sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Re-leitura pertinente

                     

                      "Não me falem de fé !

                        Eu não preciso de fé !

                        Basta-me morrer de frente
                         - nesta camaradagem
                        com todos os mortos de mãos dadas
                        que desde o princípio do mundo
                        não quiseram morrer inutilmente.

                         Fé ? Fé ?
                         Eu não preciso de fé !

                         Basta-me morrer de pé
                         num desdém de sol nascente."

                         José Gomes Ferreira
                          Poesia I - Heróicas - XXI

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A segunda frase do dia

"Lavoisier e as escutas

Na Justiça portuguesa nada se prova, mas também nada se perde, pois o PSD tudo transforma em miserável chicana política."

Com os agradecimentos ao "Aspirina B"
http://aspirinab.com/valupi/lavoisier-e-as-escutas/

A frase do dia

"Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

Segundo o DN on-line de hoje:
Para o coordenador nacional do Rumos Novos, José Leote, "o casamento não é um dogma da Igreja. O matrimónio sim". Sustenta: " O que os homossexuais católicos defendem é a possibilidade de casar, deixando ao magistério a possibilidade de abençoar ou não esse união". José Leote recorda, até, as palavras que um sacerdote lhe transmitiu recentemente: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

É de subscrever, não é ?

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ferreira Leite tem dúvidas políticas


acerca da questão das escutas de Vara/Sócrates.
Deve ser recordação dos contactos telefónicos que a senhora tinha com António Preto ou com a Helena Lopes da Costa que, apesar de acusados pela Justiça e um deles já a ser julgado, a presidente do PSD manteve nas listas de deputados à AR, tendo o primeiro sido eleito.
É interessante não ter tido dúvidas políticas com esses elementos.

Mensagem

Chega
   as mãos
      ao corpo.


          Comprime-as
      com força
            contra o peito
 e sente
         que respiras.


Sente
            que RESPIRAS


                  que ainda não estás
                 morto como julgas
               nem abandonado
         como pensas.

Clube dos "Desassossegados" - contribuição (III)







Absurdo

"Tornarmo-nos esfinges, ainda que falsas, até chegarmos ao ponto de já não sabermos quem somos. Porque, de resto, nós o que somos é esfinges falsas e não sabemos o que somos realmente. O único modo de estarmos de acordo com a vida é estarmos em desacordo com nós próprios. O absurdo é (o) divino.
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas - agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam -, talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros/ para/ não os ler; ir a concertos nem ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece."

Fernando Pessoa/Bernardo Soares
Livro do Desassossego /Textos de ficção poética e reflexão
-Expressamente incluídos em planos conhecidos do Autor - 1912/1913

Face Oculta

Assaltou-me uma pergunta :
Será que também o "Face Oculta" tem uma face oculta ?

Homossexuais católicos estão contra referendo

É a confusão nas hostes da crença.
Uns querem outros não e deve haver quem nem ligue ao assunto.
Na própria organização eclesiástica existem divergências.
Quando é que resolvem, de vez, deixar de misturar a discussão das leis do Estado com conceitos de ordem religiosa.
É que por uma questão até de respeito para consigo próprios não deviam proporcionar publicamente tal espectáculo.

Para conhecer esta última posição, aceda a
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1417171

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Proclamação - Ruy de Cinatti

Nestes dias em que tanta e tão douta gente tem falado e opinado sobre a relação e a convivência humana reli um pequeno poema de "O Livro do Nómada Meu Amigo" de Ruy de Cinatti que não quero deixar de vos transcrever.

  PROCLAMAÇÃO


  A natureza não desce
      A contratos. Nem a vida
Se mede pela razão.


    A vida é toda mistério.


      Quem largamente se deu
  Não ofendeu a justiça
   Mas viveu do coração.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um dia feliz

Sob este título escreve Daniel de Oliveira um post que não pode deixar de ser lido.
Um comunista pode defender a Liberdade como a idealizamos ? Pode e deve !

Para o ler aceda a :
 http://arrastao.org/sem-categoria/um-dia-feliz/

Conselho virtuoso




 Sê paciente; espera
          que a palavra amadureça
                  e se desprenda como um fruto
                     ao passar o vento que a mereça.


