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Ainda bem, Passos Coelho! Porquê?


Era previsível a victória de Passos Coelho para a Presidência do PSD.
Qual formiguinha, nos últimos dois anos, foi paulatinamente construindo o seu caminho dentro da partido, alheando-se das lutas e das tricas, aparecendo com uma imagem de credibilidade perante os militantes de base, capaz de os fazer sonhar com o poder, não tanto pelo projecto político que defende, em nada social-democrata, mas por se poder (?) traduzir a curto (?) prazo num regresso do PSD ao palacete de S. Bento.
E no PSD isso é o importante, não a ideologia que formata o partido em si mesmo.
Mas ainda bem, porquê?
Porque aparecendo Passos Coelho como um indesejado pelo aparelho partidário demasiadamente ligado ao legado cavaquista, é mais do que óbvio que a partir de agora, destronados que foram os barões e baronetes apostados na manutenção do poder  dentro do partido, se vai assistir mais ao debate político e não a quesílias e processos de intenção baseados em pequenos ódios e incompreensões pessoais que dominaram o consulado de Manuela Ferreira Leite.
E se, com a profunda derrota do populismo de Rangel alcandorado a "enfant terrible" do partido e que se demonstrou um fiasco político para lá da sua habilidade de tribuno, pôde emergir uma corrente declaradamente liberal, mais chegada à direita, que é o projecto de Passos Coelho, tal se torna altamente benéfico para a definição politico-partidária no país com influência no futuro de outras forças políticas como é o caso, indevidamente esquecido, de Paulo Portas e do CDS. Por outro lado, os resquícios de social-democracia que ainda existiam no PSD, e que nestas directas eram representados por Aguiar Branco, foram varridos para debaixo do tapete da S. Caetano, com uma votação ínfima, o que diz bem do caos em que se tornou o pensamento formal dentro do partido. E ainda diz Pedro Passos Coelho que o PSD não é um saco de gatos...
Mas será só o PS e Sócrates a temer com a ascensão deste político jovem e determinado ?
É aqui que os analistas se esquecem de Paulo Portas e do CDS. Com esta definição do PSD mais à direita, P.P. vê entrar no seu espaço político alguém que lhe vai retirar margem de manobra, no qual estava à vontade para poder  condicionar e entrentar o Governo, quer pela postura mas também, e fundamentalmente, pelas propostas económicas e sociais, que lhe são muito mais, se não concomitantemente, próximas.
Portanto, Portas é o primeiro a temer concorrência.
À esquerda, perdida que foi a aliança contra-natura com Manuela Ferreira Leite no desgaste governamental, iniciar-se-à uma luta ideológica, contra o liberalismo de Passos Coelho; e aqui não será apenas o BE e o PCP. O PS terá todo o interesse em vincar a distinção dos projectos políticos, colando o PSD ainda mais para a direita parlamentar. Aqui se confrontarão as teorias de mais ou menos Estado; mais ou menos segurança estatal face às contigências dos mercados de trabalho e segurança quer social quer no ambito se SNS.
Mas e PS e Sócrates ?
Terão de ser confrontados com a sua permanente tentaiva de ganhar o centro político que agora se tornará mais problemático. Será necessário ao PS e a Sócrates fazer vingar a sua teoria de um Estado mais do que regulador, interveniente na salvaguarda dos direitos e ambições dos cidadãos, coisa que não está nem estará expressa nas políticas de Passos Coelho.
É que não esqueçamos. Quem vota quer o maior benefício mas também não aceita o maior prejuizo. Esta também será uma das permissas com que se debaterá Pedro Passos Coelho na sua deriva liberal.
Portanto, ainda bem que o PSD tem um novo líder com propostas vincadas ideológicamente.
O PS terá, pela primeira vez, e de forma positiva, uma política com que se defrontar e mostrar os benefícios da sua.
O CDS terá de fazer pela vida se não quer perder o pé na sua área de influência.
O BE e o Bloco de Esquerda terão a oportunidade de, contrariamente ao sucedido até agora, ter, não um inimigo de estimação, mas um contendor ideológico a que se dedicar, a não ser que se esvaziem ou perfiram ter uma direita que lhes mantenha um passaporte para a contestação. Na realidade o BE e o PCP sempre preferiram manter no poder grandes adversários ideológicos que lhes mantêm o estatuto de oposição aguerrida em vez de um Partido Socialista que lhes disputa o espaço e os confronta nas suas próprias intenções políticas.
Por isso, Pedro Passos Coelho é benvindo. Vai obrigar à definição partidária à esquerda e à direita e acabar com situações dúbias.
Agora, será bom para o PSD ? Essa é a grande incógnita!
Passos Coelho será o que os seus correlegionários deixarem que seja. O que o poder dentro do partido o deixar fazer.
Mais interessante será observar, futuramente, o que dirão os Pachecos, os Jardins e os Graça Mouras.É aí que se vai jogar o futuro de Passos Coelho na política nacional. Será dentro do seu próprio partido, não cá fora.
E ele sabe-o...e Sócrates também...

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