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Cardeal Saraiva Martins - uma desilusão

Publicou hoje, o DN, uma entrevista com o Cardeal Saraiva Martins.
Não sou crente, por isso a minha observação nada tem a ver com conceitos religiosos, e como acredito que o pior que pode suceder às sociedades, sejam elas quais forem, é a mistura das religiões, sejam elas quais forem, na vida política quotidiana, no que de mais profundo tem a palavra política, propus-me ler a entrevista a olhar unicamente para o homem.
Pois tive uma grande desilusão.
O senhor cardeal, apesar de todos os cursos e doutoramentos, toda a experiência e todos os cargos
desempenhados na sua vida, não passa de um pároco de aldeia, obscuro, incapaz de assumir que a vida está para além do seu ofício - não esquecer que ser sacerdote é um ofício-.
Nesta entrevista é capaz de afirmar uma coisa e o seu contrário com o mesmo avontade com que se não distancia um milímetro de posições oficiais da sua religião.
Este homem não pensa, transcreve.
Uma desilusão para quem pensava haver dentro daquele corpinho anafado e bem tratado, algo mais do que apenas um padre cura. Da vida quotidiana, zero.
E é uma desilusão ainda maior quando já estamos habituados a que muito sacerdotes, nos seus mais diversos níveis, de diácono a cardeal, sejam pessoas evoluídas e que sabem onde termina a sua função profissional e onde começa a sua cidadania.
Dizer que a igreja actua porque está no Mundo é o mesmo que considerá-la ao nível da PSP ou da GNR.
Aliás não está muito longe, corporativamente falando, só existe para policiar ...

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