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Tarde ou cedo descobria-se

Dizia-me alguém, há muitos anos, que não seguia ideologias mas sim homens.
Contrapunha eu que de nada serviriam os homens se não fossem enquadrados por ideologias.
Isto foi na época em que se afirmava, porque assim se tornava numa zona de conforto e sem necessidade de afirmação pessoal, que as ideologias tinham acabado ou terminado o seu prazo de validade, não existindo que diferenciar direita de esquerda, etc.
Situação que - hoje sabe-se - é do mais errado.
Nunca como, de novo, agora é necessário o enquadramento ideológico na definição dos actores políticos. Nunca, como agora, é necessário reforçarmo-nos ideologicamente e deixarmos de seguir homens sem ideologia ou declaradamente encriptados no que a isso se refere.
Nunca como, novamente, agora a necessidade de voltar à política pura e dura e combater sem peias todos aqueles que a secundarizam.
Nunca, como agora, a necessidade de voltarmos a ser uma democracia e não uma ditadura financeira.

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E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
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Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…