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A honra perdida dos direitos

Hoje, no Forum do DN, pag.55, os convidados António Carvalho Santos (Juiz desembargador) e João Araújo (Advogado), dissertam sobre o assunto em título.
Recomendo profundamente a sua leitura, muito embora, a espassos, a linguagem seja um pouco difícil para o comum dos mortais. Contudo, e porque não é assim tão difícil, não deixem de apreciar o artigo.
Deixo-lhes algumas passagens :
  • -"Crime de atentado contra o Estado de direito é alguma actuação concreta ou projectada que visa retirar aos cidadãos os direitos fundamentais; vida, dignidade, liberdade, no quadro das institucional da democracia."
  • -"Ao visarem sempre, e só sempre, abolir, esmagar ou reduzir ao intolerável uma sobrevivência respeitosa das pessoas e das entidades no campo concreto e social das diversas vias de nos decidirmos."
  • -"Anos a fio, cidadãos foram condenados a pesadas penas, com procuradores e juizes (quantos servis, quantos convencidos?) com a defesa tolhida, por atentado contra a segurança do Estado, por simples dissidência."
  • -"Subverter o Estado de direito implica mudança sistémica que não permita o exercício dos direitos e das liberdades, que seja contra a regra um cidadão/um voto, contra os julgamentos isentos, contra os governos de confiança parlamentar, a favor de nenhum calendário eleitoral."
  • -"E não é isto que se passa na presente crise."
  • -"Através do discurso jurídico de oportunidade, da simulação de direitos perdidos ou ganhos, desaba a honra dos juristas...."

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E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…