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5 de Junho, afinal votamos em quem ?


Com a evolução natural da vida política portuguesa as eleições legislativas transformaram-se na eleição de uma figura para Primeiro Ministro. Contudo o país está dividido em circulos eleitorais distritais, com listas próprias. Assim, em Lisboa, por exemplo, a escolha dos candidatos debate-se entre listas partidárias lideradas por Ferro Rodrigues, Fernando Nobre, Teresa Caeiro, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, só para falar nos partidos representados na AR.
Estranhamente, ou talvez não, os líderes dos dois maiores partidos - PS e PSD- apresentam-se por circulos eleitorais da província, no caso Castelo Branco e Vila Real.
Poder-se-á criar, por esse facto, ums situação de ambiguidade ao cidadão eleitor na justa medida em que, querendo contribuir com o seu voto para a eleição de uma determinada figura para PM poderá estar a eleger, a nível de circulo, alguém que lhe não interesse minimamente como deputado.
São os efeitos da personalização da vida política portuguesa que adultera o espírito da constituição de circulos eleitorais com deputados eleitos por esses mesmos circulos e sobre quem os eleitores devem exercer o seu escrutínio de actividade parlamentar.
É uma preversão do sistema.
E o caso de Lisboa é disso exemplo, onde aparecem 5 políticos experimentados e um recentemente derrotado nas eleições presidenciais onde se verificou a sua total incapacidade política - estamos, claro, a falar de Fernando Nobre.
Assim, para sermos coerentes, e dentro do espírito de voto por circulos, é nas listas lideradas por estes candidatos que deveríamos exercer o nosso direito de voto. É aí que devemos, em primeiro lugar, exercer o nosso direito de escolha.
Por mim, que não tenho dúvidas sobre o meu voto, esse problema não se põe já que apoio incontesávelmente a lista liderada por Ferro Rodrigues, mas para muitos outros, talvez, não seja tão fácil dadas as muitas resistências que alguns candidatos merecem.
A ver vamos

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