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Eu não quero um Presidente de joelhos

Todo o discurso do candidato Cavaco Silva é o de um subserviente.
Já tinhamos assistido à inqualificável prestação presidencial aquando da visita à República Checa em que o país foi desclassdificado politicamente pelo homólogo checo perante a incapacidade e a falta de espinha  dorsal do presidente português em dar resposta à afronta. Calou-se e demonstrou a sua verdadeira face de esdtadista de trazer por casa.
Temos agora, nos seus mais recentes discursos, a assumpção de uma total incapacidade de, em nome do país e do seu povo, fazer frente aos desmandos internacionais que estão a pôr em cheque a sobrevivência económica e financeira de Portugal. Portugal não tem um defensor em Belém, tem um colaborador em Belém.
Cavaco quer aproveitar uma possível intervenção estrangeira a nível das finanças para poder recolocar o seu verdadeiro programa de liberalização total do regime. As declarações de que não aguarda a intervenção do FMI soam a falso perante um discurso em que apela à subserviência nacional face aos financiadores externos, frente aos quais se não podem fazer valer os direitos de soberania, mas, sim, genoflectir e agradecer aos todo poderosos mercados por mais descabeladas que sejam as suas exigências. Todos os sinais que dá para o exterior são os de que está à espera e nisso se incluem os encapotados avisos ao governo de que fará valer os seus poderes presidenciais, caso venha a ser reeleito, leia-se, demitir o governo e provocar eleições parlamentares. A entrevista de hoje, de Passos Coelho, seu correlegionário,  é a cereja em cima do bolo.
Que pena não termos um Lula da Silva em Belém.
Esse, que fez frente ao FMI e aos mercados, sem medos e certo da sua razão e dos interesses do seu país o que levou o Brasil a transformar-se numa potência económica mundial sem nunca pôr em causa, muito antes pelo contrário, os mais desfavorecidos. Lula nunca mandaria uma mulher pedir esmola a particulares como o fez o candidato Cavaco Silva, ontem, em Almada.
E para já não falar  noutros sintomas de subserviência como os que demonstra relativamente à Igreja católica; para não falar na utilização de um discurso do medo, em que é sintomático o medo do candidato, perante alternativas que classifica de radicais e extremistas- sem mim é o dilúvio - e me faz lembrar o velho inquilino de S. Bento, e em cuja política, aliás, se encontrava integrado, nas suas diatribes contra os comunistas e qualquer outro tipo de oposição ao regime.
Cavaco, neste momento, não serve ao país (se alguma vez serviu...).
Pragmatismo político é uma coisa, subserviência é outra .

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