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Um Natal fora de época

Pois é, o Dia de Reis já foi e com isso se chegou ao fim oficial da quadra de Natal.
Mas, e repetindo uma frase que eu detesto, mas que neste caso foi verdade, "O Natal é quando um homem quiser...", porque estive ausente, só ontem, e para gáudio dos mais pequenos, os crescidos não o dizem mas também o sentem, lá consegui reunir os mais chegados, residentes em Lisboa, e fazer a distribuição de prendas que ficou adiada.
Claro que tudo tinha subjacente, para a criançada, que o dito Pai Natal, ao fazer a distribuição, tinha deixado parte na Alemanha e que os viajantes lhe tinham feito o favor de a transportar para cá.
E lá voltaram os sorrisos maravilhados e a certeza do cumprimento, por parte do barbudo branco, do desejado em cartas e empenhos antes expressos endereçados a um marco só existente na fantasia.
E lá fiquei eu, ficámos, enternecidos e agradados por termos podido, mais uma vez, contribuir para mais uns momentitos de felicidade infantil e não só.
E então renovei minha certeza, já antes expressa, que o Natal, sempre que é possível, é uma festa essencialmente de família, independentemente de outros significados, que até por se encontrarem na sua génese, hoje, só muito excepcionalmente são lembrados por razões meramente religiosas, mas numa percentagem altamente reduzida.
Mas este" post" não é para polémicas mas sim para celebrar.
Ontem, felizmente, tive uma nova festa de Natal este ano, e porque eu quis, e isso agradeço à família.

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José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

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Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
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Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…