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Receio

Os cíclicos desaparecimentos de António José Seguro da primeira linha do combate e contestação política ao governo estão a tornar-se cada vez mais comprometedores.
Numa altura de enorme efervescência política o secretário geral do PS prima pela ausência e pela não afirmação política. Anda a fazer sessões de esclarecimento pelas bases do partido, a falar do OE 2014 com o resultado que se verá, ou seja, praticamente, nenhum. Pode, contudo, já estar a trabalhar para o próximo congresso do PS.
Há quem defenda, e eu estou de acordo, que AJS receia que, chegado ao poder, possa vir a ser confrontado com situações idênticas e procedendo desta maneira o faz para não poder ser acusado de ter tomado atitudes de confronto quando era oposição.
A ser assim, só pode ser considerado de uma forma. AJS não se considera à altura para fazer face a contestações populares uma vez no poder e /ou não ter a certeza de as suas opções em matéria política sejam suficientemente abrangentes e necessárias para criar uma plataforma de convergência popular à roda do seu programa e das suas medidas.
Por outro lado, também sabemos que AJS, que em devido tempo retirou apoio e contestou interna e parlamentarmente José Sócrates no fim do consolado deste, mais não fez, de seguida, do que tentar acompanhar o governo do PSD dando-lhe o benefício da dúvida.
O seu desaparecimento de actos públicos relacionados com a esquerda em sentido lato e não só, prenunciam apenas o receio de ser conotado com atitudes mais fortes, abalando o seu sentido táctico com que julga poder arrastar atrás de si aquele eleitorado que gosta de ver um candidato a 1º ministro bem comportadinho e sem se arrogar a atitudes mais "revolucionárias".
Como as coisas estão a caminhar talvez se venha a surpreender.
Alternativas à sua acção só o PS e os seu militantes poderão forjar, até porque, e do mesmo modo, a continuar da forma como se tem posicionado, do Costa não rezará a História.

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