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O meu vizinho do 4º. andar ofereceu-me porrada...

e eu exijo que o presidente da CML me arranje uma casa nova, fora do meu prédio e longe deste Bairro, com uma renda de Euros.4,57, caso contrário vou viver para frente da Câmara.
É que eu me sinto invulgarmente ameaçado por aquele meu vizinho, que disse que me dava uma grande tareia ou me matava.
E eu estou cheio de medo e não quero voltar para lá.
De preferência vou passar dez anos sem pagar renda, embora ela seja baixa.
Vou ter o meu Mercedes à porta e mando a minha mulher para a rua vender coisas sem pagar impostos e ainda por cima vou dizer sempre, na televisão, que sou perseguido e que a vida está muito má e que não tenho dinheiro para nada, embora tenha bom mobiliário em casa e uma televisão tipo plasma, e guarde a mercadoria a granel na mala do Mercedes. A caçadeira fica em casa guardada no guarda-fatos.
Se não me derem o que eu quero arranjo uma manifestação nacional de todos os meus parentes e amigos e outros tipos engajados, mesmo que seja ilegal, por não autorizada pelo Governo Civil.
Eu sou um perseguido e tenho todo o direito a viver...da maneira que eu quero...

Comentários

Anônimo disse…
Afinal o racismo não tem côr, nem é a preto-e-branco? Qual é a côr do racismo?
T.Mike disse…
Anónimo, tenho pena que o sejas.
De qualquer modo respondo-te:
-Tem a cor do medo!
Rocket disse…
excelente. é uma pena que toda uma sociedade patrocine um estilo de viver que lhe morde a mão...
T.Mike disse…
Rocket,
e o que mais me irrita é aquele estilo meloso do pede-pede, com uma mão em concha e a outra fechada atrás das costas a preparar o murro.
Mlee disse…
Tenho pena .... do vizinho do 4º andar .... hahahaha!
T.Mike disse…
Mlee,

fazes-me sempre sorrir....

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Sonhar a terra livre e insubmissa

E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…