  Eugénio de Andrade
                   em os “Amantes sem dinheiro”

O "Muro" caiu há 20 anos


Foi demasiado importante para que pudessemos esquecer a efeméride. Mas não nos iludamos. Ainda existem muitos muros físicos para derrubar em todo o Mundo, creio que são 12,  assim como existem muitos outros "muros",sem pedra, ferro e argamassa, feitos de conceitos e procedimentos que nos aviltam a existência; e derrubá-los vai ser muito mais difícil .

Flecte, flecte, insiste, insiste...

"Bispos portugueses podem pedir referendo sobre casamento homossexual"
(Notícia de hoje da TSF online)

Esta gentinha não pára.
Não existe qualquer razão objectiva para tal referendo, como aliás já foi afirmado por alguns indefectíveis católicos.
Esta legislação civil cabe por inteiro na responsabilidade da AR.
Mas, já agora, considerando que poderia considerar a hipótese de referendo, que não aceito, porque não, então, referendar também a inimaginável Concordata, porque contrária à laicidade do Estado Português e promotora da primazia dada à igreja católica  face às demais crenças, assim como as disposições do Direito Canónico, mormente o casamento dos sacerdotes, a impossibilidade de ordenação das mulheres, a indissolubilidade do casamento religioso, etc. ?
Se se querem meter na vida e na  legislação civil têm de aceitar, também,  que a sociedade civil se possa imiscuir na vida e na  legislação que gere a própria igreja.
Mas por aqui podemos estar descansados. Eles não vão aceitar.
É uma questão de poder, e de obscurantismo necessário à sua sobrevivência, que a igreja não vai querer submeter à opinião pública .

domingo, 8 de novembro de 2009

Homossexualidade e casamento

Escreveu, no DN de ontem, o padre e filósofo Anselmo Borges um novo artigo cujo título corresponde ao título deste post.
Começa por fazer uma resenha das posições que ao longo dos tempos foram sendo transmitidas aos crentes; desde o Levítico, aos relatos sobre Sodoma e Gomorra e o incidente em casa de Lot, seguindo-se as posições de S. Tomás de Aquino, S. Paulo e do Catecismo da Igreja Católica, assim como uma posição tomada pelo Dalai Lama em 2001 e uma menção aos debates que têm vindo a suceder no seio da igreja Anglicana e que levou recentemente à cisão pelo movimento mais tradicionalista.
Mas o padre Anselmo Borges não se fica por aqui, o que seria extremamente fácil. Sai da esfera do religioso a acerca-se da parte civil e refere a posição de 1993 da Organização Mundial de saúde que excluí a homossexualidade da lista de doenças mentais. Menciona, igualmente, o apelo lançado por 66 países para que fosse universalmente despenalizada a homossexualidade. De notar que o Vaticano apoiou este apelo.
Afirma depois o articulista, e é esta independência que me faz não perder um artigo deste teólogo e professor universitário, que não existem razões para vedar o sacramento da comunhão a quem tem esta orientação sexual, após o que discorre sobre o casamento em si mesmo.
Anselmo Borges considera, e bem, que o Estado devia providenciar uma forma de união com consequências jurídicas semelhantes à dos casados heterossexuais. E então é que levanta aquilo que parece ser o fulcro da situação:
“...a questão reside em saber se há-de chamar-se casamento. O problema é mais do que religioso e as palavras não são indiferentes, pois não pode dar-se o mesmo nome ao que é diferente.”
Socorre-se para tanto das palavras do ateu Bertrand Russell sobre o casamento:
“...o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra : é uma instituição que, através do facto dela provirem filhos, forma parte da textura íntima da sociedade, e tem uma importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher...”
E conclui :
“Assim, o que a sociedade tem de resolver é se considera o casamento essa instituição ou uma mera contratualização de afectos.”
Pois bem. Mais uma vez saúdo o saber e a inteligência do padre Anselmo Borges para além do facto, não mencionado por Russell, dos casais hetero que não querem ou não podem ter filhos; não deixam de ser casamentos e não se baseiam só no prazer. No entanto, parece-me que o fundamental para que o assunto seja resolvido, é um problema de sinonímia ou de semântica, considerando neste último caso a evolução do significado da palavra.
O problema já não é entre casamento religioso ou civil.
O problema já não é o sexo dos nubentes.
O problema reside no que se lhe deve chamar.
Casamento, e para ir buscar o dicionário mais antigo que possuo, é a “União legal entre homem e mulher”, sendo casamento civil: o que se contrai perante as autoridades administrativas, com as formalidades legais.
Só à guisa de piada, no mesmo dicionário casamento também é sinónimo de “Boa harmonia”.
Pois é, mas isto são sinónimos baseados no tempo e na lei vigente à data da edição do dicionário, não sendo, contudo, muito diferentes dos actuais..
Mas o nosso tempo é outro, e as leis estão em permanente mutação.
Se vier a existir uma lei que diga que uma união administrativa contraída perante as autoridades, com as formalidades legais, pode ser estendida a pessoas do mesmo sexo, os dicionários de amanhã, certamente, farão cair a especificação de obrigatoriedade de serem de sexo diferente.
Daí o poder legalmente chamar-se casamento, sem peias nem artifícios, que parece ser o que se quer neste momento.
E voltando à “boa harmonia” essa consegue-se sempre que as pessoas dela possam desfrutar, seja o casamento “civil”, “canónico”, “de consciência” ou “de mão esquerda”.

