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Dos apelos à união nacional ou à União Nacional


Desde que o actual governo tomou posse tem sido prática em enumeros jornais quer televisivos, quer nas edições em papel ou na net, assim como nas redes sociais e na blogoesfera, o apelo à união nacional num esforço de todos para que o País possa levar de vencida os muitos desafios que tem pela frente.
Parece que esse desígnio, agora considerado fundamental, não o era quando o anterior governo estava em funções; nessa altura, a união nacional, não era considerada prioritária e muito pelo contrário, o importante era a divisão nacional, o confronto, tudo o que pudesse levar, por que meios fosse, à queda do executivo e à convocação de eleições antecipadas.
Até o posicionamento do actual e infeliz PR se alterou e da crítica acérrima, da convocação da rebeldia contra o anterior executivo, do permanente contributo para a suspeição sobre o anterior governo, se passou para uma agenda mitigada de críticas em que se avoluma a não já necessária protecção dos portugueses face às exigências da conjuntura, da impossibilidade de lhes serem pedidos mais sacrificios, mas para uma compreensiva necessidade de aceitar maiores sacrificios que aqueles que lhes eram pedidos anteriormente.
E o que, mais bizarro, sucede agora é quase um apelo para que os portugueses se constituam, a bem da Nação, numa União Nacional, em que se diluam as diferenças e apenas se foquem nos objectivos delineados pelo novo governo, aparte as exigências da troika, quase que, não o aceitando, possam vir a ser apodados de traidores à Pátria.
Não sei porquê (?) estou a sentir-me a retroceder aos meus vinte e tal anos...
Mas não é esse o bom caminho !
O bom caminho passa, sim, não só pelo cumprimento das nossas obrigações mas também pelo vincar das diferenças políticas, pelo confronto dos diferentes caminhos que poderão ser opção para delinear o futuro, pela assumpão de cada um do seu projecto. É na diferença e no confronto sério que se descobrem novas soluções , não o será nunca no arregimentar de um rebanho .
Os desígnios do actual poder e dos que o conduziram à liderança  do governo e a forma como se expressam apenas demonstra medo do futuro e dúvida sobre a sua capacidade de levar por diante as suas políticas face a uma possível reacção popular em contra corrente e, com isso, à falência do seu projecto.
Do muito que o amanhã nos reserva apenas uma coisa tenho a certeza:
O futuro passa por uma união (na diferença) nunca por uma União (indiferenciada).

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