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O grande derrotado


Fazer política  com base popular profunda é coisa que o Bloco desconhece.
Ontem ficou bem patente a fragilidade do partido, a sua falta de implantação nacional, e porquê não dizer, a fragilidade da sua mensagem.
O Bloco é um partido que congrega descontentes de uma burguesia desiludida e só sabe funcionar como organização que faz do protesto a sua principal arma.
Ontem voltou à terra, depois de alguns meses a navegar pelos castelos de nuvens que pontuam o céu da política portuguesa.
Além do mais, desta vez, a demagogia  de um certo esquerdismo pomposo não funcionou .
Por outro lado, Louçã, deve ter  constatado, de vez, que o Bloco não existe sem ele, e que se ele perde o Bloco perde ainda mais.
No que respeita a Lisboa, a desilusão, então, ainda foi maior . O Bloco perdeu copiosamente e deve-lhe ter ficado de emenda o querer dividir aquilo que poderia estar unido e que a sua influência, afinal, não existe nos termos em que sonhara.

Comentários

Ana Paula Fitas disse…
De facto... às vezes, a realidade é a melhor conselheira... nomeadamente para o recentrar analítico contra uma certa sobranceria autocêntrica...

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Sonhar a terra livre e insubmissa

E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…