Para consulta integral do artigo aceda a :
http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1413190&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tenho pena de ti, Cristo


Em vez de defenderem, os teus crentes, que estejas no seu coração, lutam para que estejas pendurado numa parede.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Clube dos "Desassossegados" - contribuição - II


Do “Livro do Desassossego”

Fase primitiva constituída por textos de Fernando Pessoa, ele próprio, ainda não atribuídos a Bernardo Soares.

18.07.1916

“Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou no cortamos. Resolvemos bruscamente, com o sentimento, os problemas da inteligência, fazêmo-lo ou por cansaço de pensar, ou por timidez de encontrar conclusões, ou pela necessidade absurda (?) de encontrar um apoio, ou pelo impulso gregário de regressar aos outros e à vida.
Como nunca podemos conhecer todos os elementos duma questão, nunca a podemos resolver.
Para atingir a verdade faltam-nos dados que bastem, processos intelectuais que esgotem a interpretação desses dados.”

A propósito das últimas posições da igreja católica

Desde quando uma organização teocrática dirigida e governada por alguém que tem o estatuto de infalível faz apelos à utilização de meios de consulta democrática ?
E  que bons exemplos semelhantes temos também , actualmente e desde há muito, noutra crença, no Irão ?
Como diz o povo:
"Faz o que eu digo não faças o que eu faço..."

Deambulações Oblíquas



Creio que todos temos poetas de referência.
Um dos que me acompanha desde há muito e por quem nutro grande estima é António Ramos Rosa.
Num dos seus últimos livros que li,  que me tem acompanhado, e não cesso de voltar a reviver as palavras
é o "Deambulações oblíquas", editado pela Quetzal em  2001.
Tem linhas como estas, e isto só para dar um cheirinho:

 "Morremos por estarmos a mais
e estar a mais é ir morrendo cada dia..."

ou

"Assim o poema é um peixe que nada em diversos níveis numa corrente
e às vezes desce ao fundo para repousar entre as pedras."

e tenho a certeza que sou acompanhado por muita gente nesta preferência.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um pouco de mim em 5 revelações



Desafiou-me o Henrique Antunes Ferreira, do " A minha Travessa do Ferreira ",a dar seguimento a esta "cadeia" em que cada um fala um pouco de si ou das suas experiências. O Humor ou a ausência dele são opção de cada autor.. Diz ele,  no seguimento do pedido que deixou , que aqui vai o texto com as regras.


1- Seguir as regras.
2- Levar o selo que identifica quem está, esteve ou estará na brincadeira. Colocar o selo no início da mensagem.
3- Completar as seguintes frases:

Eu já tive ...alturas em que considerei que era impossível viver neste Mundo.
Recordo-me perfeitamente dos tempos, ainda nos da outra senhora, em que olhavamos para as democracias lá fora como o máximo a que podiamos e devíamos aspirar. Era o Eden da nossa vida política. O poder votar livremente, o poder falar para o lado sem olhar primeiro por sobre as cabeças, tentando descobrir aqueles que andavem sempre de cabeça baixa mas olhavam a nossa boca e os nossos olhos.
Também tive alturas em que pensei que o caminho deste país era aquilo que tinha sonhado, uma sociedade linda, sem pressões, sem especulações, sem confusões.
Mas tive de aprender.
Bolas, eu tinha nascido na ditadura, não podia saber tudo. Ainda por cima nunca tinha saído do rectângulo, nem para a tropa, da qual tinha ficado livre por obra de maleitas da minha meninice.
Portanto, experiência só aquela que nos era trazida por alguns livros que nos iam chegando e, nas demais das vezes, vendidos já embrulhados e tirados à socapa de baixo do balcão.
Dos livros e dos contactos mascarados de grupos de poesia, grupos cénicos, clubes de cinema, tertulias de estudantes, encontros aqui e ali.
Foi um tempo dos diabos que ainda recordo mas do qual não sinto nostalgia, porque estava "preso"; eu e os outros todos que habitavam neste país. As nossas grades, que para muitos eram reais e com tortura, para nós, os cá de fora, eram só de tortura, não fisica, mas da outra que também marca gerações. A tortura da impossibilidade de ser.

