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Um sorrir amargo perante o incompreensível

No blogue " Da Literatura", Eduardo Pitta, escreve de forma irónica mas assertiva acerca das conclusões do Projecto Farol.
É um texto que nos convoca à reflexão; por isso aqui o deixo para Vossa leitura :

"O Projecto Farol divulgou as conclusões de um inquérito sobre a realidade nacional: As escolhas dos Portugueses e o Projecto Farol. Responderam 1002 pessoas: quase todas desconfiam da classe política (94%), dos governos (90%), dos partidos políticos (89%), do Parlamento (84%) e da máquina do Estado (75%). Até aqui, nada de surpreendente.


Mas 46% dos inquiridos considera as condições de vida, no presente, piores ou mesmo muito piores que antes de Abril de 1974. Num primeiro momento, fiquei perplexo. Pensei mesmo: fizeram o inquérito na Quinta da Marinha e na Foz. Vendo bem, está certo.

Antes de Abril de 1974, a pequena-burguesia vivia em casas arrendadas, não tinha carro, não era titular de cartões de crédito, punha os filhos no ensino público, via cinema do 2.º balcão, bebia galões e capilé, comia bife de quinze em quinze dias, abominava ansiolíticos, ia ao Parque Mayer, fazia férias em Monfortinho, jantava fora quatro vezes por ano e mandava virar os colarinhos das camisas. Os mais afoitos iam a Badajoz comprar caramelos uma vez por ano. Hoje chama-se classe-média à pequena-burguesia."

Para ler na totalidade aceda a :
http://daliteratura.blogspot.com/2011/01/dantes-e-que-era.html

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não apenas de versos   mas de vida.

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ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
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José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

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Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
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