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O beijo

O meu amor deu-me um beijo
e nasceu um rio de madrugadas
que desaguaram sobre o peito.

Um renascer
em que se adormece ao sol do sonho
deitados de costas no chão
respirando o hálito fesco da terra ainda húmida.

Bendito campo
pobre de terra mas cheio de vida
que acena aos pássaros com as suas mãos de espiga
e agradece às raizes o dom da seiva.

Hoje,
os rios libertam as sereias
e o seu canto de harpa mágica
e as colinas rasgam o céu
com a força desmedida da terra-mãe.

O meu amor está em festa
cumpre-se a vida na colmeia
renasce o sol
e quere-se a lua.

Comentários

Rocket disse…
excelente!

andam aí tudos à volta da sex life das abelhas que somos enquanto ainda não terminaram o capítulo sobre o beijo... bom domingo!
T.Mike disse…
Bem verdade, mas entretanto deseja-se a Lua, seja lá o que isso representa...


Atento, venerador e obrigado...
Mlee disse…
Ai ... um dos meus temas preferidos :) o beijo. Lindíssimo.
T.Mike disse…
Obrigado, mlee, ainda bem que vais gostando.
Quanto ao beijo, se na maioria das vezes é o princípio de alguma coisa muitas outras é o fim disso ou de tudo....

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que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
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a palavra futuro   a palavra soldado
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aos ventos da certeza.

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tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

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