Eu nunca...disse que era do Benfica !
T'arrenego, Satanás !
Eu, “Lagarto”, embora não empedrenido - quem o ganha não sou eu e convenhamos que ganham demais - se há coisa que me afecta, e resido na freguesia de Benfica, é passar junto à tubagem da unidade de transformação de lixos que existe na segunda circular de Lisboa, ali à esquerda, pouco antes de se chegar à entrada da IC19., ao pé do Fonte Nova .
E não sou fundamentalista, vejam lá se fosse...

Eu sei...que gostava de continuar a sentir-me útil, agora que passei à classe da utilidade mínima, isto é, já estou reformado e tenho netos.
Por isso mantenho um certo número de actividades que pelo menos me distanciem daquele amigo estrangeiro, o “Hall Zeimmer”, que tantas amizades pretende fazer na chamada terceira idade.
Por isso descobri, aqui na minha área.,aquilo a que chamo um "Centro-de-Dia-em-que-se-aprende-qualquer-coisa-e-nos-mantem-ocupados-umas-horas-diárias", aparte o gosto de continuar a gostar de navegar na net, e com um blog, promover a boa relação entre as pessoas e as ideias.

Eu quero... tendo recebido hoje, que amanhã ainda me reste o suficiente para poder viver até ao fim do mês.
É um problema antigo dos portugueses. Sobra sempre mais mês no fim do dinheiro. E agora não há patrão para meter um vale. Agora não vale de nada...

Eu sonho... que amanhã acordo e já nasceu o meu quinto neto. Ou melhor, neta. Já sabemos que é neta.
Longe vão os tempos em que, enquanto a mãe berrava com dores, o progenitor, contava os quadrados, normalmente pretos e brancos, que atapetavam o chão das salas de espera, ou entre portas, das clínicas especialisadas em nascimentos. Nessa altura, amigos, também a gente sofria.
Não havia ecografias digitalizadas, nem análises especiais. Era esperar, e esperar e esperar, e aguardar pelo desfecho que desejávamos, sempre, ser o melhor possível.
Era uma grande aventura o ser mãe, mas não menor, o ser pai.
E, agora, posso dizer, ser avô também encanita.
Afora isso, sonho, também, e a vida volta sempre ao princípio, que a minha neta que vai nascer, tal como os outros quatro, tenha no futuro um país em que vale a pena viver, democrático naquilo em que a palavra tem de mais profundo, solidário, naquilo que a humanidade tem de melhor, fraterno, na forma mais elevada de olhar o outro.
Enfim, só quero que sejam felizes e cidadãos de corpo inteiro.


E agora para continuar a cadeia, desafio, e tenho a certeza de que vai ser interessante,

Ana Paula Fitas do " A nossa candeia "
Ana Paula S. Belo do "Catharsis"
Maria Josefa Paias do "Restolhando"
Leonor Rosado do "Outro Sentido"
Analima do "Dias imperfeitos".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Caim de José Saramago


Já li.
Gostei do livro e até posso dizer que por diversas vezes me diverti .
Procurei nas suas 180 e tal páginas resíduos de escandalo; não encontrei.
Mais. Nada encontrei que não pudesse ser dito no enquadramento do próprio romance.
Não entendo a polémica gerada.
É mais um livro de Saramago, num estilo de fácil leitura, e entendível por qualquer pessoa.
Se põe alguma coisa em causa ? Põe ! Ainda bem.
Se não o fizesse não valia ter sido escrito. Este ou outro livro qualquer.
Para mim, assunto encerrado.

A Hora da Poesia- Rádio Vizela

www.mixcloud.com/Radiovizela/hora-da-poesia-entrevista-a-miguel-gomes-coelho-10072019/?fbclid=IwAR095cmi1MHhzKytias_ssHY3hooCm5P2TqODIjm7w...