Pular para o conteúdo principal

1640, 1º. de Dezembro


É verdade, assumo-me como nacionalista naquilo que é mais importante - a preservação da cultura de um povo.
Conseguimos a nossa independência no Sec. XII, e assim nos mantivemos ao longo da história com um interregno, o filipino, porque culturalmente somos diferentes do povo com que fazemos fronteira.
Mas, no dia de hoje, fundamentalmente no dia de hoje, já depois de ter exaltado, no FB, D. Filipa de Vilhena, a portuguesa mãe que armou aos filhos cavaleiros para que dessem a vida pela Pátria ( nos nossos tempos diriam mais facilmente : Oh, filho, não te metas nisso porque podes arranjar problemas para o teu futuro...), recordo ainda outra mulher, a D. Luísa de Gusmão, que perante a vacilação de D. João de Bragança (o futuro D. João IV) lhe terá afirmado : "Antes rainha por um dia que serva toda a vida...!".
E recordo também as divisões que existiram nas elites do tempo, fundamentalmente na aristocracia portuguesa, em que uns  apoiavam a causa nacional e outros, a melhor recato, se mantinham do lado do ocupante. Nisto certas elites não mudam...
Tal como recordo que após a morte e defenestração de Miguel de Vasconcelos, o representante do poder estrangeiro que dominava o nosso país, foi perguntado à Duquesa de Mântua se queria sair pela porta ou galgar, também, pela janela...
Estamos quase a 4 séculos de distância mas, terrivelmente, continuamos a assistir a situações idênticas.
Migueis de Vasconcelos e Duquesas de Mântua continuam a existir por cá mas conjurados com vontade de mudar a situação, efectivamente, é que parece existirem ainda poucos.
A vontade de descaracterização desta data, porque nacional, levou inclusivamente à perca de categoria de feriado do dia de hoje. Há quem se sinta ufano por afirmar que vivemos em protectorado.
Não estamos, afinal, muito longe de 1640. Necessário é que existam mais fenómenos como o Manuelinho de Évora e apareça um D. Antão de Almada que disponibilize a casa para a conjura.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sonhar a terra livre e insubmissa

E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…