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Passa por mim no Rossio


E passei e vi umas dezenas de pessoas deitadas.
O meu já "velho" conceito de Democracia passa pelo respeito fundamental pelas minorias pelo que os "deitados" me merecem o maior respeito e considero que são livres de apresentar a sua luta e defendê-la, claro, cumprindo sempre tudo o que aos outros é exigido, isto é, o respeito pelas leis vigentes do nosso estado democrático.
Podemos até partir do princípio que poderão vir a confirmar-se as estafadas frases mobilizadoras do "hoje somos poucos, amanhã seremos muitos" ou " somos poucos mas bons", mas ao que parece o movimento está a fazer o caminho inverso - eram muitos e agora são poucos -.
Também sabemos que, politicamente, o tempo já não é o mesmo do inicio e até a CS já não lhes concede o espaço que  lhes dedicava - já não existe um governo para verberar nem um primeiro ministro para  derrotar -. Por isso a  tarefa do movimento se torna cada vez mais difícil e apagada, por isso já são só umas dezenas que resistem.
Por outro lado, o exemplo que fez a génese do movimento, as revoltas populares no Norte de África, e compreensivelmente, não foi adoptado pela maioria dos cidadãos até porque, e bem, se entendeu que, enquanto por lá se combatia pelo fim de ditaduras, isso nada tinha, e não tem,  a ver com a situação portuguesa e europeia.
Com tudo isto iremos, certamente, assistir ao esvasiamento do protesto - o Rossio não é a Praça Tahrir - e aos poucos a grande praça lisboeta  voltará ao seu aspecto normal, pejada de gente que corre de um lado para o outro no seu afã de trabalho. À noite haverá gente por lá deitada mas serão os habituais e infelizes sem abrigo que por ali resistem entre caixas de cartão e cobertores esperando pela boa vontade das organizações que os apoiam.

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o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
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