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Do animal feroz ao gato amestrado

Quem tem acompanhado, desde o dia 21 de Junho, a evolução política portuguesa não pode deixar de se espantar.
Parece, em certas situações, que voltámos ao 24 de Abril em que fazendo oposição declaradamente ao Poder apenas existia uma força de todos conhecida - o Partido Comunista. E hoje estamos na mesma!
A contrariar, efectivamente e em termos públicos, o actual governo apenas se tem apresentado o partido de Jerónimo de Sousa. É certo que para isso trabalhou e trabalha; esta é a situação que sempre desejou - um governo de direita para poder dar aso a toda a sua militância de contestação. Para que isso sucedesse aliou-se, inclusivamente, a essa mesma direita, para derrubar o governo anterior dirijido pelo seu arqui-inimigo, o Partido Socialista.
Perguntarão, e muito bem, sim e o resto?
Os restantes partidos neste momento ou não existem ou hibernam.
O Bloco está a caminhar heroicamente para a inexistência e o Partido Socialista, cordatamente, e infelizmente, dirige-se, como nos  piores momentos do seu passado, para uma sonolenta oposição, sem chama nem desígnio palpável, à semelhança do que é o habitual comportamento do seu eleito Secretário Geral.
O Partido Socialista deixou de ser dirigido por uma animal feroz para o ser, agora, por um gato amestrado.
Contudo, e isto é que se torna deveras importante, é que o mal estar já se nota nas hostes partidárias e nos apoiantes anónimos.
Não haverá por lá ninguém que dê um berro e um murro na mesa ?
É que assim isto vai mal ! Entregues a extremos, direita e comunistas, onde se poderão albergar os eleitores da esquerda democrática que não se revêm naqueles projectos ?
A pergunta fica; a resposta há-de vir, se alguma vez vier ou, se alguém acordar da sonolência.



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