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Tomar posição

Daqui a cerca de um mês vamos todos ser chamados a exercer, novamente, o nosso direito de voto mas, agora, para as Legislativas. E vamos ser chamados porque, não sendo o voto obrigatório no nosso país, apenas compete ao Estado mobilizar os cidadãos para o cumprimento desse dever cívico e político. A desmobilização dos eleitores portugueses face ao cumprimento do seu dever de voto tem sido evidente nos últimos actos eleitorais com uma subida assustadora da abstenção; daí que a primeira tomada de posição seja a de proclamar a necessidade de haver uma manifestação maciça contra a abstenção acorrendo todos às urnas e expressando a sua escolha política. Ninguém deve ficar de fora. O momento que o país atravessa com as diferentes perspectivas de futuro que nos são apresentadas pelas diferentes forças políticas é por demais importante para que alguém ignore o acto eleitoral, para que alguém ouse esquecer as suas obrigações para com o colectivo a que pertence.
O tomar uma posição política é o segundo aspecto de que se reveste o acto eleitoral.
Com a apresentação do programa do Partido Socialista ficam desde já balizadas as opções políticas. O que desejam os cidadãos para o futuro do país fica agora de escolha mais clara pois sabem-se já as posições globais de todas as forças políticas, embora algumas ainda não tenham posto, preto no branco, aquilo que desejam transmitir e as especificidades das suas propostas; mas o sumo do seu fruto já é por demais conhecido. E é aí que o cidadão eleitor tem de fazer as suas escolhas; é aí que o cidadão eleitor tem de tomar a consciência daquilo que deseja e responder, no futuro, pela sua tomada de posição. Ninguém terá desculpa na opção que tomou; seremos todos co-responsáveis pelos resultados os acto eleitoral e pela relação de forças que dele sair para a constituição do novo governo.
Sabemos que é desejável a constituição de um governo de maioria alargada mas tal só será possível se todos os partidos estiverem dispostos a negociar esse mesmo  alargamento, daí que, sabendo de antemão que existe já quem se exclua desse facto, não deixando grandes esperanças de contributo, mais importante ainda se torna a decisão do voto popular.
Há que tomar posição !
Temos, obrigatóriamente, de dizer o que queremos e arcar com as responsabilidades.
Acabou-se o tempo de deixar aos outros a expressão das nossas opções.
Temos de nos apresentar ao Mundo como senhores da nossa vontade e verdadeiramente decididos a tomar a responsabilidade pelo nosso futuro.
Gritar contra algo para que não quizemos contribuir não é mais aceitável. Temos de nos assumir como cidadãos de corpo inteiro e conscientes das nossas opções.

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