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Declarações, opiniões e outras situações


Voltando ainda a José Saramago.
No lançamento seu livro "Caim" o escritor produziu uma séria de declarações que lançaram alguma polémica.
Ainda sem ninguém ter lido o livro muita gente produziu, logo, uma série de opiniões. Será necessário descortinar se as mesmas foram sobre as declarações de Saramago se foram sobre aquilo que desconheciam, isto é, o livro "Caim".
Podemos estar, ou não, de acordo com a forma das declarações do escritor. Demasiado radicais,dirão uns, inqualificáveis ou prementes dirão outros.
Mas vamos ao que interessa. O escritor José Saramago pronunciou-se sobre uma obra que leu e que interpretou à sua maneira o que é perfeitamente legítimo. Quantas pessoas em Portugal , dizendo-se cristãos e, sobretudo, católicos, poderão afirmar que leram a Bíblia na íntegra, ou mesmo algumas passagens ?
Saramago tem uma opinião sobre aquele texto, a sua leitura e as consequências da mesma. É discutível ? Que se discuta, mas o autor tem direito à sua opinião e a transmiti-la com a maior liberdade .
Saramago é ateu ! Tem por isso uma opinião sobre Deus - não existe !
Portanto, não se pode acusar Saramago de ter escrito um livro contra Deus, porque não se pode escrever contra o que não existe; não tem destinatário.
Diferente é a sua opinião sobre as Religiões. Aí, existe um alvo e também é legítimo. Se assim não fosse, teriam de se considerar ilegítimas as imensas linhas que se publicam na Comunicação Social por parte de sacerdotes e leigos empenhados no proselitismo religioso. Existe um programa na RTP2 sobre as diferentes confissões religiosas no nosso país. Não creio existir algum sobre o Ateísmo.
De maneira que, o problema que se levanta, é que sendo Saramago uma figura de grande força e  influência, as confissões religiosas, já a braços com uma diminuição assustadora de seguidores, temem que opiniões e textos como os do livro do escritor promovam um ainda maior afastamento das escrituras e dos cultos. E vejamos, Saramago fala das religiões "latu sensu", embora, neste caso, se refira fundamentalmente às religiões do Livro.
O direito ao livre pensamento é fundamental na nossa sociedade, seja ele religioso ou não.
Cada um de nós tem o direito de se expressar livremente sobre tudo desde que não entre pelos caminhos ínvios que são considerados delito nas leis do Estado. Não das leis canónicas; felizmente já não.
Neste mesmo meio, a blogosfera, existe uma luta permanente entre religiões e ateísmo, por vezes com grande crueza e exaltação e nunca isso foi tema de polémica pública.
José Saramago visa e é visado, só isso.E a ele, por ser ele, ninguém (?) perdoa.
Por mim, vou comprar o livro, leio-o, e depois pronuncio-me e era bom que as pessoas fizessem o mesmo.

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