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Repetições da História - II


" Já me referi ao embate que estão preparando as forças reaccionárias. Espreitam as brechas que os nossos erros e o nosso indeferentismo abriram no baluarte da Liberdade, e por elas vão penetrando cada dia em maior número, caladamente  a princípio, ruidosamente agora."

(Norton de Matos, 30 de Abril de 1930)

Comentários

Anônimo disse…
Acredito piamente que a História portuguesa se vai repetir... mas nada de bom auguro, neste virar de milénio. Infelizmente isto foi levado a um ponto quase sem retorno.
Se houvesse milagres, acreditaria que tudo poderia chegar a bom termo sem o pior... Mas neste campo, os milagres não existem, no colectivo.
Fada do Bosque,
que se vá repetir não direi porque as condicionantes são diferentes.
Que existirá propensão para o que o General Norton de Matos descreve, isso talvez.
Se ler textos da 1ª. República verá que são, em muitos casos, actuais e que só demonstram que o nosso atraso, ao fim de 80 anos, não é dos esforços desenvolvidos depois da Revolução de 1974, mas do período de imobilismo a que fomos sujeitos durante a ditadura.
Um abraço.
Anônimo disse…
Este blogue mostra bem as condicionantes pós 25 de Abril, que vai-me permitir que discorde, não foram poucas e o desenvolvimento democrático falhou:

http://paramimtantofaz.blogspot.com/


http://ofimdademocracia.blogspot.com/

http://www.youtube.com/watch?v=LtVpswqRIj8&feature=player_embedded

Uma prova disso é a censura instalada na informação, levando ao "aniquilamento" dos jornalistas de investigação.
Penso que continuamos no imobilismo, não pela força, mas através de manobras de bastidores e demagogia. A ditadura não teve toda a culpa, embora seja uma premissa indubitável.
Gerações de maus políticos e maus líderes, é o que nós temos... uma sina!

Um abraço
Fada do Bosque,
Vamos lá a ver.
Refería-me, fundamentalmente, a uma questão de mentalidade do Povo, aquele que aceitou em 1927 o início da ditadura do Estado Novo, com medo da instabilidade política da 1ª.República.
Essa ditadura que pouco fez por uma evolução cultural do povo português , que o fechou e não o deixou respirar os ares da contemporaneadade que sopravam no resto do Mundo.
Sabe, em 1930, gritava-se que era imperioso que uma criança, então com 6 anos, deveria chegar aos 20 sabendo ler, escrever e contar.
Quer isto dizer que era uma situação que não existia. Chegados aos anos 60 e 70 qual era a taxa de analfabetismo no nosso país ?
Hoje já é totalmente diferente mas não basta. Viu o último relatório da OCDE sobre o assunto ? Apesar de todo o esforço, que já vai nos 12 anos de escolaridade obrigatória,ainda é muito fraca a influência do desenvolvimento escolar e cultural na evolução das mentalidades do nosso país.
E tudo se pode resumir a um problema cultural. Não há povo sem cultura que evolua no sentido de uma melhor democracia. Será presa fácil da demagogia e de radicalismos de direita ou de esquerda, dada a sua impreparação e devido a uma desejada indiferença.
Quanto à liberdade ou à censura de que fala, tal não pode ser assacado aos governos, sejam quais eles sejam, uma vez que são entidades privadas, com os seus objectivos comerciais e financeiros, e na grande maioria dos casos pouco preocupados com a qualidade da informação produzida, seja ela banal ou de investigação. E tem um bom exemplo; O jornalismo de investigação do jornal Sol e o do,até muito recentemente, jornal Público.Se me falar em auto-censura
declarada, por via dos seus próprios interesses, sejam eles políticos ou económicos, dou-lhe razão.
Quanto aos políticos são os que têm sido fabricados com os condicionalismos culturais que atrás referi. Salvo raras excepções não podem ser "águias", mas o que é, também, interessante, é que saindo "lá para fora" é-lhes dada a importância que "cá dentro" lhes é retirada. Temos vários casos desses.
Creio que me terei feito entender quanto ao sentido do meu post ?
Gosto muito que me responda e até que discorde. Faz-me pensar e procurar novos argumentos o que é muito bom.
Um grande abraço.
Anônimo disse…
E eu gosto de discordar.... se me permite, pois sei que é uma forma de aprender, ainda mais com pessoas mais velhas e com muita cultura... mesmo que a não tivesse a experiência diz tudo.
Claro que adorei a resposta... fiquei um pouco mais rica.
A única coisa ue eu acho que o Estado deveria impôr-se é no caso dos Media pertencerem a interesses que não os públicos. Outra era que começassem a colmatar a falta de cultura. Como diz, conduz a radicalismos bastante nocivos ou até perigosos.
Sou por exemplo, a favor de que a Educação de Normas de Conduta e Valores Fundamentais, seja ensinada nas escolas, uma vez que a maioria dos conterrâneos, já não faz ideia como educar os seus filhos. Tenho discutido isso noutros blogues e todos se mostram contra... porquê? Porque das duas uma, ou fazem parte de uma minoria que teve boa educação e sabe educar, ou então são professores e acham que não é trabalho para eles.
A sociedade portuguesa está a criar uma geração de tiranos.
Tenho visto cada uma... os filhos mandam nos pais e os pais vivem, não em função deles, mas dos filhos.
Assim perde-se a noção de respeito e de hierarquia. Eu gosto de tratar os mais velhos como se estivessem num patamar acima, gosto que me rspeitem da mesma forma. A falta de cultura e educação é gritante, mas uma coisa asseguro, o nosso povo não é burro, como muitos me querem transmitir. Eu isso não aceito... está bastante despojado de Valores e acho que o Estado poderia intervir para sermos um povo melhor, já que o cidadão comum parece não ser capaz.
O que estou sempre a afirmar é que como emigrantes, somos os melhores, desde a empregada de limpeza até ao cientista.
Vou ao encontro do que me diz dos políticos.
A questão cultural devia ser a 1ª a ser resolvida pois é o factor base no desenvolvimento da cidadania e de um Mundo mais justo.
O ensino poderia ser menos diversificado e mais profundo, com cursos técnicos muito qualificados.

Um abraço

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