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Atenas - o rastilho


Será que Atenas virá a representar, no futuro,o fim do sonho europeu por que tantas gerações lutaram ?
Se não o é, para já, para lá caminha.
A completa divergência entre os directórios políticos da União e os povos de que se dizem representantes irá, paulatinamente, cavar um cada vez maior fosso entre interesses.
E é nesse facto, na completa insensibilidade às aspirações populares e na defesa dos interesses que representam, que residem as razões da cada vez maior recusa às políticas ditadas por  quem dirige a União.
Mas também poderá  representar o inverso.
Atenas poderá vir a ser o rastilho da poderosa bomba  latente que  conduzirá à radical mudança dos objectivos actuais da União. Nesse caso, o sonho da Europa Social poderá manter-se mas os actores serão outros, assim como os conceitos sociais e económicos actuais também mudarão.
Contudo, não será fácil.
Quem detém, actualmente, as rédeas do poder na Europa, não quererá, facilmente, abdicar dele. Nem eles nem os de quem são testas de ferro à escala internacional. Afinal, os verdadeiros responsáveis pela crise.
Tudo terá de começar pela verdadeira consciencialização dos povos europeus de que não se podem abster, como tem sucedido, de intervir na discussão das politicas europeias e na decisão de quem os representa. É necessário actuar e participar quando a isso somos chamados. As vergonhosas taxas de abstenção nas eleições europeias são disso um bom exemplo.
Se assim acontecer, ainda poderemos, um dia, vir a celebrar Atenas como um  reinício do sonho europeu caso contrário, será o marco histórico da falência de um projecto que grandes estadistas, coisa que agora não existe, um dia conceberam não para o bem de alguns mas para o benefício de todos. 

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