dos seus princípios fundadores e um observador atento de toda a actividade governativa.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

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