terça-feira, 29 de setembro de 2009

Legislaticas 2009 (II)


É um facto que teve um extraordinário aumento de votos.
O seu objectivo primordial foi o combate contra o PS e conseguiu "roubar-lhe" uma ou duas centenas de milhares de votos, retirando-lhe, assim, a possibilidade da maioria absoluta.
Mas de tanto olhar para o PS esqueceu-se que à direita também existem populistas capazes de arrebanhar votos e Louçã foi ultrapassado, contra todas as previsões, pelo PP de /Paulo Portas.
Não deixou de ser um erro de análise política que lhe custou o lugar previligiado que tinha na cena política nacional assim como lhe retirou a influência parlamentar com que chegou a sonhar.
Louçã, tendo ganho algo, perdeu objectivamentge em termos de influência.
Sócrates tinha razão. Ao querer enfraquecer o PS, Louçã, ajudou a fortalecer a direita, dando a esta, objectivamente, a posição de charneira no panorama partidário português.

2 comentários:

Reverendíssimo João Misson Negra, Papa Discordiano disse...

No entanto é desde que o Bloco obteve representação parlamentar que PSD+CDS nunca mais conseguiram maioria absoluta na Assembleia.

O PS tem sistemáticamente querido enfraquecer o Bloco, quer chumbando as suas propostas nos famigerados "temas fracturantes" mas adoptando-as depois como suas, o que é óptimo, e algum mérito o Bloco terá nisso, ao manter certas questões na agenda política. Como isto não é futebol, o que importa é que as coisas aconteçam, não tanto o nome do jogador que marcou os golos. É muito fácil ser destrutivo em relação ao Bloco, mas a verdade é que sem ele, apesar de tudo e uma vez que o PS é um partido cujo lider mais forte desde Soares vem da JSD, e tão envolvido com o Poder que quando está no governo se alguma vez comete o tão apregoado crime da asfixia democrática e arrogância o faz muitas vezes internamente - Carrilho pateado e atacado com urros animalescos num congresso no tempo de Guterres, durante uma intervenção que era tão pertinente que pouco depois tudo aquilo que os brutos se recusaram a ouvir, acabou por acontecer com o tristíssimo atirar da toalha ao chão por Guterres depois duma derrota nas autáquicas (!!!???),
com todo o prejuizo para o país que daí decorreu - vitória do PSD, discurso da tanga, Ferreira Leite nas finanças, Santana Lopes primeiro-ministro (decisão do Presidente Jorge Sampaio, depois de prolongada reflexão e auscultação do "país"),

ou a "traição" a Manuel Alegre e uma derrota aparentemente desejada nas presidenciais - sábia decisão de Sócrates de apoiar Mário Soares com Alegre na corrida, a ela devemos hoje o belo exemplar de Presidente da República que aí está para todos admirarmos. Ana Gomes e os aviões da CIA é outro caso um pouco triste, embora nesse caso, se compreenda que não convém hostilizar os donos do mundo. Mas a dúvida acerca de qual seria o comportamento se Sócrates se ele fosse primeiro-ministro quando a criminosa guerra do Iraque foi anunciada nos nossos Açores - uma vez que Blair, esse ingénuo, parece ser uma referência para os socialistas. O Bloco eu não tenho dúvidas que nunca pactuaria com tal patifaria, o PS de Sócrates, com maioria absoluta, já me deixa dúvidas. Mas voltando aos factos e pedindo desde já perdão por estas minhas especulações;

Sócrates (ele próprio o lider mais à direita que o PS alguma vez teve) a acusar Louçã de ajudar a fortalecer a direita,

quando ao Bloco se deve o PPD/PSD + CDS/PP nunca mais terem conseguido juntos ter mais votos que os restantes partidos,

dá uma certa vontade de rir (ou chorar, não, rir é melhor).

Era muito mais inteligente se ambos os partidos, ambos, repito, se procurassem entender sobre o que os une e ser construtivo. O tempo não vai voltar para trás. O PS que é apesar de tudo o único partido capaz para liderar a governação de Portugaldevia ter a sabedoria de não descer ao nível do BE quando este surge no seu pior, aceitar que este existe e que é o único partido que pode tornar-se um parceiro válido, e compreender que caso contrário continuará a alienar mais e mais votantes e a eventualmente voltar a oferecer o poder à direita, mesmo que a maioria dos votos e dos mandatos na AR, ou seja, "a vontade do povo", esteja à esquerda.

Reverendíssimo João Misson Negra, Papa Discordiano disse...

Porque não olhar para os sinais positivos,
eu ouvi Louçã dizer com toda a clareza num dos debates ou entrevistas que não lhe era indiferente que fosse PS ou PSD a ganhar as eleições e que era óbviamente o PS que ele considerava desejavel ganhar as eleições.

O PS como partido mais maduro, mais adulto e responsável, quanto mais agir como tal em relação ao BE, melhor para o país,

basta olhar para as declarações pós-declaração do Presidente Cavaco,
a do indivíduo do PCP (que conseguiu ser tão rasca como a do Presidente,

e a de Luis Fazenda para perceber que ambos os partidos, PS e BE têm de perder o medo de se entenderem, se é que realmente colocam o interesse do país acima dos jobs for the boys.

Eu sei que Louçã é por vezes embaraçoso, e ridiculo, mas Sócrates com as suas intervenções em espanholês ou ainda pior, em "inglês", na euforia das cerimónias do Tratado de Lisboa, em que foi motivo de risota quase impossível de conter por parte dos seus homónimos, também está longe de ser perfeito -

se em vez de uma maioria absoluta em que apenas o lider aparece focado, e tudo o resto PS tivesse de governar com outro partido, talvez alguém já tivesse tido a bondade e coragem de dizer ao senhor para ir assistir a umas aulas de inglês da pré-primária, que irónicamente até foi uma das suas boas medidas, ou se não se sente à vontade com estudantes que não sejam contratados por empresas de figuração, ao menos um desses métodos de iniciação ao inglês com CDs, porque o inglês técnico em que passou com tão boa avaliação (aí está um professor que gostaria de ver avaliado), não lhe serve de muito nesta vida de primeiro-ministro, mas o inglês básico ser-lhe-ia extremamente útil.

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