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Não acham que chegou a altura do ouvir o cidadão comum ?

E se nos deixassemos de "có-cós"  ?
No meio de tanta observação de técnicos altamente qualificados sobre os mais diversos temas da política económica nacional e internacional o que pensa o cidadão comum ?
Sim, aquele que paga e que sofre mas que simultâneamente tem uma visão de conjunto da vida baseada na sobrevivência no dia a dia. Acham, senhores, que eles estão preocupados com o atraso de 10/12 horas na entrega do resto da documentação do OE 2011 ?
É claro que consideram ter sido um mau passo, que o Ministério da Finanças devia ter sido mais rigoroso, que foi um sinal negativo, mas ficam-se por aí. Essas tais 10 ou 12 horas, mais a mais durante a madrugada, em nada alteraram o seguimento do processo e os mais prejudicados terão sido os orgãos da Comunicação Social que tiveram de guardar as "parragonas" para o dia seguinte e os partidos políticos que não puderam começar a fazer fogo logo pela manhâzinha.
Foi negativo mas em termos práticos por aí se fica.
Quanto ao resto, o cidadão comum, não foi apanhado desprevenido.
Há muito que esperavam que o teor do orçamento fosse este; pelo menos os mais avisados ou os mais experientes da vida que há muito já tinham entendido que o rumo de endividamento neste país a esta situação iria conduzir.
Quem não esperava ?
Sim, há quem não esperasse mas, esses, são precisamente aqueles para quem o rumo da vida do país pouco interessa, só os seus interesses pessoais contam, aqueles que dizendo que nenhum interesse têm pela política, apenas se aconchegam num cantinho do seu  "quintal" e de pouco lhes preocupa a situação do vizinho. Mas quando lhes toca protestam !
Em Portugal, e não só em Portugal, os cidadãos só acordam quando lhes vão à carteira. Têm todos o coração à esquerda mas a carteira à direita. A grande maioria barafusta contra as grandes remunerações, as grandes mordomias enquanto não as recebem.
Dirão que tenho em muito má conta uma fatia grande da nossa população.É verdade, tenho sim senhor.
Lastimo profundamente a situação difícil de cerca de 20% da população portuguesa que vivem, se isso se considera viver, no limiar da pobresa. Sinto uma profunda revolta por este país, 36 anos após Abril, ainda não ter conseguido saber redistribuir a riqueza de uma forma equilibrada. Preocupa-me, sobremaneira, os caminhos que algumas funções do Estado têm percorrido, mormente na Justiça. Mas nada disso, todas essas preocupações, invalidam a percepção que tenho da realidade e que muitos dos nossos problemas se devem a um deficiente julgamento do que é um Estado, para muitos uma entidade que é um poço sem fundo, com rotativas em permanente funcionamento para a emissão de papel moeda. Como vão longe. e ainda bem, esses tempos.
Mas não ficamos por aqui.
Ainda existe o problema europeu, a situação politico-económica da UE, organização multinacional que para muitos, onde me incluo, era a panaceia para muitos dos nossos males e uma certeza de desenvolvimento. Pois, também a UE, está à deriva, sem dirigentes à altura nem projecto que aglutine todos os seus povos. Uma organização de Estados iguais mas onde alguns são mais iguais que outros. Uma organização cujas cúpulas, actualmente, vivem divorciadas do que os cidadãos europeus desejam. Mas também aí temos de ser conscientes. As cúpulas europeias provêm do voto dos cidadãos europeus para o seu parlamento. Se existe a actual composição parlamentar só aos cidadãos se deve, não se podem queixar.
Se nada se fizer a UE entra em falência em pouco tempo, e infelizmente, vamos voltar a saber o que é viver agarrados à nossa própria sorte e às nossas próprias insuficiências e incapacidades.
É, pois, altura de olhar para tudo isto com sentido crítico, desapaixonado, e tentar compreender o que poderá vir a ser o futuro conforne as opções que  tomarmos hoje.
De nada nos vale apregoar que existem soluções que não existem ou que, contrariamente, seremos capazes, por passos de mágica duvidosa, atingir o Eden .
Uma coisa é certa. Há passos difíceis que temos de dar; querem dá-los ou não ?
Da decisão que tomarmos dependem as consequências que sofreremos, boas ou más, mas ninguém poderá vir a  aplaudir ou recriminar, amanhã, que a virtude ou a culpa é de outrem. O que suceder a todos nós se deverá, seja em que sentido for.

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