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Um novo artigo do Padre Anselmo Borges

Como já vos tenho dito existem pessoas que sou incapaz de não ler.
Devorador matinal de jornais e de informação televisiva e pela internet, tenho os meus articulistas de eleição. De entre eles sobressai o padre e filósofo Anselmo Borges.
Na edição de sábado do DN disserta o padre sobre o feriado (8/12) da Imaculada Conceição.
Eu sei que sou um não crente mas esse facto não me retira o sentido crítico sobre os textos que leio, mesmo os escritos por padres e sobre assuntos de religião.
Pois o autor, contestando a teoria de Santo Agostinho sobre o pecado original, faz em poucas linhas uma aproximação ao assunto -A imaculada Conceição- em que, discernindo, chega a concluir que, e cito, "Nascer é vir à luz e dar à luz não mancha a mãe, como supõe a doutrina da virgindade de Maria".
Esta frase deverá alegrar a maioria das cristãs que, porventura tenham estado até hoje reféns de uma doutrina abjecta que tem sido transmitida de geração em geração.
Pessoalmente, e porque tal não é questão, não me altera em nada o que penso ou já pensava.O que me satisfaz é ver um sacerdote, sobretudo ver um homem, que não tem medo de olhar a vida com um olhar contemporâneo e progressista e avisado.
Este padre não faz parte daquele grupo que, há quem diga, eu não me canso de combater.

Comentários

Mlee disse…
É engraçado, eu por acaso, não vejo a questão da virgindade de Maria como um "sujar" da divindidade, mas sim como um querer de paternidade divina.

Deus a querer dar a Jesus a paternidade e a maternidade necessárias - metade humano e metade Deus.

A concepção é imaculada nesse sentido, é imaculada de carne porque Deus quis encarnar e por isso foi pai.

Qualquer concepção maternal é uma maravilha da natureza. Ninguém mais do que eu sabe que é assim ...

É só uma reflexão algo filosófico-religiosa sobre o tema ... acima de tudo, sem detrimento do elevado respeito e genuína adoração pelo autor do post :)

beijuka
T.Mike disse…
Mlee,
Pois é isso mesmo que descreves.
Acertaste na "mouche".
É isso mesmo que Anselmo Borges escreve.
Agradeço-te a consideração, que sabes que é mútua e extrema, e fico contente, apesar da minha falta de fé, que penses dessa maneira.
Mas para ficares ciente do artigo, lê-o que vale a pena. Se não o encontrares, eu mando-te e ficarás a conhecer a opinião de um sacerdote que é coincidente com a tua.
Beijos.

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