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Gostava de ter os olhos em bico

Não tenho ideia de alguma vez ter conhecido um povo como o português no que toca a prejudicar-se a si próprio quando se lhe deparam grandes problemas.
Um exemplo disso é, na actualidade, a facilidade com que, quer na Comunicação Social quer na "vox populi", se faz o possível para que os problemas com que o país se confronta sejam empolados de forma evidente, esquecendo, como neste caso, que estamos a ser observados enquanto Nação capaz, pelas mais diversas instituições internacionais e estados.
Parece que a teoria do quanto pior melhor faz curso permanente no nosso país não se lembrando os seus cidadãos que estão a preparar a cama em que se hão-de deitar amanhã, e que quanto pior fizerem, quanto mais divididos se apresentarem, piores condições irão encontrar no futuro. Quem pensar que vai ganhar algo com isso, engana-se!
Numa altura em que as dificuldades se avolumam, esperava-se que todos nós, e não só a classe dita política porque politicos somos todos, tivessemos o Sentido de Estado suficientemente desenvolvido para pensarmos em termos de Povo, não unido apenas nas canções e nos cartazes, mas na esperança na recuperação e construção de uma sociedade mais próspera e para isso é necessário o contributo de todos.
Recordo-me sempre dos paises destruídos pela Grande Guerra que à força de empenho e trabalho conjunto, aliado a um imenso orgulho nacional, se transformaram, de novo, em grandes potencias  económicas e culturais. Recordo o actual Japão, assolado de tragédias, que demonstra sempre, apesar da luta política que sempre existe, um elevadíssimo sentido nacional na ultrapassagem dos problemas que os afectam e, tudo isso, sempre dentro do seu inesgotável civismo e sentido nacional.
Por cá, apesar das imensas dificuldades, continuamos a degladiar-nos, dando um espectáculo indecoroso perante mundo, esperando sempre ganhos individuais e/ou de grupo que nada têm a ver com os grandes desígnios que nos deviam nortear.
Alturas existem em que gostava que todos tivessemos os "olhos em bico"...

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José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
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Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
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