Pular para o conteúdo principal

Poemas de Natal (II) - Fernando Pessoa


Natal

Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Visto de trás da vidraça
Do lar que nunca terei.

(Cancioneiro do Natal Português)


Comentários

Miguel, já reparou que alguns poemas de Fernando Pessoa (ortónimo) têm um "aparente" tom popular? Depois, analisando com mais atenção, encontramos também neles os temas de sempre de outros poemas e da prosa, a sua inadaptação ao mundo, a sua solidão.
Posso referir este postal no nosso Clube?
Um grande abraço.
Maria Josefa,
Também senti o mesmo.
É na realidade extraordinário. Quanto mais procuro mais gosto.
Claro que o pode utilizar para o clube !
A partir do momento em que publiquei o post deixou de ser meu, é nosso, é de todos.
Umabraço.
Benjamina disse…
Miguel
Este poema está-me entranhado desde a infância, e não sei bem porquê!
Gostei muito de o revisitar aqui.
Um abraço
Benjamina,
é, para mim, um poema de solidão, mais pesada ainda por ser Natal, onde a família é central.
Também me impressionou.
Um abraço também.
mdsol,
obrigado pelo sorriso.
Saudações.
daniel disse…
Agradeço o comentário que fez ao meu blog, é sempre um gosto receber visitas.
Ler os poemas de Pessoa ortónimo é como rever a criação artística que tão bem explica o lado oculto da arte. Ou como o próprio diria: "tudo é oculto"...

p.S.: acrescento que adicionei o seu blog aos meus favoritos!

Postagens mais visitadas deste blog

Sonhar a terra livre e insubmissa

E volto aqui sempre que posso, enche-me o peito...
E cada vez mais do que nunca...

Retrato de Manuel Alegre

Alegre   Manuel   alegre até à morte
que lindo nome para um homem triste
que lindo nome para um homem forte.

Alegre   Manuel   despedaçado
pela espada da língua portuguesa:
a palavra saudade   a palavra tristeza
a palavra futuro   a palavra soldado
Alegre   Manuel   aberto cravo
aos ventos da certeza.

Alegre   Manuel   aqui mais ninguém fala
tão alto como tu   ninguém se cala
com essa dor serena e construída
não apenas de versos   mas de vida.

Alegre   Manuel   as línguas do teu canto
ateiam-nos fogo.
Neste lugar de lama e desencanto
tornas vermelho o povo.

José Carlos Ary dos Santos
fotos-grafias
Quadrante - 1970

Face a um desafio

"Si le hubiera cortado las alas habría sido mío, no habría escapado. Pero así, habría dejado de ser pájaro y yo, yo lo que amaba, era el pájaro."
Joxean Artze.



Pedi-te sempre que não olhasses para trás. Tu sabias que te queria demais, na totalidade, por dentro e por fora, só para mim e sem deixar nem um pouco para ti. Tu existias para que eu existisse queria-te sempre a voar ao meu redor, era eu o teu único destino...
Foi apenas isto que te obriguei a interiorizar por isso , num equívoco, deixei-te esvoaçar e tu não voltaste, seguiste e cumpriste, nem olhaste para trás...
Aí, entendi como era falso... Descobri, já só, que afinal eras tu o meu destino, que te amava por ti e apenas por ti. Descobri que as minhas mãos apenas têm dedos e não tenazese os meus braços apenas abraçam não agrilhoam;
o muito querer nem só tudo aceita, nem só tudo exige, o amar é dar e aprender.
Agora... só, olhando cada dia que nasce, repondo lá longe a linha do horizonte, sejas tu o Sol ou apenas o meu Sol, espero ansiosa…