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Uma decisão de hoje, uma incógnita para amanhã


A recente nomeação de Barack Obama , sobre a qual argumentei que seria um Prémio Nobel do Futuro, fez-me recordar histórias passadas.
Pergunto-me muitas vezes se frases como "preparar o futuro" ou "quem manda é o destino" têm alguma razão de ser.
Se é legítimo pensar que podemos tomar as medidas para preparar ou precaver o dia de amanhã, não nos podemos esquecer que primeiro, e para que isso tenha o devido efeito, é necessário chegar lá vivo o que não é um dado que possa ser adquirido. Se quem manda é o destino, então, é escusado alguém preocupar-se com o dia de amanhã porque, quer queira quer não, não está na sua mão a construção de qualquer alternativa.
Um exemplo:
Todos o pais tiveram alturas em que se lhes deparou o dilema de "o que fazer ?" perante uma qualquer situação que determinaria, certamente, o futuro de um filho. São situações extremamente difíceis e que, em alguns casos, podem acompanhar o resto das suas vidas. Têm, sobretudo, a incumbência de resolver as situações com a ponderação, a justiça, a moral e a ética, para que, seja qual for a solução encontrada, possa, amanhã, ser ajuizada como um contributo importante para a educação e formação cívica desse cidadão do futuro. E aí é que está a dificuldade. Podem acusa-los de intransigência, de quererem endireitar o mundo ou então, e o que é pior, de serem uns patetas porque ninguém arriscaria tal solução.
Ora bem, pensem nisto:

Uma criança de 12 anos está a ter dificuldades com o seu ano escolar apesar de se esforçar, mas a coisa não sai. Os pais sabem, e porque acompanham a vida escolar do rebento, tomam conhecimento que a reprovação vai ser um facto, a não ser que...
O "a não ser que" é a possível atitude paterna de, conhecendo bem quem dirige o estabelecimento escolar, dar uma palavrinha a quem de direito, e a coisa resolvia-se, até porque a época não era dada a grandes dificuldades de conversa e obtenção do que se desejava, conhecendo "quem..." é claro.
Depois de tudo bem pensado, e perante os seus valores, os pais resolvem não pedir nada a ninguém, por não quererem para a criança qualquer situação de privilégio.
Resumindo, a criança reprova, olha para os pais e chora, e desconfio que os pais choraram também, mas para dentro.
No ano seguinte, os amigos da criança seguem em frente, já se sabe que nestas situações muitos se afastam, mas os verdadeiros mantêm-se, e ela repete o ano.
Por via disto, no ano seguinte, a criança é aprovada e segue os seus estudos num estabelecimento diferente dos demais.
Nada de especial se acontece nos anos imediatos. Vem o 10º ano numa outra escola.
Lá está, os pais prepararam o futuro, a criança, já jovem, tem um percurso normal , o ter chumbado o primeiro ano só fez-lhe bem (argumenta-se), etc. .
E vem a admissão à universidade. "Numerus clausus" e demais dificuldades e o jovem não teve acesso.
Que fazer ? Com normalidade, repetir e tentar de novo.
Tudo bem !
Então até pode ir de férias para casa de uma amiga estrangeira que conhecera na última escola e com a qual ficaram laços grandes de amizade. Também está bem ! E lá foi .
Tais peripécias vão desembocar numa situação que é a actual.
O jovem foi e ficou. Ficou, estudou, trabalhou e casou com alguém do país de destino.
Teve filhos, vive numa boa casa, tem uma vida desafogada e é feliz.
Dirão que a construção dada à criança, na educação, nos valores, foram os suficientes para ela poder singrar sozinha na vida e até em situações adversas. É bem verdade.
Mas, e as voltas da vida ? Teriam sido antecipáveis ? Terá sido o futuro preparado ? Terá sido o destino ?

NAAHHH!!!!
Esquecemo-nos do essencial - o indivíduo .
Foi a criança, o jovem, o cidadão de hoje .

Bom, chega de conto.
A conclusão a que queria chegar é a de que uma atitude tomada um dia, por razões o mais respeitáveis possível, poderá vir a revelar-se como a chave de um futuro que nenhum de nós consegue antecipar.
É claro que os pais da criancinha hoje estão felizes, mas tê-lo-ão estado todo o tempo que demorou este processo ?
Quantas vezes terão perguntado, "e se nós...?"
Mas existe a realidade. Se tivesse transitado de ano aos 12 não teria conhecido a amiga estrangeira e a vida, decerto, teria sido completamente diferente, ou não...
Pois é,  a vida não é feita de "ses".

Moral da história:
Esperemos que o Obama venha a merecer o Nobel no futuro, foi-lhe dada essa chave,  que nós o possamos confirmar e que não demos por mal entregues os votos que fizemos.
Só depende dele, do indivíduo, Barak Obama. Não há  "ses...".

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